Quando a fé remove as montanhas da recuperação

Conheça o trabalho das missões evangélicas dentro do Sistema Socioeducativo

Quarenta jovens convertidos à Igreja Evangélica, em Rio Banco, num universo de 755 adolescentes que cumprem medidas socioeducativas em todo o estado. O que parece ser uma ação de formiguinha, na verdade é o que menos importa quando os esforços são pelo bem comum, o de reinserir esses meninos ao convívio social saudável, além dos muros do Instituto Socioeducativo do Estado do Acre (ISE).

Segmentos que lidam com a questão do menor reeducando não avaliam números, mas resultados individuais, como de extrema importância para a sociedade, pois cada jovem convertido representa um impacto positivo junto a pelo menos outras 50 pessoas do seu convívio familiar, e entre amigos.

Diretor Rogerio SilvaAo trocar a criminalidade pelos princípios cristãos, a ideia e a de que o adolescente não vai mais gerar comportamentos negativos, seja sendo aliciado pelo tráfico de drogas, seja cometendo assaltos e homicídio, ou se integrando a facções criminosas.

“O resultado positivo se dá também no organismo social como um todo, já que é um indivíduo cometendo crime a menos nas ruas”, explica o presidente do ISE, Rogério Silva (foto). Portanto, na ressocialização do menor, fazer valer ações que colaborem positivamente será a prioridade na nova gestão do Instituto.

São ações pensadas sempre como necessidades urgentes, uma vez que os jovens só cumprem essas medidas por no máximo três anos, além do que indicativos apontam que na maioria dos casos, eles retornam para as ruas ainda piores.

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Assistência normatizada

Dentro dessa linha, o Instituto conta com a assistência religiosa voluntária, ministrada pela igreja evangélica Assembleia de Deus e pela Universal, e que tem alcançado, cada vez mais, menores internos de todo o estado.

A própria igreja interessada em prestar essa assistência que ocorre de forma semanal e sistemática, procura, por meio de oficio devidamente assinado pelo pastor-presidente, a coordenação do ISE.

Se devidamente aprovada, a equipe evangélica recebe um curso de segurança, bem como sobre toda temática envolvendo a ressocialização com ênfase sobre o bom relacionamento social, questões familiares e tudo que é regulamentado pela Lei.

Essa assistência religiosa é oferecida em todos os núcleos do Instituto Socioeducativo, sendo quatro em Rio Branco, um em Sena Madureira, outro em Feijó, um em Cruzeiro e em Brasileia. A evolução, no bom comportamento do reeducando, e o entrosamento com a equipe evangélica resulta em diversas atividades sociais, recreativas e profissionalizantes, todas devidamente autorizadas pelo Juizado da Infância e da Juventude.

Todos os menores em medidas socioeducativas podem participar de forma voluntária, mas com acompanhamento individual somente quando o menor manifesta interesse, assim como seus familiares.

O presidente do ISE, Rogério Silva, reconhece o sucesso do trabalho evangélico e defende a necessidade de envolver cada vez mais organismos religiosos, independente de credo ou de denominação, nessa ação de cunho social, classificada por ele como indispensável.

“A ação religiosa está nas prioridades da nossa gestão de governo, casadas com outras que possam trazer a iniciativa privada, gerando postos de trabalho para os reeducandos”, ressalta Silva.

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Resgate familiar

O pastor Nonato Veras (foto abaixo) se orgulha da ação missionária ministrada há 15 anos junto aos presídios, com ênfase pra o trabalho voltado aos jovens em conflito com a lei, sobretudo porque o acompanhamento leva à reconstrução familiar.

Veras destaca ser gratificante quando ocorre a transformação familiar, com a conversão de todos, já que existem casos em que a própria família estimula o menor a participar do crime por ser esta a fonte de renda fácil e rápida para todos os membros.

Segundo explica o pastor, o acompanhamento religioso vai muito além dos ensinamentos bíblicos.

“Na verdade, nos tornamos parte da família também. Nós auxiliamos com doação de alimentos, com roupas, e muitas vezes, no auxílio com saúde”, explica Veras.

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Crime ou conversão

O pastor Bruno Santana tem experiência em ações missionárias em estados como o Rio de Janeiro, por exemplo. Ele destaca que no Acre existe uma situação que não ocorre, por exemplo, em grandes centros de muita tensão criminosa.

“Aqui tem o atípico”, afirma Santana. Em que o jovem faccionado só tem o direito de deixar a organização criminosa e continuar vivo se estiver convertido, mesmo assim precisa comprovar que está sendo acompanhado por um pastor.

“Curioso é que não basta só a palavra. Ainda é preciso gravar um vídeo, devidamente acompanhado do pastor e enviar esse vídeo aos chefes das organizações criminosas”, ressalta o pastor.

Santana afirma que, somente em 2018, pelo menos dez jovens que receberam o acompanhamento religioso largaram o crime e hoje estão, de fato, ressocializados e inseridos em atividade produtiva legal, alguns inclusive nas obras da Igreja.

A equipe do pastor Bruno ministra acompanhamento religioso para 70 adolescentes reeducandos, sendo que 30 deles ainda estão internos, mas já conquistaram o direito de ficarem numa ala oferecida pelo ISE aos convertidos ao evangelho.

“Nesse caso, a ação religiosa é uma contribuição para a Segurança Pública, pois é um criminoso a menos nas ruas causando danos à sociedade”, pontua Bruno.

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Antes medo, agora tranquilidade

O grupo de cinco jovens com idades variando de 15 a 17 anos, que estão recebendo acompanhamento religioso individual destacou que o sossego de uma vida tranquila é uma realidade de sonhos, pois antes sempre inseguros e assustados.

Os temores, segundo eles, eram de serem alvejados por facções rivais, serem reconhecidos por alguma vítima, que a família fosse atingida por causa dos seus crimes e ainda a caçada policial a eles pela prática de crimes como homicídio, assalto, latrocínio, tráfico e associação criminosa faccionada.

Outro ponto comum que destacaram era a falta de esperança de mudanças em suas vidas criminosas, para que se livrassem de conflitos familiares, conflitos com facções rivais e conflitos sociais generalizados.

“É como renascer, dormir tranquilo, não ter conflito nem com os meninos internos que eram de outras facções e por isso não podíamos ficar juntos mesmo aqui dentro “, comemora P.J.

“Não fazer mais meus familiares sofrerem, estar em comunhão com eles, com a igreja é uma realidade que encontrei na minha nova vida em Cristo”, declarou A.D.

“Hoje é possível sonhar com o futuro e depois que eu cumprir o que determina a Lei, por ter cometido crimes tão graves eu pretendo trabalhar na obra de Deus e ajudar salvar outros jovens também”, garantiu M.J.

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Fé e trabalho

Mauri Ferreira de Souza, 18 anos, exibe numa das mãos sua Carteira de Trabalho assinada pela primeira vez e na outra a Bíblia, cuja leitura diária faz parte de sua nova filosofia de vida, desde que se converteu a igreja evangélica, enquanto cumpria medida socioeducativa no ISE por quase um ano.

O trabalho, um verdadeiro milagre resultante de sua fé, conforme enumera Mauri, pois avalia que até pra um jovem comum não é tão fácil conseguir trabalho. Se for reeducando é praticamente impossível.

“Se a entrega pra Cristo for verdadeira e com fé o impassível Deus faz acontecer, pois fez na minha vida”, reconheceu.

A rotina de Mauri inclui expediente diário de trabalho, frequência nos cultos e programação recreativa com jovens da igreja.

