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quarta-feira, 26 de agosto de 2026
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“Resgatar a atenção básica é um dos maiores trunfos de Bocalom”, diz secretária de Saúde, Sheila Andrade


Conhecida por ser implacável na busca pela qualidade do serviço público – aliás, este é um dos muitos atributos que a credenciou como nome ideal para disputar como vice-prefeita na chapa à reeleição de Tião Bocalom –, a secretária municipal de Saúde, Sheila Andrade, 48 anos, mestre em Saúde Pública e Meio Ambiente pela Fiocruz, tem muito o que comemorar nestes três anos à frente de uma das principais pastas da prefeitura de Rio Branco.

Entre uma agenda apressada e outra, no auxílio aos desabrigados pela cheia do Rio Acre, Sheila Andrade aceitou, num breve intervalo, conversar com o OPINIÃO, onde fez um pequeno retrospecto de sua luta para que a pasta de saúde pública da maior cidade do Acre atenda às necessidades de uma população sedenta pelos cuidados do poder público.

Entre os pontos de maior destaque de sua gestão, como ela própria ressalta, estão o “resgate da atenção básica”, possibilitando uma saúde preventiva, e “a valorização dos profissionais”, por meio de capacitação, humanização de seus locais de trabalho e da valorização de suas carreiras e salários com um plano concreto e à altura do que merecem. Abaixo, confira os principais trechos:

OPINIÃO – O seu nome foi ventilado para integrar as fileiras do União Brasil e, possivelmente, ser a candidata a vice-prefeita na chapa encabeçada pelo prefeito Tião Bocalom no PL. Qual a leitura que a senhora faz quanto a isso?

Sheila Andrade – Fiquei super feliz, pois creio que seja um excelente reflexo do trabalho que eu e toda equipe da Semsa [Secretaria Municipal de Saúde] realizamos nestes três anos. Foram muitos progressos. Nunca fui filiada a nenhum partido e a ideia de ir para o União Brasil veio de um grupo político que nasceu dentro da Semsa junto com algumas lideranças comunitárias. Lógico que para eu sair para vice do meu prefeito Tião Bocalom, ainda tem muita coisa para acontecer dentro do União, principalmente, o prefeito aceitar.

No entanto, independentemente das decisões partidárias e do prefeito, eu sou Tião Bocalom para a reeleição, simplesmente por ter vivido e atuado numa gestão que mudou a cara da atenção básica.

OPINIÃO – Prestes de ser encerrado um ciclo da gestão do prefeito Tião Bocalom, entre as ações em Saúde a favor da população, qual delas teve maior impacto positivo na vida das pessoas?

Sheila Andrade – Eu citaria a contratação de equipes completas para atender nas unidades. Também não deixamos faltar medicamentos. Além disso, implantamos um laboratório de diagnóstico que na maioria dos exames, o paciente tem resultado no mesmo dia.

Posso mencionar ainda a locação de oito vans odontológicas que atendem direto nos bairros. Mas o grande trunfo foi ter zerado a fila das pequenas cirurgias e da oftalmologia.

OPINIÃO – O Acre está hoje entre os seis estados que mais registram casos de Dengue, tendo o país alcançado 1 milhão de pessoas infectadas pela doença. Como está sendo o trabalho da Saúde Municipal para enfrentar essa situação?

Sheila Andrade – Os dados de notificações de Rio Branco, a cada semana epidemiológica, mostram que estamos melhorando e conseguindo a redução dos casos. E isso é graças a ações de vigilância realizadas bairro-a-bairro, orientando os moradores e eliminando os criadouros.

Nós também abrimos, como referência por dois meses, duas unidades específicas que hoje atendem pelo menos 15 pessoas com suspeitas de dengue, cada um, diariamente.

OPINIÃO – Com relação às demandas da comunidade, pode-se dizer hoje que temos uma boa integração entre os postos e centros de saúde do Município, e também com as demais unidades de saúde do estado?

Sheila Andrade – Sim. Com certeza. As unidades de atenção básica, que é de responsabilidade do município, estão hoje muito bem integradas com as ações de prevenção, promoção e assistência às pessoas.

Quando falamos em regular os pacientes para média e alta complexidade, que é obrigação do estado, como por exemplo, as cirurgias e as consultas com especialistas, neste ponto, ainda temos muitas dificuldades por causa da quantidade de vagas liberadas por mês ser menor que a necessidade de Rio Branco.

Mas hoje, a nossa capital desfruta de muito mais avanços, com até maior agilidade que o estado, na resposta aos diagnósticos laboratoriais, por exemplo. Por sinal, na rede municipal de saúde, estamos diariamente atendendo às demandas dos hospitais e da Fundhacre [Fundação Hospitalar do Estado do Acre]. Além disso, é muito constante o atendimento com medicamentos, algo que pode ser comprovado consultando o nosso sistema de informação G-MUS.

Nota da Redação: O Sistema de Gestão Municipal de Saúde – G-MUS, é um dispositivo oficial de informação no âmbito do município de Rio Branco com o objetivo de registrar as informações e serviços prestados, em formato eletrônico, pelos servidores da Semsa e conveniados com a Prefeitura de Rio Branco.

OPINIÃO – E sobre a sua gestão. O que foi feito para que as pessoas pudessem ter o melhor acolhimento possível nestas unidades, ao longo dos últimos três anos?

Sheila Andrade – Primeiramente, posso dizer que o resgate da atenção básica foi um dos maiores trunfos da gestão Tião Bocalom. Quando chegamos, o Município era meramente assistencial. Ou seja, as pessoas não sabiam e não tinham mais a prevenção e a promoção da saúde, ações que são fundamentais na atenção básica. Lógico que esse processo de acolher é algo contínuo, mas creio que já melhoramos muito e precisamos continuar este trabalho.

O segundo ponto foi a valorização dos profissionais por meio do diálogo, das capacitações, da humanização dos ambientes de trabalho e também pela valorização salarial por meio do PCCR [Plano de Cargos Carreiras e Remuneração]. Foi fundamental contemplarmos esses profissionais com um plano de carreira e remuneração que os valorizassem.

OPINIÃO – Existe algum entrave que precisa ser melhorado, e que não foi possível fazer nesta gestão?

Sheila Andrade – Sim. Vários. Saúde pública é algo dinâmico e, por isso mesmo, precisamos sempre está atualizando e aprimorando o sistema.

Mas posso dizer que algo que mudou muito para melhor foram as reformas das unidades. Creio que não conseguiremos fazer todas nessa gestão. Mas independentemente de quem vier assumir a próxima gestão, é algo que precisa continuar. Além disso, temos hoje mais profissionais. São equipes completas dentro de todas as unidades, embora isso seja um desafio constante.

Outro ponto que merece destaque é que nossos equipamentos são mais modernos dentro das Uraps [Unidades de Referência em Atenção Primária] e nos centros de diagnósticos. Isso é fundamental para darmos respostas rápidas. Agora, seria também importantíssimo que o Estado conseguisse, na mesma proporção, atender a população de Rio Branco com as cirurgias. Isso é fundamental.