A esperança, enfim, bateu à porta e veio em forma de vacina. O anúncio da eficácia da medicação do Instituto Butantan, a Coronavac, na última quinta-feira, 7, trouxe bons ares depois de meses de preocupação e incertezas diante do novo coronavírus, especialmente porque a notícia foi dada justamente no dia em que o Brasil chegou a 200 mil mortes pela doença.
A Covid-19 alterou a rotina das cidades acreanas. Desde março de 2020, o Estado mudou. A necessidade do isolamento social para evitar o contágio do novo coronavírus suspendeu atividades em geral. Aulas foram suspensas, o comércio foi fechado e o sistema público e privado passaram a trabalhar no sistema home office. O uso de máscaras e álcool gel tornaram-se indispensáveis também.

Apesar de todas essas medidas não se conseguiu evitar a propagação da doença no Estado. Os primeiros casos da Covid-19 foram confirmados em 17 de março, mesmo dia em que o governador Gladson Cameli declarou situação de emergência devido à pandemia.
Desde então mais de 43 mil pessoas já foram infectadas com o vírus. No geral, 122.091 notificações já foram registradas, sendo 78.155 descartadas.
Atualmente, 809 exames de RT-PCR seguem aguardando análise do Laboratório Central de Saúde Pública do Acre (Lacen) ou do Centro de Infectologia Charles Mérieux. Pelo menos 38.323 pessoas já receberam alta médica da doença, enquanto 119 pessoas seguem internadas.
No domingo, 10, de acordo com boletim da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), por meio do Departamento de Vigilância em Saúde (DVS), 219 casos de infecção por coronavírus foram registrados.
Duas notificações de óbitos também foram registradas, sendo um do sexo masculino e uma do sexo feminino. Com a atualização dos dados, o número de mortes pela doença subiu para 825 em todo o Estado.
Somente nos dez primeiros dias de 2021, 30 pessoas morreram vítimas da Covid-19 no Acre. Desse total, 20 das vítimas eram moradoras da capital acreana, Rio Branco. A média de óbitos no período ficou em três vítimas por dia.
Vacinação no Acre
A dona de casa Maria Lúcia Silva comemorou a notícia da vacina. Para ele, a vacina pode proporcionar a retomada de “dias normais”. “É um alívio saber que podemos vislumbrar voltar a uma rotina tranquila, sem se preocupar com esse vírus. Desde que a pandemia começou tenho ficado o máximo possível dentro de casa, mas tem momentos que não dá. Quando saímos vem logo a preocupação quanto a pegar essa doença. Viver nessa agonia não é saudável. Fico feliz que já nos próximos dias teremos o início da vacinação”.
Já a professora Roberta Pereira, ao comentar sobre a vacina, frisou que a notícia vem em um momento importante. “Acabamos de virar o ano e com ele sempre vem a esperança de dias melhores. O anúncio da vacina trouxe esperança de vida. Sem falar que a sociedade em geral poderá retomar sua rotina, claro que dentro de uma nova realidade. Mas, só saber que poderemos manter o contato físico sem nos preocuparmos em ficarmos doente já é algo considerável e digno de ser comemorado”.
Apesar das diversas menções positivas a Coronavac, ainda existem alguns acreanos relutantes. Parte da população teme que uma vacina criada de forma “rápida” possa trazer malefícios a saúde.
“Confesso que venho desejando essa notícia da vacina contra a Covid-19 há muito tempo, mas também sempre tive o receio do que poderia vir juntamente com ela. Tenho medo, sim, de que uma vacina feita com tanta pressa possa proporcionar efeitos colaterais graves”, disse o taxista Miguel Alves.
O governador Gladson Cameli (Progressista) já reforçou que o Estado dispõe de mais de R$ 100 milhões em recursos para a aquisição das vacinas contra o novo coronavírus. “Estamos prontos para comprar qualquer vacina que obedeça às normas da Organização Mundial da Saúde e da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]”.
“Estou me antecipando e fazendo tudo que é possível para que possamos adquirir as doses. Sou muito otimista e acredito que a vacinação aqui no Acre possa começar ainda este mês”, disse o governador.