“Meu sonho é que meu testemunho de conversão e fé possa livrar outros jovens da criminalidade e que Deus use mais empresários para dar oportunidade de trabalho a outros jovens, combatendo assim o drama da criminalidade”, defendeu.

Painel Fonte da Vida

Uma das mais belas obras de arte de Rio Branco é praticamente desconhecida dos acreanos, apesar de ser grande, estar ao ar livre e ser bem-exposta. Os que a conhecem, com raras exceções, desconhecem sua história e seus autores. Trata-se do painel Fonte da Vida, inaugurado em 1991, no governo de Édson Cadaxo. A obra tem por objetivo retratar a história da captação da água para o consumo na história do Acre.

Ele destaca, em fases, uma índia que pega água em cuias em um lago qualquer. Essa seria a fase primitiva, quando os povos da floresta bebiam as águas puras dos rios, igarapés e lagos abundantes em toda a Amazônia.

Em seguida, vem um seringueiro, que usa as famosas latas de querosene para levar água da fonte até o seu habitat. Era assim que se abastecia as colocações de seringa e os barracões onde residiam os grandes seringalistas. Tudo feito de forma manual.

A terceira fase já mostra uma bela mulher carregando água em um pote de barro. Essa fase já é mais urbana, quando os primeiros moradores das cidades do Acre também tinham que transportar a água em recipientes diversos, já que não havia a captação e distribuição na forma como se conhece hoje.

A parte final retrata o trabalho de execução das obras de saneamento básico, com operários implantando tubos sob a superfície das ruas, mostra o trabalho dos engenheiros e, em um segundo plano, mas com bom destaque, mostra os reservatórios elevados que eram a atração na cidade naquela época.

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Obra reforçada, feita para durar

O painel é, sem dúvida, uma das maiores obras de arte do Acre. Tem 20 metros de comprimento por seis de altura e está localizado na parede externa do reservatório de água do Palheiral, na rua A, próximo à ladeira do Bola Preta.

Foi construído em alto-relevo com concreto e argamassa quimicamente reforçada. Por baixo de tudo isso, está uma malha de aço e pinos que garantem sua fixação na parede do reservatório.

“Foi uma obra muito reforçada. Esses pinos que nós usamos e a malha de aço devem garantir que o painel permaneça firme no local por muitos anos”, explicou o artista plástico Ulisses Sanches, um dos quatro artesões que trabalharam durante 75 dias no painel. Junto com ele estavam também Péricles Silva, Pedro Duarte (Pedro Art) e Joaquim Mota. “E o que se pode notar é que esse método foi eficiente, pois o painel está inteiro, necessitando apenas de uma boa limpeza e alguns retoques, mas nada significante”, completou.

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Um emocionante reencontro

Na última terça-feira, 15, Ulisses visitou o painel que ajudou a construir no início dos anos de 1990. Ele não escondeu a emoção ao falar sobre o trabalho, ao reencontrar moradores do local e ao lembrar da importância do para a cidade de Rio Branco naqueles anos em que o Estado valorizava mais os artistas e suas obras.

“Naquele tempo os artistas eram muito mais valorizados. A gente conseguia viver de arte, mas agora temos que ter alguma atividade paralela para conseguir sobreviver”, lamentou Ulisses.

O coordenador do trabalho foi Péricles Silva. De acordo com Ulisses, ele não está mais no Acre. Reside agora no Nordeste. Além dos três colegas artistas plásticos, Péricles também contratou outros operários, um total de 12. Todos homens que tinham algum conhecimento em trabalhos complexos como esse.

“O Péricles fez uma pequena maquete da obra e, com base nela, a gente ia avançando no trabalho.”

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Obra inaugurada em março de 1991

Depois dos 75 dias de trabalho, o painel Fonte da Vida foi inaugurado no dia 14 de março de 1991, durante o governo de Édson Cadaxo. Mas ele é apenas a cereja do bolo de uma série de obras de saneamento em Rio Branco, que inclui diversos reservatórios de água que chamam à atenção por serem elevados, os chamados cogumelos. Eles foram iniciados no governo do atual deputado federal Flaviano Melo. Ao todo, são três instalados na região do Palheiral, Calafate e Adalberto Sena. Foram feitos para acumular a água já tratada e facilitar a distribuição para os consumidores através de gravidade.

No dia da inauguração, o jornal A Gazeta fez matéria de página inteira falando sobre o painel. Nela, além de fotos dos artistas e trabalhadores, aparece o depoimento do seu principal executor, Péricles Silva.

“Entendo que seja importante a decoração e o embelezamento dos prédios públicos. A beleza visual faz com que qualquer monumento torne-se simpático aos olhos da população”, disse Péricles naquela reportagem.

A matéria dizia ainda que “Para Joaquim Mota, o que chama mais atenção no trabalho artesanal que realizaram é justamente as formas sincronizadas quem encontram-se em harmonia, além da temática abordada que versa sobre o precioso líquido que o homem rio-branquense utiliza diariamente”.

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O vizinho que acompanhou todo o trabalho

28 anos atrás, quando os artistas e operários iniciavam a obra do painel Fonte da Vida, o jovem Pedro de Moura Ferreira, então com pouco mais de 20 anos, observava curioso tentando entender o que se dava do outro lado da rua, em frente à sua casa. Ele já tinha visto toda a obra do reservatório e acreditava já está concluso. Não imaginava que faltava o toque final, o grande painel.

“Eu acompanhei tudo e fiz amizade com todos eles. Achei interessante a forma como trabalhavam e fiquei encantado com o resultado de todo esse trabalho”, relatou Pedro.

Ao rever Ulisses na terça-feira, Pedro o reconheceu de longe e se apressou para cumprimenta-lo. Pedro o levou à sua casa e o apresentou para os amigos presentes e os parentes que não haviam acompanhado a obra.

“Eu conto sempre pra todo mundo que vem aqui como foi que eles fizeram isso. Faço questão de falar porque nem todos conhecem, nem todos eram nascidos quando esse painel foi inaugurado”, destacou.

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Cartão postal abandonado

Pedro Moura só lamenta que aquela bela obra, um belo cartão postal de Rio Branco, seja praticamente desconhecido dos acreanos. Disse entristecido por ver que o próprio governo do Estado não tem valorizado a obra. Ele reclama que o painel está sujo e mal iluminado, necessitando de uma revitalização.

“Poderiam fazer uma boa limpeza, jogar uma água, botar umas boas luzes para que todos vejam durante a noite. Acho que isso não sairia caro e poderia dar uma vida nova nessa região da cidade”, sugeriu Pedro.

Ulisses também defende uma revitalização aos moldes do sugerido por Pedro Moura, mas vai adiante sugerindo que o painel poderia ser colorizado, dando mais vida à toda a temática. Ele espera que as autoridades voltem seus olhos para a obra e escutem as sugestões da comunidade, destinando recursos para a sua revitalização.

A matéria publicada pelo jornal A Gazeta cita um convênio entre a Empresa de Saneamento do Acre (Sanacre), responsável pelo saneamento básico no Estado à época, e a Fundação Cultural do Acre, atual Fundação Elias Mansour, para a “manutenção da obra artística no sentido que a mesma seja guardada por todos, protegida das intempéries e preservada da depredação dos vândalos”.

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Quem é o homem que habita os quiosques do parque Tucumã?

