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Vídeo documentário mostra ascensão do samba no Estado do Acre

Vídeo documentário mostra ascensão do samba no Estado do Acre

Nesta sexta-feira (18/1) estará disponível no Youtube o vídeo documentário “Samba no Acre: umas rodas e outras histórias”. O trabalho audiovisual mostra um trecho da evolução do gênero em Rio Branco (AC) e sua atual ascensão. Nos últimos tempos, a apresentação na capital acreana do estilo musical em torno de uma mesa cresceu, revelou novos personagens e resgatou antigos sambistas.

“Quando estive ao Acre pela primeira vez em 2008, o meu interesse era fazer uma matéria sobre futebol. Conheci o cronista esportivo Manoel Façanha e ficamos muito amigos. Depois, voltei ao Acre várias vezes e acabei descobrindo um rico universo em torno do samba”, explica o jornalista Augusto Diniz, que dirigiu o documentário e hoje é colunista de esportes do jornal Opinião.

augusto dinizO niteroiense radicado em São Paulo Augusto Diniz explica que foi tendo contato aos poucos com os sambistas de Rio Branco. A partir daí, achou que podia fazer um vídeo documentário para registrar um retalho da história do gênero e alguns de seus personagens na cidade. “Já produzi samba no Rio e em São Paulo. Além disso, escrevo sobre música na mídia alternativa há quatro anos. Identifiquei que o samba na capital acreana poderia se tornar mais conhecido do público fora do Estado”, diz.

O documentário “Samba no Acre: umas rodas e outras histórias”,de cerca de 15 min, foi filmado em novembro do ano passado. O vídeo exibe algumas rodas de samba em atividade hoje na capital acreana, como a realizada às sextas-feiras no bar do Zé Chalé, onde se reúne a velha guarda do samba de Rio Branco, e a comandada pelo sambista Brunno Damasceno, a Casa de Bamba, uma vez por mês. O audiovisualainda destaca o tradicional “Samba da Mangabeira” criado há 26 anos;do sambista Da Costa, referência do gênero no Acre, e a nova geração do samba.

“O primeiro samba que tive contato em Rio Branco foi o ‘Samba da Mangabeira’. A história é interessantíssima. A roda surgiu ainda nos anos 1990 numa pelada de futebol de final de semana. Ela cresceu, reunia sambistas e acabou virando uma marca”, conta.

Para ele, não se relata a história do samba no Acre sem mencionar o que ali ocorria. Hoje, o “Samba da Mangabeira” virou uma festa anual com várias rodas ao longo do ano para arrecadar recursos para o grande evento em dezembro. “Nos anos recentes, tive em duas dessas festas e conheci muita gente do samba acreano, o que permitiu realizar o vídeo documentário”, afirma Augusto.

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Crescimento do samba e decadência das escolas

O produtor viu também nesse contato com os sambistas um ciclo de crescimento do gênero no Estado. “No Rio e em São Paulo, o samba vive um ciclo de baixa, com pouco penetração no grande público. Mas aqui no Acre, quando comecei a visitar algumas rodas, verifiquei que havia um quadro de ascensão do gênero, o que reforçou a ideia de fazer o vídeo documentário”, destaca.

O jornalista Augusto Diniz explica que tempos atrás as escolas de samba eram o pilar do desenvolvimento do gênero no país. “Eram nas agremiações carnavalescas que os grandes sambistas se reuniam, faziam música e se apresentavam ao público. A evolução do gênero se deu dessa forma ao longo do século passado. Mas a partir do início dos anos 2000 ocorreu essa desvinculação. Então hoje não se precisa mais contar a história recente do samba passando necessariamente pelas escolas de samba”, expõe ele.

Para Augusto, a escola de samba continua tendo papel integrador importante da comunidade onde está inserida, mas já não é mais referência de formação de novos sambistas. Segundo o jornalista, isso se deve principalmente pela perda gradativa dos vínculos da agremiação carnavalesca com suas raízes.

“As escolas passaram muito a incorporar elementos no seu dia a dia desvinculados de sua origem, de sua formação, de suas pessoas. Isso afastou a formação de sambistas dentro das escolas”, comenta. “Não sei bem o que se passou com as escolas de samba no Acre nos anos recentes, mas segundo consta perderam muita força, foram extintas. Isso pode ter muito a ver com um fenômeno que ocorre em outras cidades, onde a negação de suas referências fizeram com que muitos se afastassem das agremiações. Ora, por que vou numa quadra de escola para interagir com o samba se lá, por exemplo, fazem um baile funk”, questiona ele.

 

Personagens

De acordo com Augusto, é por isso que o vídeo documentário “Samba no Acre: umas rodas e outras histórias” não trata o tema pela ótica da escola de samba. “Conto a história a partir de seus personagens mais antigos e novos”, diz.

Preocupado em ressaltar que o audiovisual é apenas um recorte da história rica do samba no Acre, Augusto Diniz expõe que alguns personagens retratados no vídeo chamam a atenção dele. É o caso do cavaquinhista Romenigue Ribeiro e do percussionista Marino Ferrari Jr. “São pessoas simples, que tem o samba como meio de vida. Pelas urgências do dia a dia, poderiam ter se tornado outra coisa, mas optaram em colocar o samba a sua frente. São relatos desse tipo que me comovem”, afirma o jornalista.

O vídeo documentário teve edição do paulistano Ale Machado, profissional com gravação de trabalho com vários artistas de ponta do samba no país. O sambista acreano Anderson Liguth auxiliou na produção do audiovisual e o jornalista acreano Arison Jardim foi autor das filmagens do documentário.

FICHA TÉCNICA

Vídeo documentário “Samba no Acre: umas rodas e outras histórias” (tempo: 15min 53seg)

Lançamento: 18 de janeiro de 2019 no Youtube

Direção: Augusto Diniz | Edição: Ale Machado (Almas do Brasil Filmes)

Produção: Augusto Diniz e Anderson Liguth | Filmagens: Arison Jardim

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