O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que a greve na Universidade de São Paulo (USP) deve ser tratada diretamente pela reitoria da instituição. A declaração foi dada durante agenda pública realizada na capital paulista, em meio à paralisação estudantil iniciada em abril.
Segundo o governador, a USP possui autonomia administrativa e financeira para conduzir negociações e definir prioridades orçamentárias. Tarcísio destacou que cabe à gestão da universidade decidir como os recursos serão utilizados para atender as demandas apresentadas pelos estudantes e professores.
“Acredito na autonomia universitária e na capacidade da reitoria de resolver essa situação”, afirmou o governador ao comentar o movimento grevista.
A paralisação reúne reivindicações ligadas principalmente à assistência estudantil. Entre os principais pedidos dos alunos estão melhorias nas moradias do Crusp (Conjunto Residencial da USP), reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Papfe) e mudanças nos restaurantes universitários, conhecidos como bandejões.
Durante a entrevista, Tarcísio reconheceu que as reivindicações possuem legitimidade, especialmente em relação às condições de moradia e alimentação oferecidas aos estudantes.
O governador também ressaltou que a universidade possui orçamento elevado para 2026. Segundo ele, a USP conta atualmente com cerca de R$ 9,4 bilhões previstos em caixa, o que permitiria à administração promover investimentos e melhorias internas.
A greve na USP começou em 14 de abril e mobiliza estudantes em diferentes campi da universidade. Os manifestantes denunciam problemas estruturais recorrentes nas moradias estudantis, dificuldades relacionadas à permanência universitária e questionamentos sobre a qualidade da alimentação servida nos restaurantes da instituição.
Em resposta às críticas, a reitoria informou que os restaurantes universitários passam por fiscalização sanitária e acompanhamento nutricional contínuo. A administração também afirmou que já iniciou medidas para ampliar o número de refeições oferecidas e realizar melhorias estruturais no Crusp.
Nas últimas semanas, atos, assembleias e manifestações foram realizados dentro da universidade, aumentando a pressão sobre a gestão da instituição para avanço das negociações com os estudantes.


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