As aspas acima definem bem o que cada profissional de comunicação no Acre sentiu ao saber repentinamente, na terça-feira, 9, que o major Cláudio Falcão, do Corpo de Bombeiros Militar do Acre, deixará a assessoria de comunicação da instituição. A tristeza não veio somente por saber que essa é uma decisão contrária a vontade do major, deixada clara por ele no comunicado aos colegas, mas também por se perder um exímio profissional da área.
Falcão é daqueles raros que o jornalismo concebe e os jornalistas têm a oportunidade de trabalhar. Prestativo, incansável e dedicado, o major assessor sempre fez o que esteve a seu alcance, e incontáveis vezes o que estava fora dele, para facilitar o trabalho dos colegas. E não porque era sua obrigação. Além de ser apaixonado pelo que há anos fez com destreza, ele sempre pensou em ajudar a população acreana com a boa informação nas diversas situações.
Procure em qualquer jornal impresso, portal de notícias ou emissora de tevê uma matéria relacionada ao Corpo de Bombeiros sem as falas explicativas e dadas de bons grados de Falcão. Impossível, você falhará miseravelmente. Mais do que fazer a ponte entre os meios de comunicação e a instituição, Falcão aproximou a corporação militar da população do estado e mostrou que as ações dos Bombeiros ultrapassam o velho estereótipo incêndio/alagação.
Para o major assessor nunca houve tempo ruim. Não há nenhum colega da imprensa que tenha o que reclamar quando precisou de alguma informação, que ele sempre se esforçou para dar. Das participações ao vivo durante muitas madrugadas nos programas da Rede Amazônica Acre até o retorno telefônico após as 21h, Falcão nunca fugiu da sua missão e sempre atendeu de bom grado os inconvenientes contatos dos colegas fora de ocasião.
São características raras e difíceis de encontrar na maioria das pessoas que já foram responsáveis por assessorias, o governo passado que o diga. É natural a troca de peças num novo governo para melhorar o jogo e ter bons resultados. Oficialmente, o Corpo de Bombeiros justificou que Falcão ocupará a direção do Colégio Militar Dom Pedro II, já que é educador de formação. Mas como bem lembraram os colegas, “não se meche em time que tá ganhando”.
Ao ser informado que a notícia causou um alvoroço unânime entre os comunicadores do Acre, que inconformados não aceitam de bom grado a decisão, o comandante-geral do Corpo de Bombeiros explicou que o remanejo de Falcão para o Colégio Militar foi feito por “ele ser bom em tudo que faz”. O militar foi certeiro ao reverberar as competências do major assessor e deu um fio de esperança aos inconformados com um curto e direto “isso pode ser revisto”.
De alguma maneira, o Comando-Geral está ciente da falta que o major Cláudio Falcão fará aos profissionais da imprensa e, principalmente, a população, que mais no que nunca precisa de informações bem apuradas, processo que o major sempre facilitou a repórteres, produtores e qualquer pessoa que precisasse dele. A tristeza do militar ficou evidente nas suas palavras de despedida aos colegas ao comunicar a decisão que acabara de receber.
A expectativa é de que o Comando-Geral e o Governo do Estado considerem a posição dos profissionais de imprensa e reavaliem e decisão de tirar do major Falcão o que ele mais ama fazer na vida. Para nós, profissionais da imprensa, fica uma frase dita pelo major quando fiz meus agradecimentos pelo excelente trabalho que ele desenvolveu durante anos a fio…
“Tristeza é meu nome agora”.
*Luan Cesar é jornalista


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