Conheça o mineiro Joel Carlos, um ex-atleta de futebol que veio parar no Acre há quase 30 anos e se transformou em mais um morador de rua em Rio Branco

Quem frequenta o parque do Tucumã todos os dias se depara sempre com uma estrutura armada em algum quiosque ao longo da pista de caminhada. Trata-se de uma lona plástica preta, algumas roupas velhas sujas e rasgadas, revistas, restos de comida e uma Bíblia já em péssimo estado.

Pois é ali que reside mineiro Joel Carlos dos Santos. Aliás, todo o parque e algumas paradas de ônibus nas proximidades viraram sua casa. A lona e os demais objetos são transferidos constantemente: ora está no final do parque, ora está no meio; ora está numa ponta, ora está em outra. E assim, o seu quarto sempre tem uma localização diferente.

Na manhã da última quinta-feira, 10, o quiosque escolhido era um localizado bem no meio do parque, naquela região que fica em frente às quadras da Universidade Federal do Acre (Ufac), próximo à primeira entrada do conjunto Tucumã. Joel dormia em outro local, mais especificamente na parada de ônibus localizada em frente ao Conselho Regional de Medicina e Faculdade da Amazônia Ocidental (Faao), na estrada Dias Martins, cerca de 500 metros do quiosque que agora habita.

Era cerca de 7h30 quando a reportagem o encontro deitado no banco da parada, protegido por um cobertor fino e um guarda-sol colorido. Quando abordado, levantou-se para um bom dia e um aperto de mão. Parecia sonolento, mas, educadamente, concordou em conceder uma entrevista.

O homem disse ter 52 anos. Os dentes inferiores estragados, os cabelos brancos e a barba grande faziam-no parecer ter bem mais idade. Não é de se estranhar isso, pois Joel é cardíaco e usa um marca-passo que exibe quase saltando do peito.

“Eu tinha arritmia cardíaca. Daí, enfartei três vezes, foi quando os médicos colocaram esse marca-passo”, contou Joel.

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Joel Carlos perdeu a aposentadoria e foi parar na rua

A história de Joel Carlos é longa, mas interessante. Merece ser compartilhada. Ele contou que está no Acre há 29 anos. Ele morava na vila Hortigranjeira, localizada na BR-317, no município de Capixaba. Sobrevivia de uma aposentadoria de um salário mínimo que recebia do INSS devido à sua condição de cardíaco. Mas o benefício foi suspenso e ele ficou sem ter como se manter, pagar aluguel, alimentação e outros itens básicos de subsistência.

“Eu vim pra rua, mas não é porque a gente gosta, é por conta da nossa situação”, explicou. “Mas a gente não pode culpar as autoridades e ao governo, não senhor! Ás vezes, a gente é o culpado”, completou Joel sempre referindo a si na terceira pessoa.

Joel não falou sobre a tal culpa que diz ter, mas não esconde que já foi alcoólatra. Porém, nega ser usuário de outros tipos de drogas.

Acabou morando em Rio Branco justamente porque veio para a capital tentar resolver o problema com a aposentadoria. Alega que não teve como voltar.

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Joel 3Joel, o futebolista

A conversa de Joel Carlos é reta e sóbria. Ele parece ter sido alguém que teve um convívio social intenso e uma boa formação escolar e cultural. Apesar de não ter revelado sua escolaridade, contou que já atuou no futebol quando jovem. Não seguiu a profissão justamente por conta dos problemas cardíacos.

Em sua cidade natal, Governador Valadares, na região do Vale do Rio Doce, foi titular do Democrata. Em São Paulo, jogou no Ituano, de Itu, e no Ituano de Campinas. Mas, também, disse ter beliscado os grandes times do Rio e São Paulo, onde fez testes no Botafogo, Fluminense, entre outros.

Na época, disse ter conhecido muitos famosos, muitas celebridades do futebol e do mundo artístico.

‘Perdi minha bolinha’

Joel não tem mais aposentadoria, não tem emprego e muito menos um salário. Mas ele ganha uma graninha, de vez em quando, fazendo uso das habilidades que adquiriu como jogador de futebol. Ele faz embaixadinhas para os frequentadores do parque e, em troca, rola sempre algumas moedas. Mas ele perdeu a bola que usava para as apresentações.

“Eu perdi minha bolinha. Não sei que fim ela levou. Agora estou sem ter como fazer as embaixadinhas”, lamentou o ex-atleta.

Ele agora espera que alguém de bom coração faça a doação de uma bola do tipo futebol de salão e promete recompensar muito bem aquele que lhe ajudar.

“Quando eu ganhar a bola, vou ficar muito grato e vou fazer quinhentas embaixadinhas para essa pessoa.”

Vivendo de doações

Almoço, janta e café da manhã Joel tem graças às doações que recebe. E diz que se sente muito grato a aqueles que o ajudam todos os dias.
“Eu recebo ajuda dos vigilantes da Ufac, das pessoas que caminham no parque, do pessoal do comércio aqui de perto e de muita gente boa. E eu quero aproveitar para agradecer muito por tudo isso que recebo.”

Joel Maria Jose

Mais um invisível

Joel Carlos é visto, mas não é notado. Ele é como outros tantos que vivem à margem do convívio social em praças, parques, pontes e viadutos das cidades brasileiras. As pessoas passam por ele e o olham com indiferença, muitas vezes até com repulsa. Mas Joel não é nenhum bandido ou ser perigoso que incite esse tipo de sentimento. É apenas mais um desafortunado que acabou nas ruas por um ou outro motivo qualquer.

Mas ainda existem pessoas no mundo que não são indiferentes. A funcionária pública aposentada Maria José Martins de Oliveira (foto) parecer ser uma. Na manhã de quinta-feira ela disse estar surpresa em não ver Joel naquele quiosque do parque. Disse estar preocupada, pois é comum encontra-lo ali todas as manhãs.

“Estou achando estranho que ele não esteja aqui hoje. O que terá lhe acontecido?”, indagou Maria.

A mulher disse que, todos os dias, passam por ali centenas de pessoas, mas que poucos demonstram alguma empatia para com Joel.

“Eu tenho uma casinha que está desocupada. Até já pensei em oferecer para ele. Não o fiz ainda por saber pouco a seu respeito. Mas sinto que posso ajuda-lo de alguma forma”, revelou Maria José emocionada.

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Joel recusa apoio da prefeitura

Para a prefeitura de Rio Branco, Joel não é invisível. Aliás, ele vem sendo monitorado pelas ruas da capital desde o ano de 2015 pela Secretaria Municipal de Cidadania e Assistência Social (Semcas). Desde que ele se instalou no parque, a instituição já fez diversas tentativa de ajuda-lo. Segundo a secretária Dora Araújo, o homem se mostra sempre muito arredio e se nega a aceitar a ajuda oferecida pelos técnicos da instituição.

Dora acredita que Joel se acostumou com a vida na rua, especialmente no parque do Tucumã, onde recebe alimentação e outros donativos ofertados pelos frequentadores do local e por alunos da Ufac.

“A nossa equipe de abordagem social tem buscado um vínculo com o senhor Joel para lhe ofertar os nossos serviços. Mas ele não aceita o nosso contato. Gostaríamos de oferecer a ele o nosso centro de acolhimento, o Centro Pop, que recebe essa população de rua constantemente. Lá, ele poderia tomar café, lavar roupas e receber o apoio dos nossos técnicos que estão lá para fazer esse tipo de atendimento”, explicou Dora.

