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domingo, 28 de junho de 2026
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Tombo da Bolsa de Valores pode afetar preço do combustível em postos, diz economista


GUILHERME LIMES


O preço do dólar chegou ao patamar de R$ 4,79 com a queda histórica de 12% da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a maior do Brasil. Com isso, o custo do barril de petróleo teve uma queda superior a 20% das ações de investimento. A oscilação de baixa foi ocasionada pela divergência entre Arábia Saudita e Rússia. Sem esquecer de mencionar o quanto o cenário proporcionado pelo coronavírus vem afetando na mesma proporção a economia mundial, um economista acreano aponta que o tombo da Bovespa pode afetar o preço dos combustíveis nos postos de todo o país.


De acordo com doutor em Economia e professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Rubiscleis Gomes da Silva, a presença do coronavírus afeta a economia, devido a paralisação de setores industriais no mundo todo, e a demanda de petróleo. “Por exemplo, a China fabrica peças para o iPhone. Então, em determinadas regiões do mundo que fabricam o iPhone, não estão mais tendo peças de reposição. E assim o conjunto de outras mercadorias. Isso significa, em última instância, que aquela perspectiva de produção e faturamento que um conjunto de empresas possui pelo mundo não se realiza.

Com menos produção, menor demanda de petróleo; com menor demanda de petróleo, se há menos produção, ela cairá naturalmente”, explica o doutor.


Arábia Saudita versus Rússia
Devido a redução da demanda de petróleo no mundo ocasionado pelo coronavírus, o cenário econômico teve de buscar uma nova solução para o impasse. A Arábia Saudita, por ser a maior fornecedora da matéria prima para fabricação de combustíveis como gasolina e querosene, resolveu apresentar uma proposta para Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), de uma redução na oferta a nível global, para que o preço possa se elevar. A Rússia, por outro lado, resolveu negar a ideia e disse que prefere que oferta de petróleo seja elevada.


Assim, ambos, mesmo não estabelecendo um acordo, seguiram suas propostas adotadas. A Arábia Saudita resolveu acelerar a produção e reduzir a oferta. Já a Rússia resolveu elevar o valor dos barris e acelerar a produção por dia. Corroborando para que o valor dos barris de petróleo se elevem em uma grandiosa proporção afetando poucos países. Segundo Silva, é complexa a situação de sobrevivência dos países com o petróleo chegando a U$ 30 por unidade.


Cenário mundial tombado
As bolsas de valores já estavam afetadas em função da redução de crescimento da economia mundial. Com o agravamento do coronavírus e da queda no preço do petróleo, a crise ficou ainda mais forte. “Então, o que os investidores fazem? Começam a sacar dinheiro dessas companhias para procurarem ativos mais seguros. E quais são os ativos mais seguros? Temos dois: o ouro e o dólar. Se você pegar o preço da cotação do ouro, ele está subindo. Isso indica o quê? Que mais pessoas estão comprando ouro pelo mundo. Pegando o preço da cotação do dólar, ele faz tudo. Tem em todos os mercados. Não única e exclusivamente no Brasil. Ou seja, os investidores estão atrás de segurança.”, explica o economista.


Gasolina irá aumentar?
Não é possível realizar este tipo de previsão a curto prazo, “a economia está muito precoce”, afirma o professor. Esta guerra de preços pode trazer um prejuízo a um conjunto de países, pois poucos países serão afetados com o valor do petróleo. “Isso vai chegar ao consumidor? A redução do preço do petróleo no mercado internacional na bomba de combustíveis pode chegar aqui no Acre. O que quero dizer com isso? Se o preço do petróleo chegar a cair em 10%, no máximo o preço da gasolina aqui no Acre vai cair uns 2%, 3%.”, explicou o Rubiscleis.