Com o tema Maio de Lutas: Contra o fim da aposentadoria e por mais emprego e salários decentes, as Centrais Sindicais do Acre lançam nesta quarta-feira, 1º de maio, Dia do Trabalho, o que estão chamando de calendário de lutas. O movimento que acontece no Acre é parte de uma mobilização nacional liderada pelos movimentos sindicais e sociais em defesa dos direitos dos trabalhadores.
Um café da manhã solidário acontece às 8h na sede do Sindicato dos Urbanitários, em Rio Branco, onde será apresentada uma extensa programação a ser desenvolvida por mais de vinte entidades sindicais urbanas e rurais durante o mês de maio. Entre elas uma audiência pública para discutir o tema Reforma da Previdência será realizada na Assembleia Legislativa do Acre dia 09 de maio, às 10h.
Já no dia 15 de maio será o Dia Nacional de Luta e greve geral dos professores. Intervenções culturais também estão programadas para acontecer ao longo do mês em diversos pontos locais de grande movimentação da cidade.
Um seminário sobre os impactos da Reforma da Previdência está marcado para acontecer dia 31 de maio no auditório da Universidade Federal do Acre com a participação de palestrantes especialistas no tema. E um grande ato cultural com a participação de artistas locais vai marcar o encerramento das atividades do mês contra a Reforma da Previdência.
“Em todo o Brasil teremos atos contrários a Reforma da Previdência. Movimentos sociais, sindicais e representantes de partidos estão se juntando para ouvir opiniões e tentar encontrar caminhos que levem o povo às ruas, a se posicionarem contra qualquer retrocesso. Um exemplo de que estamos no caminho errado foi a Reforma Trabalhista aprovada no governo Temer, que na época convenceu a população de que iria trazer benefícios e segurança para os trabalhadores e também emprego formal para os brasileiros, infelizmente a Reforma Trabalhista foi aprovada, tiraram direitos históricos dos trabalhadores e aumentou muito o desemprego”, explica o presidente do Sindicato dos Urbanitários, Marcelo Jucá.
Ele diz ainda que uma das bandeiras de luta desse primeiro de maio será o fortalecimento da luta contra a Reforma da Previdência, que retira o direito do brasileiro de ter uma aposentadoria na melhor idade. “Precisamos resgatar o primeiro de maio, voltar a ter a união dos trabalhadores, do movimento sindical e social, somente com essa representatividade em prol das causas dos trabalhadores é que teremos resultados. Unidos vamos conseguir fazer o contraponto ao que o governo federal que está querendo tirar os direitos do povo brasileiro conquistados com tanta luta”, finaliza.
Dia do Trabalho
O Dia do Trabalho teve origem na cidade de Chicago (EUA), quando milhares de operários, organizados pela Federação Americana do Trabalho, organizaram um grande paralisação. A greve teve inicio no dia 1º de maio de 1886, sendo que nesse mesmo dia foi iniciada uma greve geral que paralisou os Estados Unidos.
Revolta de Haymarket, em Chicago. Ilustração de Thure de Thulstrup (1886).
As condições de trabalho a que os trabalhadores eram sujeitados eram desumanas, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, onde também estouravam greves constantemente. A jornada de trabalho era de treze horas (no mínimo) chegando a até 17 horas. A reivindicação dos trabalhadores em Chicago era a diminuição da jornada de trabalho para 8 horas.
No dia 3 de maio, terceiro dia de paralisação, trabalhadores e policiais entraram em confronto, que acabou com um saldo de 50 feridos, centenas de prisões e 6 mortes. No dia seguinte, outro confronto aconteceu, resultando em mais feridos, presos e mortos. Os acontecimentos daquele início de maio receberam o nome de Revolta de Haymarket. Os líderes do movimento foram presos e responsabilizados pelas mortes. Alguns foram condenados a forca, outros a prisão perpétua.
Em junho de 1889, a Segunda Internacional (organização sindical), realizada em Paris, decidiu instituir o Dia Mundial do Trabalho, como forma de homenagear os trabalhadores mortos na Revolta de Haymarket, e para que todos os anos, nesse dia, os trabalhadores pudessem fazer suas reivindicações, como a redução da jornada de trabalho para 8 horas.
A França foi o primeiro país a legalizar o dia 1º de maio como o Dia do Trabalho, em 1919. Nessa mesma ocasião, a jornada de trabalho foi estabelecida em 8 horas.
No Brasil, são relatadas comemorações do dia do trabalho desde 1895, mas somente em 1925 a data foi legalizada pelo então presidente Artur Bernardes, quando passou a ser feriado nacional. A partir de 1930, com Getúlio Vargas na presidência, o dia 1º de maio passou a ser o dia do anúncio de medidas favoráveis aos trabalhadores, como o estabelecimento do salário mínimo, medida divulgada em 1º de maio de 1940.


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