A Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) anunciou que seis vítimas da explosão de um barco no Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, serão transferidas para centros de referência especializados em tratamento de queimaduras nos estados de Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais. O anúncio da pasta foi feito por meio de nota e explica que o estado acreano já negocia com os outros três executivos e que ainda não há uma data definida para que a transferência dos pacientes seja feita.
A Sesacre também não especificou quais os pacientes que devem ser transferidos e nem divulgou a identidade de nenhum deles. O comunicado da pasta veio depois da morte de Simone Souza Rocha, de 24 anos. Ela foi uma das 18 vítimas atingidas pela explosão da embarcação e morreu no domingo, 9, após uma parada cardiorrespiratória no Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul. Das vítimas, um bebê de nove meses e uma criança de quatro anos estão em Rio Branco.
O bebê passou por diversos procedimentos cirúrgicos e está em estado gravíssimo no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb). Já criança de quatro anos teve 25% do corpo queimado, principalmente face/parte superior do corpo, e segue estável. Além deles, outros três pacientes também estão internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com várias queimaduras. Esses são os casos mais graves e podem desenvolver ainda complicações nos rins.
Já no Hospital do Juruá, nove vítimas do acidente estão internadas devido à consequências da explosão. Desse total, quatro estão na UTI, três estão em estado gravíssimo, e outros cinco seguem na enfermaria da unidade com quadro clínico estável. Eles sofreram queimaduras que afetaram entre 25% a 40% do corpo. Até o momento, a explosão causou a morte de Simone Souza Rocha. De acordo com o Hospital Regional do Juruá, a mulher teve de 80% a 90% do corpo queimado.
Dos três estados procurados pelo governo do Acre, apenas o de Minas Gerais se colocou a disposição para receber as seis vítimas até agora. A Secretaria de Saúde de MG garantiu que após ser acionada pela Sociedade Brasileira de Queimados vai disponibilizar o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte, para receber os pacientes acreanos. Ainda está em análise o acionamento feito ao Plano de Atendimento de Múltiplas Vítimas do Hospital João XXIII.
Diretor assistencial da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), Marcelo Lopes Ribeiro, explicou ao portal de notícias G1 Minas Gerais que o acionamento do plano significa o desenvolvimento de um estudo do hospital para preparar o atendimento de vários queimados ao mesmo tempo. Lopes disse ainda que a equipe se colocou à disposição para atender as vítimas acreanas e prosseguir o tratamento de cada uma na unidade de saúde mineira, referência na área.
Acidente
A explosão de um barco no Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, que deixou 18 pessoas gravemente feridas e matou uma delas aconteceu na última sexta-feira, 7. De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBM-AC) na cidade, a explosão aconteceu enquanto a embarcação estava sendo abastecida. O barco transportava mercadorias, pessoas e combustível para os municípios de Porto Walter e Marechal Thaumaturgo, cidades que também ficam no interior do estado.
“Um barco que ia para Marechal Thaumaturgo, de um senhor conhecido por Moreno, estava abastecendo às margens do rio, ao lado do [bairro] Miritizal, direto de um caminhão pipa, que também não sei de onde é. Aparentemente, era um abastecimento clandestino e o barco explodiu com o pessoal que estava dentro”, comentou em entrevista ao portal de notícias G1 Acre o comandante do Corpo de Bombeiros Militar em Cruzeiro do Sul, capitão José Dutra de Oliveira.
A corporação cruzeirense informou que equipes fizeram mergulhos no local do acidente para localizar possíveis vítimas fatais afogadas no Rio Juruá. De acordo com o comandante Oliveira, nenhum corpo foi localizado e ainda não se sabe quantas pessoas estavam na embarcação no momento do acidente, já que não havia um controle de passageiros por parte dos responsáveis. João Oliveira da Silva, de 33 anos, foi uma das vítimas e ficou com queimaduras nas pernas, braços e mãos.
Em entrevista ao G1 Acre, ele disse que estava com o filho no momento do acidente e não sabe como conseguiu se salvar. “Não sei dizer como foi, quando vi o fogo caí na água. Tinha muita gente no barco. Deve ter morrido alguém, não tinha como sair fácil de dentro dele. Não tirei nada, minhas roupas queimaram tudo. Graças a Deus consegui sair”, declarou aliviado. O catraieiro Nonato Coelho que foi um dos que presenciou o acidente, ele estava na margem do rio no momento.
Segundo ele, o motorista do carro-pipa retirou a mangueira rapidamente e saiu do local logo no início da explosão “Quando vimos, foi a explosão e fumaça. O caminhão estava no barranco, mas quando viu o fogo, não sei nem se conseguiu puxar a mangueira, só vi que estava derramando gasolina, ele [o motorista] pulou dentro do carro e se mandou”, declarou o catraieiro ao G1 Acre. Os nomes das vítimas, que tiveram de 70% a 90% do corpo queimado, ainda não foram divulgados.
Investigação
A Marinha do Brasil e a Polícia Civil do Acre vão investigar as causas da explosão. Delegado de Cruzeiro do Sul, Lindomar Ventura afirmou que o inquérito foi instaurado ainda no último sábado, 8, e que as oitivas das pessoas e testemunhas envolvidas no caso iniciaram na segunda-feira. Peritos da Polícia Civil já estiveram no local do acidente para iniciar a investigação e colher o maior número de provas possíveis para anexar durante o processo feito pela instituição.
“A gente só aguardou passar esse primeiro momento de impacto do acidente para começar a ouvir algumas pessoas. Muitas vítimas ainda estão em atendimento e é importante conversar com elas para saber o que aconteceu, além das pessoas que estavam fazendo a descarga do combustível no local da fatalidade. Vamos aguardar o laudo da perícia, que deve ficar pronto em 10 a 15 dias, para saber definitivamente o motivo da explosão e do incêndio da embarcação”, afirmou o delegado.
Em nota divulgada à imprensa, a Marinha do Brasil informou que enviou uma equipe de busca e salvamento e de inspeção naval da Agência Fluvial de Cruzeiro do Sul, junto com uma equipe do Corpo de Bombeiros do Amazonas, assim que foi notificada da explosão. “Todas as pessoas foram resgatadas com vida e os feridos foram encaminhados ao hospital da cidade. Um inquérito será instaurado para apurar as causas, circunstâncias e responsabilidades pelo acidente”, afirmou.
De acordo com o órgão federal, responsável pela fiscalização e controle das vias fluviais, o barco tinha inscrição junto a ele, mas isso não significa que havia autorização para navegar. O procedimento investigatório da Marinha verificará qual a tripulação da embarcação, se ela era autorizada a transportar combustível, pessoas, mercadorias, que tamanho era a embarcação, identificação do proprietário, entre outras diligências mais aprofundadas em diversos requisitos.





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