Toffoli autoriza cárcere especial para Pezão após fim de mandato

Governador iria para presídio comum em janeiro

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, poderá permanecer preso em um Batalhão da Polícia Militar no próximo ano, mesmo após concluir o mandato. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, atendeu ao pedido da defesa e autorizou o cárcere especial para o governador, que iria para um presídio comum em janeiro.

Segundo a defesa de Pezão, a permanência do governador no Batalhão Especial Prisional da Polícia Militar, em Niterói, é necessária para evitar riscos à integridade física de Pezão. Os advogados também haviam pedido a soltura do governador, mas Toffoli, que está de plantão no STF durante o recesso do Judiciário, negou a libertação. A partirde fevereiro, quando o Supremo retoma os trabalhos, o processo de Pezão volta para o relator, ministro Alexandre de Moraes.

Preso em novembro na Operação Boca de Lobo, um dos desdobramentos da Lava Jato no Rio de Janeiro, Pezão é acusado de receber R$ 39 milhões em propina. A prisão foi determinada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), com base na delação de um ex-operador do esquema de corrupção do ex-governador Sérgio Cabral.

TRT da 14ª Região lembra os 32 anos de instalação com programação especial

Como parte das comemorações dos 32 anos de instalação do Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região (TRT14-RO/AC) nos estados de Rondônia e Acre, nesta quarta-feira, 28 de novembro, às 17h, será realizada a solenidade de entrega de Comendas da Ordem do Mérito Judiciário Trabalhista Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região, no grau Comendador e Medalha do Mérito Funcional a servidores.

No grau Comendador serão homenageados: Dalliana Vilar Lopes, procuradora do Trabalho, Edilson Carlos de Souza Cortez, juiz Titular da 2ª Vara do Trabalho de Ji-Paraná (RO), Fábio Lucas Telles de Menezes Andrade Sardim, juiz Titular da 1ª Vara do Trabalho de Rio Branco (AC) e a Fundação Pio XII, mantenedora do Hospital de Amor Amazônia (Instituição de Saúde Filantrópica).

A Medalha do Mérito Funcional será concedida aos servidores: Alexandre Romanini Mattiuzi, Alice Morais Moreira, Alysson Ricardo de Almeida Lopes, Antônio Batista de Souza, Kellen Paticia Mazzoti Ferraz Vieira, Lucas Barbosa Brum, Maria Aparecida da Fonseca, Neusa Maria Lermen Ansiliero, Nilson Marcelino da Silva e Tama Mendes Ohira de Rossi.

O Conselho da Ordem do Mérito Judiciário Trabalhista Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região tem como Chanceler o presidente do Tribunal, desembargador Shikou Sadahiro, os desembargadores Socorro Guimarães, Maria Cesarineide de Souza Lima, Carlos Augusto Gomes Lôbo, Vania Maria da Rocha Abensur, Ilson Alves Pequeno Junior, Francisco José Pinheiro Cruz e Osmar João Barneze, membros e Celso Gomes, secretário.

Exposição: 32 anos Construindo a 14ª Região

Durante o período de 31 de outubro até dia 28 de novembro uma exposição organizada pela Seção de Memória Institucional do Núcleo de Gestão Documental do Tribunal presta homenagem os servidores que atuaram e atuam na Coordenadoria de Serviços de Infraestrutura, Logística e Segurança (CSILS) e no Núcleo de Material e Patrimônio.

Encontram-se expostos no Espaço Memorial no edifício sede do Regional, documentos históricos, objetos, banners e painéis com fotos de servidores dos serviços gerais, agentes de segurança, motoristas entre outros que ao longo de suas carreiras contribuíram e contribuem na logística e na construção da imagem da Justiça do Trabalho no âmbito de Rondônia e Acre ao longo desses 32 anos.

O que você pode fazer pela segurança pública do País?

Vivemos em um país que não pode ser considerado pobre. Pagamos uma das maiores cargas de impostos do mundo. Temos uma imensidão de riquezas naturais, mas não temos algo bem simples: a tranquilidade para trabalhar, estudar, descansar e ter lazer, pois quase sempre estamos com medo de assaltos, roubos, golpes, da violência doméstica, etc.

Que pais ficam em absoluta paz enquanto os filhos não chegam da escola, da faculdade ou do lazer? Quantas mulheres podem ficar tranquilas no transporte público sem o receio de assédio ou até de algo pior? Sem falar nas que não estão seguras nem em casa, com os companheiros. Quem nunca se sentiu triste por não poder deixar que um filho brinque no parquinho de uma praça do bairro com medo de traficantes ou de alguém que possa abusar dele?

O curioso é que, não faz muito tempo, a violência parecia ser quase exclusividade de grandes centros como o Rio de Janeiro – sempre citado nas estatísticas negativas, sem mostrarem as positivas – e São Paulo. Mas, infelizmente, a violência não tem poupado nem mesmo cidades pequenas e antes pacatas e deixa moradores e policiais sem ação.

Todos em perigo

É difícil entender de modo geral o que é a falta de segurança pública no Brasil, pois temos diferentes realidades no mesmo país. Apesar disso, todos são reféns da violência. Quem mora na favela vive sob o controle de facções criminosas, mas quem reside em um bairro com melhores condições também não põe o pé na rua sem medo de ser assaltado ou morto por membros dessas mesmas facções.

Isso leva a outro aspecto: culpa-se muito o tráfico de drogas pela violência exagerada em capitais e cidades interioranas, mas e quanto aos compradores e demais usuários? Não é raro que alguém faça uso de maconha mas fique indignado quando vê no noticiário – que explora muito a violência visando audiência – que, num tiroteio entre traficantes, vidas inocentes foram tiradas. Ele quase nunca se sente culpado por isso ao fumar seu “baseado” e tenta se iludir de que é um problema externo, enquanto está diretamente ligado a ele.

O assunto é muito variado e de difícil compreensão mesmo, pois a segurança influencia todos os outros aspectos da sociedade: economia, educação, saúde, habitação e muito mais.

O que cabe a nós é pensar (o que já tem sido feito por alguns) não só nos efeitos da violência de todos os dias, mas em uma ferramenta eficaz para combatê-la: o voto. Não é demagogia, pois um bom governo – e isso inclui a participação constante do povo – é o primeiro passo importantíssimo para que tudo, e não só a segurança, seja eficaz no desenvolvimento de uma nação.

Estado crítico

É claro que a violência sempre existiu na sociedade. No entanto, temos hoje em dia a sensação – que não é falsa – de que nosso país nunca foi tão violento quanto agora. Os índices estão aí e confirmam isso. Chegou-se a ponto de até mesmo as polícias serem insuficientes para conter o crime. No Rio de Janeiro, por exemplo, foi preciso uma intervenção, com a atuação das Forças Armadas.

Mas o que muitos não sabem é que esse tipo de ação não foi concebida para ser definitiva. “A intervenção federal não tem a finalidade de resolver. Tem a finalidade de colocar um parêntese para reorganizar a situação”, diz o sociólogo Julio Jacobo, pesquisador da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) em seu campus carioca, em entrevista concedida à estatal Agência Brasil.

Jacobo diz, entretanto, que as ações não devem focar só nessa intervenção atual. Durante ela, é necessário reorganizar o Estado, a polícia e investir na segurança, para que a segurança pública continue a ser organizada e providenciada após a crise mais grave.

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A falha do “cada um por si”

Existem muitos órgãos governamentais para cuidar da segurança pública – como os tribunais, a polícia, o próprio governo – e uns com mais e outros com menos recursos disponíveis. Por que, então, esse aspecto tão importante tem enfrentado uma crise, já que tem essas instituições à sua disposição? Pode ser por uma grave falta de comunicação entre eles, que poderiam atuar de forma mais unificada.

