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domingo, 5 de julho de 2026
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Vitória dos estudantes: provas do Enem serão adiadas

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Nos últimos dias um debate que vem sendo discutido entre deputados e estudantes é sobre o adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio, a prova que ia ser realizada no mês de novembro vai sofrer alterações devido a pandemia do coronavírus.

O Senado aprovou projeto que adia as provas no último dia ,19. O Exame Nacional do Ensino Médio  será adiado “de 30 a 60 dias em relação ao que foi previsto nos editais”, de acordo com decisão do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e do Ministério da Educação (MEC).

Emerson que é proprietário do Pré-Enem e Pré-concurso Ideal em contato com a redação do Jornal Opinião declara o seu ponto de vista sobre essa decisão do MEC.

“Era esperado que o governo tomasse uma posição, e o senado já adiantou isso ai, a pandemia como sabemos inviabilizou as aulas a nível de Brasil e foi logo no início do ano, as aulas no estado do acre estão suspensas já está com 2 meses e não temos previsão de volta, e isso significa que muitos dos conteúdo não foram dados, manter a data do Enem para novembro não seria uma boa ideia porque iria prejudicar muitos alunos que estão sem aulas, até porque uma minoria consegue pagar uma plataforma para estudar e isso ficou muito complicado é algo que vejo de forma positiva.

Diante dessa situação os cursinhos devem se organizar para poderem das respostas aos alunos que estão querendo estudar. Cada cursinho tem que se reinventar então a gente também está nesse páreo, de uma certa maneira igualou todo mundo, e agora precisamos pensar na forma de como isso vai ser desencadeado, eu estou muito preocupado com andamento de como isso vai ser, porque nós vamos ter dois público: os alunos que de como não tem data prevista não vão querer estudar e aqueles que são mais conscientes que com mais tempo podem estudar mais, agora uma forma de como vamos atender esses públicos.

Emerson diz que o cursinho disponibiliza uma plataforma digital e no momento estão organizando as aulas online com os professores para que os alunos possam receber as aulas.

Vale ressaltar que os valores do Pré-Concurso e do Pré-Enem diminuiu para um valor bem significativo para entender a necessidade de todos pois abalou a parte de financeiras de forma geral.

Pré-Enem da Ufac

Paulo Botelho, ex-tutor do Pré-Enem #EuNaUfac e atual colaborador na coordenação das atividades on-line, do respectivo projeto em tempos de pandemia pontua sobre o adiamento do Enem.

“ O Pré-Enem #EuNaUfac é um projeto de extensão da Universidade Federal do Acre que nasceu com o intuito de oportunizar aos estudantes da rede pública e de baixa renda uma oportunidade de preparação para o Enem – o maior e mais importante vestibular do país. Sabe-se que o ensino público, em contraste com o privado, tem as suas deficiências, e, na tentativa de corrigir isso e tornar mais iguais as condições de acesso ao Ensino Superior, este projeto foi criado. O adiamento do Enem, em tempos de pandemia, em que escolas estão com suas aulas suspensas presencialmente por tempo indeterminado, é reconhecer que nem todos têm as mesmas condições de estudarem à distância, especialmente os alunos da rede pública de ensino, em face da grande quantidade deles que não têm, sequer, acesso à internet ou outros meios para que isso ocorra – o que amplia ainda mais as já existentes lacunas de aprendizagem. É reconhecer, ainda, que a grande maioria dos que farão o Enem este ano é da classe menos favorecida e que esses, sim, serão os mais prejudicados caso a data do Exame não seja alterada. Em suma, colaborar com um projeto que atende a essas pessoas que já são, naturalmente, alvo da desigualdade e de falta de oportunidades fazendo vista grossa sobre esse assunto é estar alheio à sua essência”

De acordo com presidente do DCE Ufac, Richard Brilhante a anulação foi em razão de pressão estudantil. “Tivemos uma vitória no senado que foi fruto de mais de 50 dias de pressão feita por várias entidades estudantis, hoje o MEC mudou o posicionamento e aceitou adiar o ENEM de 30 a 60 dias. A mudança irá beneficiar milhões de estudantes afetados pela pandemia, principalmente os das escolas públicas. Não há meritocracia quando o ponto de partida e as condições não são as mesmas”.

Entenda a importância de as provas serem adiadas

Anna Marina que é estudante de Licenciatura em Filosofia, presidente da UJS-AC em contato com a redação do Jornal Opinião fala um pouco sobre esse adiamento.

“Para a gente compreender porque os estudantes têm solicitado esse adiamento, precisamos ter a sensibilidade de perceber que seria mais injusto do que já é, manter uma prova em um cenário de pandemia que estamos enfrentando no Brasil. 

Estamos em quarentena, as escolas estão fechadas e os alunos não estão tendo acesso aos materiais didáticos que a escola oferece e nem as aulas presenciais com os professores”, explica a estudante.

Há de se levar em conta um outro elemento: os estudantes de baixa renda teriam as mesmas condições de estudar em casa que os estudantes ricos ou de classe média?
Marina complementa.

“Nós entendemos que os estudantes que tem oportunidade de fazer cursinhos de inglês, espanhol , pagar um pré-Enem, comer todos os dias, de viajar de férias tem maior possibilidade e oportunidades de ingressar em uma universidade do que um estudante que vive uma realidade complemente diferente, de miséria, de ter que estudar e trabalhar, ter que enfrentar ônibus lotado. É uma série de situações que passam os filhos e filhas de trabalhadores e trabalhadoras que estudam nas escolas públicas que nos fazem perceber problemas em todo o sistema de educação nacional, que não atua no sentido de amenizar essa discrepância no acesso ao conhecimento e na oportunidade de acesso ao ensino superior. Se antes, em um cenário “ normal” , sem pandemia, em que as pessoas podiam ir à escola, tendo acesso aos professores, já era difícil passar no ENEM, imagina na situação em que estamos vivemos agora”.

A estudante finaliza afirmando que manter a prova do Enem seria injusto, “injusto com os milhares de estudantes do ensino público que sonham com a oportunidade de ascender socialmente, e que sonham com a oportunidade do ambiente da universidade que é tão rico que é tão cheio de experiências e conhecimento e abre tantas portas. Então quando o Ministério da Educação diz que “quem quer estudar estuda em casa e que cada um estuda do jeito que der” É injusto e cruel com a juventude.”