Uma orquestra a favor da vida

Cámala Menezes*

Depois de dois dias longe da UTI do Into, ainda durmo ouvindo o barulho do respirador fazendo “Thu…tu…tuu…”.

Assim como as vezes ouço a agitação daqueles profissionais de saúde, comentando que “comeram em pé” ou só “engoli para vir dar comida pro leito tal”..

Eu passei esses dias lá dentro e vi uma verdadeira orquestra a favor da vida. Uns limpam, outros fazem os sinais vitais, outros aplicam medicamentos. Outros são psicólogos, amigos. Quando você ficava meio triste, para baixo, eles vinham com uma palavra amiga e bastava olhar mais de perto a testa franzida, um olhar na foto do celular… era o filho, o companheiro que estava em casa.

É um trabalho surreal. Confinados num pequeno ambiente, sincronizados. Intenso. Complexo. Agradeço a Deus pela vida deles. Desde o posto de Saúde Maria Barroso, na pessoa da Deugiane Batista, a doutora Geórgia, que fala duras verdades, mas ela tinha razão, até a zeladora que retirava o lixo e deixava o ambiente agradável. Ao fisioterapeuta Luis que olhou nos meus olhos, segurou minha mão e me acalmou na máscara de VNI.

Ao querido Dr. Alysson, atencioso, que mais parece um irmão mais velho, passando nos leitos antes das 7h da manhã. Me sinto extremamente grata. Pode não ser o que se espera, mas é o que temos como referência. Àqueles profissionais, meu muito obrigado.

* Professora e sobrevivente da Covid-19

Publicado em: Artigos
  • Fico feliz pela sua vida e Deus nos mostra que somos depende dele inclusivamente dele

  • Mais pura verdade amiga camala orquestra linda que faz canta e acalma mais não têm a valorização que merece mais o bom e que a população está percebendo quem rege e canta essa orquestra linda são os profissionais da saúde

  • Realmente precisamos louvar a Deus e pedir -he proteção e saúde por esses grandes profissionais, que estão na linha de frente contra este maldito covid 19, estive 3 dias com uma parente em um hospital acometida deste vírus e como foi importante o trabalho desses profissionais, no começo eles faziam as medicações, nos ajudava nas trocas até de fraldas até o momento que chegaram a pegar em nossas mãos e oraram pedindo milagre… Eles não andavam, eles corriam porque se andassem não dava conta de ajudar a salvar muitas vidas…

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