Quem nunca ouviu falar de conflitos entre Polícias Militar e Civil, por exemplo, quando uma deveria agir em conjunto com a outra, já que a primeira age no patrulhamento e na detenção, enquanto a outra dá os devidos encaminhamentos jurídicos (perícia, investigação, etc., após o crime), ou seja, complementam-se em prol da justiça? Esses conflitos vão mais longe.

Renato Sérgio de Lima é diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), uma prestigiada e reconhecida entidade que reúne dados e estuda as melhores formas de promover a segurança de nosso país. Ele, que também é professor no Departamento de Gestão Pública da Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo, considerou que “há uma série de ruídos muito mal encaminhados entre Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, bem como entre Polícias Civil e Militar e Ministério Público” e, além disso, “há confusão de papéis entre União, Distrito Federal, Estados e municípios na área”.

De nada adianta os órgãos que promovem a Justiça e protegem a população trabalharem muito, o que já fazem, se não for com a devida coordenação, integração e articulação. Para o professor Renato, essa falta de integração entre essas forças indispensáveis para a população faz com que “o cenário do crime e da violência tenda a se agravar ainda mais”.

Sim, os recursos estão à disposição, mas é necessária a boa vontade política que gere a integração entre essas partes, num “processo participativo de construção, seja dos vários órgãos e instituições públicas, seja da sociedade civil”. E quem é a sociedade civil? Somos nós. Todos nós, trabalhando nessas instituições ou não.

Cabe a pergunta: algum candidato a um cargo político que fala em melhorar a segurança já citou algo sobre melhorar a estrutura que já temos e em criar novas instituições? Estamos em época de campanha eleitoral, é a hora certa de prestar atenção ao que eles dizem quanto a suas intenções – e se têm condição de cumpri-las – para a redução dos homicídios, modernização do sistema penitenciário, combate ao tráfico de drogas e outras alternativas para que nosso país não seja mais comparado a um triste cenário de guerra com quase 70 mil mortes violentas todo ano.

Quadro preocupante

No ano passado, um dado vergonhoso ganhou as manchetes mundiais: em 2016, ocorreram no Brasil 62,5 mil homicídios, segundo informações do Ministério da Saúde. Isso dava uma média de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes. Claro, é um número assustador, mas piora mais ainda saber que isso equivale a 30 vezes a taxa anual de homicídios de toda a Europa. Faz sentido um único país ter 30 vezes mais mortes violentas do que um continente inteiro?

Segundo mostra o Atlas da Violência 2018, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a situação é mais grave nos Estados do Norte e do Nordeste do País, sendo que, em todo o Brasil, esses assassinatos somam 56,5% das mortes de jovens entre 15 e 19 anos, o futuro dessa nação.

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O problema da polícia e de toda a sociedade*

O maior problema que nós policiais sofremos é a desvalorização social. Os policiais doam sua vida em prol da sociedade e não recebem nenhum tipo de retribuição. E é assim com qualquer polícia: militar, civil, federal, rodoviária. Há também o desvalor interno: o problema estrutural da corporação, como é mal aproveitada e mal conduzida.

Outra desvalorização é o foco demasiado de muitas mídias, nos casos negativos da polícia, à má conduta de um policial, por exemplo – que não é a de todos. Ele também é cidadão e não está livre de cometer erros. Isso reflete na corporação. Repórteres não costumam destacar com a mesma evidência o que os policiais fazem de positivo, o que poderia ajudar muito a valorizá-los.

Dizem que o baixo salário de um policial contribui para que ele se corrompa. Nem sempre. Se salário baixo fosse justificativa, um senador não se corromperia nem um delegado. Eu consideraria mais um desvio de caráter, até porque muitos que ganham mal não se corrompem.

O baixo salário unido ao risco que o policial corre e à facilidade de corrupção é que são preocupantes. Se acompanharmos os processos contra policiais acusados de corrupção, ela sempre começa com um terceiro que cometeu um erro: não pagou certo imposto, seu carro não tem a devida documentação e, para se livrar, oferece a corrupção ao policial que, fragilizado por todos os motivos unidos citados, entra nessa questão. Muitos na sociedade o acusam de corrupção, mas é quase sempre um corrupto acusando outro. Os problemas sociais simplesmente se refletem dentro da corporação, mas não são exclusivos dela.

É preciso uma política interna nos governos para a valorização das corporações policiais. Investir melhor em equipamento, salário, cursos, divulgação de todas as ocorrências policiais positivas nas mídias e não só o que houve de errado. Isso teria um reflexo muito positivo para todos, dentro e fora da polícia.

A segurança pública afeta todos os aspectos sociais. A economia, por exemplo. Ninguém abre uma loja renomada em uma comunidade em que o crime acontece a torto e a direito. E a população local perde a chance de ter uma boa loja que gere empregos, forneça bons produtos, gere impostos. Ou seja, a segurança é necessária até para o crescimento financeiro da sociedade.

O eleitor deve analisar se um pretendente a um cargo político tem propostas não só para a segurança, mas para todas as áreas. Num debate, por exemplo, um candidato está lá para mostrar suas propostas, mas quando não as tem ou elas não são boas gasta seu tempo em acusar outro candidato até em questões pessoais, o que desvia a atenção do espectador.

Governo entrega novo espaço do Ensino Especial do Acre

Buscando melhorar ainda mais a qualidade do Ensino Especial no Acre, o governador Tião Viana entregou nesta quarta-feira, 4, dois novos espaços do Núcleo Estadual de Tecnologia Assistiva (Neta). Agora, o órgão, que antes era composto apenas pelo Dom Bosco, que atende alunos com deficiência, concentra em um único espaço também o Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual no Acre (CAPDV) e o Núcleo de Atividades de Altas Habilidades e Superdotação (NAAH/S), responsável pela identificação e acompanhamento de alunos da rede pública com algum talento acima da média.

Durante a solenidade de inauguração, Tião Viana destacou que o órgão é uma iniciativa inovadora e pioneira na área do ensino especial não só da Amazônia, mas de todo o país. “Hoje temos mais de nove mil e duzentas crianças cuidadas pelo ensino especial. Isso significa para nós um investimento de mais de R$ 7 milhões por ano. Não tem nenhuma experiência no Brasil afora que faça o esforço que estamos fazendo. Hoje é um ambiente mais lindo, mais digno e mais humano”, destacou.

O empreendimento faz parte de uma série de investimentos feitos em todas as áreas da educação pública acreana pela gestão estatal.

Unificação de serviços

A coordenadora da Educação Especial da Secretaria de Estado de Educação e Esporte (SEE), Úrsula Maia, disse que o novo espaço vai unificar os serviços ofertados à população acreana.

“A grande característica do Neta é a centralização dos serviços existentes nos Centros de Apoios, favorecendo, assim, a interlocução entre as ações e o acesso aos serviços, promovendo mais agilidade e maior qualidade no atendimento prestado à sociedade”, ressalta.

Para construir essa terceira etapa do estabelecimento, foram investidos R$ 3.255.561,83. Desse montante, R$ 1.857.042,74 é fruto de emenda do deputado federal Sibá Machado. Na ocasião, o parlamentar disse que o empenho é uma forma de alavancar os atendimentos do ensino especial amazônico.