O planejamento da campanha de vacinação já iniciou, segundo o chefe do Executivo, e que deverá ser iniciada ainda no mês de janeiro. Ele se reuniu no dia pote de janeiro com representantes do grupo AstraZêneca e negociou a aquisição de 500 mil doses do imunizante que combate o Covid-19. “Essas doses vão vacinar cerca de 230 mil pessoas”, garantiu.
As outras 700 mil doses da vacina serão adquiridas junto ao Instituto Butantan, no caso, a coronavac. “Será para vacinar 350 mil acreanos”, argumentou.
Ambas as vacinas, serão administradas em duas doses, com intervalos de 15 dias. O governo deverá investir R$1,4 milhões na aquisição do imunizante.
O governo planeja adquirir mais 1 milhão de seringas. Por meio da Rede de Frios, a capacidade de armazenamento também está sendo ampliada. Até mesmo as câmaras frigoríficas dos empreendimentos Peixes da Amazônia podem ser utilizadas para a conservação das vacinas.
“Não importa a origem da vacina, o que mais queremos é que ela seja eficaz contra o coronavírus e nos ajude a salvar vidas. Com muita fé em Deus, tenho certeza que vamos conseguir vacinar a nossa população e começar a virar essa página de uma vez por todas”, declarou Gladson.
Sobre a Coronovac
A CoronaVac, a vacina contra a Covid-19 foi desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, responsável por coordenar os testes de fase 3 da vacina no Brasil, que envolveu 16 centros de pesquisa clínica em sete estados e no Distrito Federal.
A CoronaVac usa vírus inativados. Esta técnica recorre a vírus que foram expostos em laboratório a calor e produtos químicos para não serem capazes de se reproduzir. Isso quer dizer que não há a presença do vírus Sars-Cov-2 vivo na solução, o que reduz os riscos deste tipo de imunização.
Um estudo publicado na revista científica “The Lancet” aponta que a vacina produzida pela Sinovac é segura. Os resultados tratam de estudos de fase 1 e 2 com 743 pacientes.
De acordo com os pesquisadores chineses, a CoronaVac não apresentou “nenhuma preocupação com relação à segurança”. A maioria das reações foram leves, sendo que a mais comum foi a dor no local da injeção. Nenhuma reação adversa mais grave foi relatada durante a fase 2, que teve participação apenas de voluntários chineses.
No Brasil, de cada cem voluntários vacinados com a CoronaVac que contraíram o vírus, 22 tiveram apenas sintomas leves, sem a necessidade de internação hospitalar, índice apresentado como de 78% de eficácia para casos leves, segundo o governo de SP.
Para redução de casos graves e moderados, o governo anunciou índice de eficácia de 100%, ou seja, não houve casos graves (incluindo mortes) e moderados entre os vacinados.
A proporção de pessoas vacinadas que, ainda assim, contraíram a Covid-19 não foi divulgada, ou seja, a eficácia geral da CoronaVac ainda é desconhecida. A falta da divulgação desse dado básico foi alvo de críticas, apesar dos números para casos leves e moderados ter sido considerado animador por especialistas.
Uso emergencial da vacina
Na sexta-feira, 8, foi enviado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o protocolo para o pedido emergencial de uso do imunizante no país e é referente às 6 milhões de doses que já chegaram prontas da China. Esta é a última etapa necessária para que a vacina seja autorizada para aplicação.
Segundo a Anvisa, o prazo para a análise do pedido de uso emergencial é de dez dias. Caso o pedido seja aprovado, a previsão do governo estadual é que a vacinação comece em São Paulo no dia 25 de janeiro para grupos prioritários.
De acordo com o Instituto Butantan, são necessárias duas doses da vacina para que a pessoa fique protegida contra o novo coronavírus. Entre a primeira e a segunda dose, deve haver um intervalo entre 14 e 28 dias. O cronograma estabelecido no plano estadual prevê um intervalo de 21 dias entre as duas aplicações. (MARCELA JANSEN)


?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>