O engenheiro civil Gladson de Lima Cameli nasceu em Cruzeiro do Sul no dia 26 de março de 1978, completando 40 anos de idade em 2018, ano em que elegeu-se governador do Acre com 223.993 votos em primeiro turno. Essa vitória impôs à Frente Popular do Acre (FPA), agremiação comandada pelo PT, uma derrota histórica na disputa pelo Palácio Rio Branco. Gladson venceu o também engenheiro civil Marcus Alexandre, tornando o 18° governador do Estado do Acre.
Nos dias que antecederam a posse, e ao longo do dia 1°, muita gente passou pelo Palácio Rio Branco para ver a imensa estrutura montada para receber o novo governador do Acre.
O vendedor de picolés Francisco Alves de Souza, por exemplo, chegou bem cedo para marcar seu lugar no pátio do Palácio. “Vim com o carrinho lotado. Espero vender bem e torço para que o governo seja bom para o Acre”, disse Francisco, que estava em frente ao Palácio Rio Branco às 10 horas.
Segundo consta, Gladson cumpre a promessa que fez para sua mãe, dona Linda Cameli, de que um dia seria governador do Acre. Ele tomou gosto com a política com o tio, o falecido governador Orleir Cameli, conhecido em Cruzeiro do Sul como o Barão do Juruá.
Apesar de não muito longa, a vida política de Gladson Cameli é agitada. Membro do Conselho Municipal da Juventude, estreou na vida pública aos 28 anos quando eleito pela primeira vez para o mandato de deputado federal com 18.886 votos. Eleito pela segunda vez deputado nas eleições em 2010, com mais de 30 mil votos. Nesse tempo ele era coligado à Frente Popular do Acre e apoiava o PT. Em outubro de 2009, foi condecorado com o Título de Cidadão Rio Branquense pela Câmara Municipal de Rio Branco.
A posse de Gladson devolve à cena política personagens folclóricos como o popular Roberto Carlos do Palheiral, uma dos mais antigos militantes do Progressistas, partido de Gladson, no Acre. “Muito feliz com o Gladson”, comemorou Roberto Carlos.

O militante acompanha desde sempre a trajetória de Gladson. Em 2009, ainda como deputado destinou verbas de suas emendas individuais para a construção da nova sede da Câmara dos Vereadores de Rio Branco. Ele também esteve entre os que votaram, naquele ano, a favor da Proposta de Emenda Constitucional que aumentava o número de vereadores nas câmaras municipais.
Foi filiado ao PFL durante (2000-2003) e ao PPS durante (2003-2005). É filiado ao PP desde 2005 permanecendo até os dias atuais. Nas eleições estaduais de 2014 elegeu-se senador pelo Acre. Na Câmara dos Deputados, foi considerado por dois anos consecutivos, o campeão em liberação de recursos e emendas. Ele também apresentou projetos de lei importantes como a obrigatoriedade da instalação de câmeras de segurança nas escolas públicas. Foi relator do projeto da Zona de Processamento de Exportação. Foi presidente da Comissão da Amazônia, integrou a Comissão de Constituição e Justiça, uma das mais importantes do Congresso. “Serei o governador de todos”, repete, como um mantra, o ex-senador.
Tião Viana e Socorro Neri não foram à posse. O prefeito em exercício de Rio Branco, Antonio Morais, esteve participando do evento. O Chefe da Casa Civil da Prefeitura de Rio Branco, Márcio Oliveira, representou a prefeita Socorro Neri.
Gladson tem no tio falecido a inspiração para a política
Além de Linda Cameli, outra pessoa muito próxima de Gladson fez um pedido especial para ele: Dona Beth Cameli, como é conhecida a ex-primeira dama do Acre, conversou com o sobrinho e pediu um governo transparente, mas com a contrapartida da transparência de toda a população. “Todos ajudando, sendo transparentes, será um governo bom”, disse Beth Cameli.
Orleir é a grande inspiração política de Gladson. Ela lembra que Gladson reunia primos e irmãos, subia na cama e fazia discurso – um mise-en-scéne do político no palanque. “Ele fazia o pessoal aplaudir depois. Gladson ficava dizendo: eu também vou ser governador”, lembrou dona Beth, que cita Orleir como “meu saudoso marido” e que Gladson se vestia como o tio na tentativa de imitá-lo.
Orleir foi prefeito de Cruzeiro do Sul de 1993 a 1995, e governador do Acre de 1995 a 1999. No começo da carreira do tio, Gladson era um adolescente de pouco mais de 14 anos. Orleir faleceu sem integrar o Acre, como prometeu e sonhou. Duas décadas depois, o sobrinho que tanto admira o tio tem a oportunidade de refazer esse caminho.


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