“Desde 2012, a equipe sonhava com um espaço integrado. Então conseguimos, com muito esforço, ampliá-lo. Hoje estamos celebrando essa conquista que é de toda a população acreana, porque vai melhorar o atendimento não só dos alunos, mas de toda a sociedade que precisa desses espaços”, salientou.

Os estabelecimentos atendem desde estudantes da rede pública à população em geral. O secretário de Obras do Estado, Átila Pinheiro, responsável pela execução do novo projeto, ressaltou: “O Neta é um espaço inovador e foi planejado e construído respeitando as normas e os padrões técnicos de acessibilidades exigidos para cada tipo de necessidade”.

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Atualmente, dos 5.903 alunos da rede pública, 3.788 foram matriculados no Atendimento Educacional Especializado – Foto/Gleilson Miranda/Secom

Mais inclusão

Na prática, o Neta vai contribuir com o processo de inclusão iniciado em 2008 na região. Que o diga Rosângela Silva, mãe de Arthur Gabriel, que tem síndrome de Down. Hoje, o pequeno, com cinco anos de idade, e desde os primeiros dias de vida é atendido pelo Dom Bosco – um dos centros do órgão.

“Comecei a vir para cá bem cedo mesmo. Com 15 dias de vida ele já estava sendo atendido aqui na estimulação e nas terapias. Sempre achei muito importante, porque, além do atendimento dele, até a gente mesmo é ajudado, porque quando a criança nasce com necessidade dá um pânico, e aqui eles nos ajudam e ensinam como devemos cuidar. É um amparo”, conta.

Atualmente, dos 5.903 alunos da rede pública, 3.788 foram matriculados no Atendimento Educacional Especializado (AEE), em um amplo e pioneiro programa de educação inclusiva. Em 1999, apenas 34 pessoas deficiência estudavam no ensino regular. Atualmente, o panorama é diferente. Segundo levantamento do Instituto Nacional de Pesquisa Anísio Teixeira (Inep).

De acordo com o Inep, o Acre desponta na frente dos estados brasileiros quando o assunto é inclusão de estudantes que necessitam de AEE. Enquanto a média atendida em nível nacional é de 44,1%, o Acre alcançou 64% desse público, que está na faixa etária de 4 a 17 anos. Na prática, o índice mostra que esta região amazônica vive um dos maiores processos de inclusão educacional do país.

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Down e a força que vem do amor

Gradativamente, famílias com pessoas Down estão mais informadas sobre como se relacionar e proteger seus filhos. A própria sociedade já se mobiliza contra o preconceito reconhece direitos, que ao longo de muitas décadas atrás, eram praticamente inexistentes.

No Acre, com o surgimento de novas leis por parlamentares como o deputado Ney Amorim, que permitem a inclusão plena dessas pessoas até no mercado de trabalho, uma revolução está em curso.

Na reportagem, conheça um pouco dessa legislação e entenda como mães e pais de Down estão se mobilizando para vencer todas as barreiras que possam impedir essas pessoas de uma vida plena, cheia de felicidade.

Veja mais nas próximas linhas desta reportagem como essas ações têm incentivado a promoção de direitos, acabado com o preconceito social e permitido a essas pessoas uma qualidade de vida infinitamente melhor a que tiveram no passado.

Mas antes, vamos conhecer como uma ideia simples da mãe de um garotinho Down, serviu para esclarecer, tirar medos e unir mães e pais com filhos em condições especiais. Trata-se do grupo digital ‘Um novo Olhar’, criado pela bióloga Roberta Lopes, e que hoje tem mais de 60 famílias.

001

A solidariedade venceu o preconceito

Rosana Garcia
Rosana e Gael esbanjam sorrisos no primeiro domingo de mães: o amor venceu todas as barreiras

A jovem mãe Rosana Garcia diz ter tomado um susto quando descobriu no momento do parto que Gael, hoje com um ano, veio ao mundo Down. “Foi um choque muito grande porque criei toda uma expectativa e só descobri quando ele nasceu”.

Mãe de primeira viagem e sem nunca ter convivido com pessoas Down, o seu maior medo era o do preconceito. “O Gael já era amado, independentemente de qualquer coisa, mas aquilo tudo me assustava, principalmente por conta do que as pessoas poderiam achar dele”, explica a mãe.

Postou na sua página do Facebook sua tristeza de não conseguir lidar com a situação. Foi quando encontrou no grupo de WhatsApp ‘Um Novo Olhar’, o alento necessário para as aflições.

“Uma amiga fez a ponte para que eu entrasse no grupo e tudo melhorou depois disso”, alegra-se a mãe, enquanto observa Gael fazendo fisioterapia, numa sala do Colégio Dom Bosco, tocado pela Secretaria do Estado de Educação e Esporte do Acre, numa parceria com a Saúde do Estado.

Roberta Lopes com Bernardo
Roberta Lopes e Bernardo: ele criou um grupo de Whatsapp para auxiliar mães de primeira viagem

Explica Roberta Lopes, mãe do garoto Bernardo, e idealizadora do grupo digital para famílias com pessoas Down que quando uma mãe ou um pai encontra o apoio de outros na mesma situação tudo fica mais leve e mais fácil.

“As pessoas descobrem que não estão a sós, que Síndrome de Down não é um bicho de sete cabeças, e que há pessoas ao seu lado para ajudar. Então, algo incrível acontece: ganhamos mais força e autoestima para acabar com qualquer obstáculo”, diz a bióloga.

Duas vezes na semana, ela percorre 240 km para a terapia do bebê

Rosana e Gael acordam cedo, todas as segundas e quintas-feiras. Às 4 da matina a mãe está de pé. Prepara a mamadeira, e as roupas do bebê, e uma hora depois embarca com ele em um carro disponibilizado pela prefeitura da cidade.

A família mora em Xapuri, região do Alto Acre, a cerca de 120 quilômetros de Rio Branco. Por duas vezes na semana, são 240 quilômetros percorridos de ida e volta. Em Rio Branco, no Colégio Dom Bosco, Gael tem sessões de fisioterapia e faz avaliações. Volta para o município logo após o almoço.

O atendimento é custeado pelo estado e além dele, uma segunda criança com outra necessidade de tratamento, também passa por terapia em Rio Branco.

O corpo do bebê Down precisa de fortalecimento muscular e esse tratamento não é disponível em Xapuri.

“No começo, achei um pouco cansativo. Mas agora, não. Já me acostumei e estou adorando o progresso da saúde do meu filho”, diz ela, gratificada. O esposo é funcionário municipal e também apoia a iniciativa.

No Dom Bosco, pelo menos 340 crianças e adolescentes são atendidos pelos mais diversos serviços de terapias, todos os dias. Uma ampla rede, que inclui creches tocadas pelo município espalhadas por Rio Branco, também fornece o suporte necessário aos pais com filhos Down, principalmente, aos que não têm planos de saúde para um tratamento em clínicas particulares.

Raissa1
Raíssa Braga é só alegria: além de ótima nadadora, faz educação física na Ufac

Universitária já contabiliza 38 medalhas de natação em torneios

“Iêiêiê, infiel, eu quero ver você morar num motel. Estou te expulsando do meu coração. Assuma as consequências dessa traição”. Marília Mendonça por Raíssa Braga, nos corredores da Universidade Federal do Acre (Ufac). É desse jeito que ele chega para a entrevista, cantarolando. Infiel faz sucesso no coração da jovem Raíssa Braga de Menezes, que aos 25 anos, já coleciona vitórias de dar inveja a muitos atletas. Na natação, foram 38 medalhas, duas delas em um dos maiores campeonatos do país, em São Paulo.

