Engana-se quem pensa que sempre foi assim e que sempre assim será. O mundo atual, em grande parte, divide-se em duas classes sociais (não as A, B, C, …). Uma, a classe que é dona do que se produz ou se vende; a outra, a que trabalha onde se produz ou se vende alguma coisa.
Dá para ver que as comunidades indígenas não funcionam assim, muito menos antes da chegada de Pedro Álvares Cabral e de Cristóvão Colombo. Pelo que se sabe, no Brasil os povos indígenas viveram no comunismo, como agora os ainda isolados. Tal sistema chamou-se de comunismo primitivo. Nele não existe a propriedade privada, mas a união entre os membros da sociedade organizada para a ajuda mútua, nas alegrias, nas tristezas, nas idas e vindas, na educação ou transferência do conhecimento de uma geração a outra.
Indígenas do México (os astecas), da Guatemala e regiões próximas (os maias), da parte ocidental entre norte e sul da América do Sul (os incas) viviam no feudalismo quando da chegada dos colonizadores espanhóis. Eles tinham imperador, nobreza, clero (no topo da sociedade) e os agricultores, artesãos e construtores (a classe de baixo). É de entender que chegaram a esse estágio após passarem pelo escravismo, pois sendo povos imperiais, guerreiros, escravizaram aqueles que derrotavam nas contendas de conquista. Depois se deram conta de que era melhor dar a “liberdade” à classe de baixo para continuarem sendo “escravos” a título de “servos da gleba”, que produziam, pagavam impostos e constituíam uma vantagem econômica, não sendo necessário se preocupar por eles.
Astecas, maias e incas são as principais denominações dos muitos povos indígenas daquelas regiões, dizimados junto com as particularidades das suas culturas, histórias e ciências. Da mesma forma eram numerosos os povos indígenas na América Central e ainda são na Venezuela, no Brasil, no Peru e na Bolívia, subsistindo depois de seis séculos de serem “descobertos”, mesmo sem estarem escondidos. Subsistiram pela proteção da floresta amazônica e da cordilheira dos Andes. E houvessem sobrevivido mais ainda, se o Brasil fosse apenas o pedaço entre o Atlântico e o meridiano 45 do hemisfério ocidental, como queriam Espanha e Portugal em 1494: um Brasil apenas composto pelo Nordeste, Minas Gerais (sem o Triangulo mineiro), Espírito Santo, Rio de Janeiro e Taubaté.
A história mostra em sequência de milhares de anos os estágios socioeconômicos vividos pela humanidade: comunismo primitivo, escravismo, feudalismo e capitalismo. Os três últimos são sinônimos de desigualdades sociais. E a história mostra esses mesmos estágios atualmente em diferentes partes do mundo.
O capitalismo é um sistema extraordinário, a partir do século XVIII o desenvolvimento da ciência e das tecnologias foi vertiginoso. A alimentação, a eletricidade, a vestimenta, o transporte aéreo, marítimo, submarino, terrestre e cósmico, os cuidados à saúde, a comunicação, o comércio, a convergência digital, os materiais mais leves e resistentes, os dispositivos mais inteligentes e miniaturizados, as artes (não só o cinema), os esportes, o conhecimento sobre o macrocosmos e o micromundo, em suma a modernidade e o contemporâneo devem muitíssimo ao capitalismo. Todas as áreas do conhecimento influenciaram a vida das pessoas. Parece como se fosse um Renascimento sem fim. Só um porém, o capitalismo tem gerado as desigualdades sociais, o desenvolvimento desigual, o neocolonialismo, as guerras por ganância dos recursos naturais, a destruição do meio ambiente e a ameaça de destruição do planeta.
O feudalismo foi importante na agricultura, nas construções, nos legados das religiões. O atraso dogmático que levou grandes ativistas à fogueira, não impediu o surgimento das universidades. O escravismo, um horror humanitário, teve a sua importância no sentido de aumento da necessária produção de excedentes para o comércio e a opulência dos de cima. O comunismo primitivo foi tão importante, que marca o retorno da humanidade aos seus princípios, não ao retrocesso temporal, mas às suas virtudes.
No passado um sistema socioeconômico deu passagem a outro; no futuro, o atual dará passagem ao que virá. Não importa o nome. Já, por exemplo, em alguns países da Europa observa-se civilização: as desigualdades entre os que ganham mais e os que ganham menos diminui, os parlamentares não tem privilégios, não existe aposentadoria de governador, a educação é de qualidade e para todos, a assistência à saúde é de qualidade e para todos, há trabalhos que se realizam onde o trabalhador assim o desejar (em um parque, na sua casa), a felicidade é um bem garantido, os indicadores de violência são extremamente reduzidos, há um cuidado com o nível de vida e o meio ambiente natural e construído. A esse tipo de sociedade ainda chamam de capitalista, mas não de capitalismo selvagem.
Além disso, dizem que no comunismo (ou como se chame a sociedade que vem depois do capitalismo) não vai existir, estado (polícia, exército, parlamento, executivo, judiciário), não vai existir o dinheiro, nem as fronteiras entre países, não vai existir isto é meu e isto é teu (como não existe entre os índios), todo mundo andará feliz e contente, não haverá buracos nas ruas, não existirá a família como a atual, pois todos serão família, os filhos serão de todos, todos serão irmãos, todos trabalharão para o bem comum: um adjunto da solidariedade. Homens e mulheres terão plena igualdade, só haverá felicidade, amor, trabalho para garantir a completa satisfação das necessidades materiais e espirituais. Uma beleza, quem viver, verá! Por enquanto, “Bom Xibom Bombom”.
Dr. Alejandro Fonseca Duarte
Professor Titular da Universidade Federal do Acre


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