“Toda vez que eu ganho uma medalha sinto que é mais um sentido que dou à minha vida”, diz Raíssa, em conversa rápida com a reportagem porque entraria para a sala de aula, no 7º período do curso de Educação Física, na Ufac.

A condição de Down nunca foi um empecilho para ela, segundo os próprios professores e amigos de curso.

Ney e Junior
Amor incondicional: Ney Amorim se emociona ao ser reconhecido pelo próprio filho, Júnior, pelo carinho e proteção

O poder do amor de pai na vida de um campeão

“Faz o gol. Chuta, Juninho. Vai garoto”, grita o atacante, ao lançar a bola, vendo a defesa do adversário aberta. Júnior, cara a cara com o goleiro, recebe a pelota e dispara um petardo em direção à trave. Puuuuu!…Não foi dessa vez.

Mais tarde, pelada terminada, à beira do campo, a análise do lance. “Caracas, meu irmão, tu quase faz o gol, bicho. Da próxima vai dar certo, porque tu tem muita força no pé, meirrmão”, diz à Júnior o pai, que também é colega de time e seu melhor amigo.

“Pode deixar. Da próxima vez, tu vai ver. Eu vou fazer, pai”, responde o jovem, olhos reluzentes de orgulho, sorriso escancarado de alegria, mirando o infinito.

É assim, de igual para igual que o deputado Ney Amorim, presidente da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Estado do Acre, a Aleac, interage com um de seus cinco filhos, o Ney Amorim Júnior, que é Down.

No entendimento do parlamentar, a síndrome não é, e nunca será, um empecilho para a vida normal, preenchida pelo relacionamento rotineiro que todo pai e filho devem ter.

As estatísticas mostram que quanto mais cedo pessoas Down forem estimuladas a exercícios físicos e cognitivos, maiores as chances de interação e de autoconfiança na idade adulta.

É o caso de Juninho, hoje com 26 anos, e uma das maiores paixões do parlamentar. Aliás, parte da trajetória à frente da presidência do Poder Legislativo acreano é dedicada a essas pessoas: crianças, jovens e adultos que nasceram com a trissomia.

Alguns projetos de lei de sua autoria tornaram-se fundamentais para consolidar a cidadania plena de famílias cujas oportunidades costumavam ser quase sempre desiguais.

Menina Sofia
Garotinha Sofia, de 6 anos, interage com os coleguinhas da escola

A escola é fundamental para a integração social

A bióloga Mônica Leal observa de longe a filha Sofia, de 6 anos, batendo palminhas junto ao restante dos amiguinhos de escola, na ciranda que entoa cantigas de roda. A garotinha interage perfeitamente. Só se desconcentra se a mãe chegar à porta da salinha.

“Por isso, evito atrapalhá-la, mas entendo que quanto antes a família inserir a criança na escola, melhor”, diz.

A integração social que a escola permite a uma criança down faz toda a diferença para os pais.

“Sentir esse apoio e a segurança do coordenador pedagógico é muito bom, porque é na escola que ela interage com o mundo e já nem me dá tchau quando a deixo para estudar”, sorri Mônica, com o brilho de orgulho nos olhos, peculiar a toda mãe.

Nesse sentido, pais e educadores são unânimes em dizer que é preciso que a criança compartilhe as atenções e que entenda que tem limites, tendo que respeitar o espaço dos outros ao seu redor.

“O tratamento é o mesmo, como qualquer outra pessoa dita normal e o que é legal é que quanto maior o estímulo, maior é o desenvolvimento psicomotor e social”, explica a bióloga mãe de Sofia.

Encarando tudo de frente

A primeira preocupação que vem à cabeça de pais com filhos Down é como a sociedade vai aceitar seus rebentos. Como vai ser quando ele crescer? É uma das perguntas mais frequentes.

“Mas nada disso é um problema, quando o amor fala mais alto”, explica Roberta Lopes, a mãe que abriu esta reportagem e criou o grupo de aplicativo para agregar famílias Down.

Na sua opinião, “é preciso entender que autoconfiança é fundamental para que tenhamos filhos muito produtivos”.

“Por isso, superar limites e encontrar a vitória é uma decisão acertada. Desesperar-se, jamais”, é o recado.

Ney Inclusao

Conheça mais sobre a Lei de Inclusão no Trabalho de Pessoas Especiais

A Lei nº 12 de 2015, de autoria do deputado Ney Amorim, é um dos maiores mecanismos de inclusão de pessoas consideradas especiais no mercado de trabalho.

A lei garante vaga de trabalho para pessoas Down, em cargos comissionados na Assembleia Legislativa do Acre. Para ratificar e dar exemplo de que é possível, sim, a inclusão, o presidente da Aleac contratou, pela primeira vez na história do Legislativo, os jovens Francisco das Chagas e Seleny de França, ambos Down, párea fazer parte do quadro de servidores da Assembleia.

E não para por aí. É por meio de outro dispositivo que virou lei na Aleac, que Ney Amorim conseguiu com que as mães de recém-nascidos portadores de Down tenham hoje mais facilidade na realização de exames de eletrocardiogramas em seus bebês e mais rapidez nos diagnósticos.

Down e a força que vem do amor

Gradativamente, famílias com pessoas Down estão mais informadas sobre como se relacionar e proteger seus filhos. A própria sociedade já se mobiliza contra o preconceito reconhece direitos, que ao longo de muitas décadas atrás, eram praticamente inexistentes.

No Acre, com o surgimento de novas leis por parlamentares como o deputado Ney Amorim, que permitem a inclusão plena dessas pessoas até no mercado de trabalho, uma revolução está em curso.

Na reportagem, conheça um pouco dessa legislação e entenda como mães e pais de Down estão se mobilizando para vencer todas as barreiras que possam impedir essas pessoas de uma vida plena, cheia de felicidade.

Veja mais nas próximas linhas desta reportagem como essas ações têm incentivado a promoção de direitos, acabado com o preconceito social e permitido a essas pessoas uma qualidade de vida infinitamente melhor a que tiveram no passado.

Mas antes, vamos conhecer como uma ideia simples da mãe de um garotinho Down, serviu para esclarecer, tirar medos e unir mães e pais com filhos em condições especiais. Trata-se do grupo digital ‘Um novo Olhar’, criado pela bióloga Roberta Lopes, e que hoje tem mais de 60 famílias.

001

A solidariedade venceu o preconceito

Rosana Garcia
Rosana e Gael esbanjam sorrisos no primeiro domingo de mães: o amor venceu todas as barreiras

A jovem mãe Rosana Garcia diz ter tomado um susto quando descobriu no momento do parto que Gael, hoje com um ano, veio ao mundo Down. “Foi um choque muito grande porque criei toda uma expectativa e só descobri quando ele nasceu”.

Mãe de primeira viagem e sem nunca ter convivido com pessoas Down, o seu maior medo era o do preconceito. “O Gael já era amado, independentemente de qualquer coisa, mas aquilo tudo me assustava, principalmente por conta do que as pessoas poderiam achar dele”, explica a mãe.

Postou na sua página do Facebook sua tristeza de não conseguir lidar com a situação. Foi quando encontrou no grupo de WhatsApp ‘Um Novo Olhar’, o alento necessário para as aflições.

“Uma amiga fez a ponte para que eu entrasse no grupo e tudo melhorou depois disso”, alegra-se a mãe, enquanto observa Gael fazendo fisioterapia, numa sala do Colégio Dom Bosco, tocado pela Secretaria do Estado de Educação e Esporte do Acre, numa parceria com a Saúde do Estado.

Roberta Lopes com Bernardo
Roberta Lopes e Bernardo: ele criou um grupo de Whatsapp para auxiliar mães de primeira viagem

Explica Roberta Lopes, mãe do garoto Bernardo, e idealizadora do grupo digital para famílias com pessoas Down que quando uma mãe ou um pai encontra o apoio de outros na mesma situação tudo fica mais leve e mais fácil.

“As pessoas descobrem que não estão a sós, que Síndrome de Down não é um bicho de sete cabeças, e que há pessoas ao seu lado para ajudar. Então, algo incrível acontece: ganhamos mais força e autoestima para acabar com qualquer obstáculo”, diz a bióloga.

Duas vezes na semana, ela percorre 240 km para a terapia do bebê

Rosana e Gael acordam cedo, todas as segundas e quintas-feiras. Às 4 da matina a mãe está de pé. Prepara a mamadeira, e as roupas do bebê, e uma hora depois embarca com ele em um carro disponibilizado pela prefeitura da cidade.

A família mora em Xapuri, região do Alto Acre, a cerca de 120 quilômetros de Rio Branco. Por duas vezes na semana, são 240 quilômetros percorridos de ida e volta. Em Rio Branco, no Colégio Dom Bosco, Gael tem sessões de fisioterapia e faz avaliações. Volta para o município logo após o almoço.

O atendimento é custeado pelo estado e além dele, uma segunda criança com outra necessidade de tratamento, também passa por terapia em Rio Branco.

O corpo do bebê Down precisa de fortalecimento muscular e esse tratamento não é disponível em Xapuri.

“No começo, achei um pouco cansativo. Mas agora, não. Já me acostumei e estou adorando o progresso da saúde do meu filho”, diz ela, gratificada. O esposo é funcionário municipal e também apoia a iniciativa.

No Dom Bosco, pelo menos 340 crianças e adolescentes são atendidos pelos mais diversos serviços de terapias, todos os dias. Uma ampla rede, que inclui creches tocadas pelo município espalhadas por Rio Branco, também fornece o suporte necessário aos pais com filhos Down, principalmente, aos que não têm planos de saúde para um tratamento em clínicas particulares.

Raissa1
Raíssa Braga é só alegria: além de ótima nadadora, faz educação física na Ufac

Universitária já contabiliza 38 medalhas de natação em torneios

“Iêiêiê, infiel, eu quero ver você morar num motel. Estou te expulsando do meu coração. Assuma as consequências dessa traição”. Marília Mendonça por Raíssa Braga, nos corredores da Universidade Federal do Acre (Ufac). É desse jeito que ele chega para a entrevista, cantarolando. Infiel faz sucesso no coração da jovem Raíssa Braga de Menezes, que aos 25 anos, já coleciona vitórias de dar inveja a muitos atletas. Na natação, foram 38 medalhas, duas delas em um dos maiores campeonatos do país, em São Paulo.

“Toda vez que eu ganho uma medalha sinto que é mais um sentido que dou à minha vida”, diz Raíssa, em conversa rápida com a reportagem porque entraria para a sala de aula, no 7º período do curso de Educação Física, na Ufac.

A condição de Down nunca foi um empecilho para ela, segundo os próprios professores e amigos de curso.

Ney e Junior
Amor incondicional: Ney Amorim se emociona ao ser reconhecido pelo próprio filho, Júnior, pelo carinho e proteção

O poder do amor de pai na vida de um campeão

“Faz o gol. Chuta, Juninho. Vai garoto”, grita o atacante, ao lançar a bola, vendo a defesa do adversário aberta. Júnior, cara a cara com o goleiro, recebe a pelota e dispara um petardo em direção à trave. Puuuuu!…Não foi dessa vez.

Mais tarde, pelada terminada, à beira do campo, a análise do lance. “Caracas, meu irmão, tu quase faz o gol, bicho. Da próxima vai dar certo, porque tu tem muita força no pé, meirrmão”, diz à Júnior o pai, que também é colega de time e seu melhor amigo.

“Pode deixar. Da próxima vez, tu vai ver. Eu vou fazer, pai”, responde o jovem, olhos reluzentes de orgulho, sorriso escancarado de alegria, mirando o infinito.

É assim, de igual para igual que o deputado Ney Amorim, presidente da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Estado do Acre, a Aleac, interage com um de seus cinco filhos, o Ney Amorim Júnior, que é Down.

No entendimento do parlamentar, a síndrome não é, e nunca será, um empecilho para a vida normal, preenchida pelo relacionamento rotineiro que todo pai e filho devem ter.

As estatísticas mostram que quanto mais cedo pessoas Down forem estimuladas a exercícios físicos e cognitivos, maiores as chances de interação e de autoconfiança na idade adulta.

É o caso de Juninho, hoje com 26 anos, e uma das maiores paixões do parlamentar. Aliás, parte da trajetória à frente da presidência do Poder Legislativo acreano é dedicada a essas pessoas: crianças, jovens e adultos que nasceram com a trissomia.

Alguns projetos de lei de sua autoria tornaram-se fundamentais para consolidar a cidadania plena de famílias cujas oportunidades costumavam ser quase sempre desiguais.

Menina Sofia
Garotinha Sofia, de 6 anos, interage com os coleguinhas da escola

A escola é fundamental para a integração social

A bióloga Mônica Leal observa de longe a filha Sofia, de 6 anos, batendo palminhas junto ao restante dos amiguinhos de escola, na ciranda que entoa cantigas de roda. A garotinha interage perfeitamente. Só se desconcentra se a mãe chegar à porta da salinha.

“Por isso, evito atrapalhá-la, mas entendo que quanto antes a família inserir a criança na escola, melhor”, diz.

A integração social que a escola permite a uma criança down faz toda a diferença para os pais.

“Sentir esse apoio e a segurança do coordenador pedagógico é muito bom, porque é na escola que ela interage com o mundo e já nem me dá tchau quando a deixo para estudar”, sorri Mônica, com o brilho de orgulho nos olhos, peculiar a toda mãe.

Nesse sentido, pais e educadores são unânimes em dizer que é preciso que a criança compartilhe as atenções e que entenda que tem limites, tendo que respeitar o espaço dos outros ao seu redor.

“O tratamento é o mesmo, como qualquer outra pessoa dita normal e o que é legal é que quanto maior o estímulo, maior é o desenvolvimento psicomotor e social”, explica a bióloga mãe de Sofia.

Encarando tudo de frente

A primeira preocupação que vem à cabeça de pais com filhos Down é como a sociedade vai aceitar seus rebentos. Como vai ser quando ele crescer? É uma das perguntas mais frequentes.

“Mas nada disso é um problema, quando o amor fala mais alto”, explica Roberta Lopes, a mãe que abriu esta reportagem e criou o grupo de aplicativo para agregar famílias Down.

Na sua opinião, “é preciso entender que autoconfiança é fundamental para que tenhamos filhos muito produtivos”.

“Por isso, superar limites e encontrar a vitória é uma decisão acertada. Desesperar-se, jamais”, é o recado.

Ney Inclusao

Conheça mais sobre a Lei de Inclusão no Trabalho de Pessoas Especiais

A Lei nº 12 de 2015, de autoria do deputado Ney Amorim, é um dos maiores mecanismos de inclusão de pessoas consideradas especiais no mercado de trabalho.

A lei garante vaga de trabalho para pessoas Down, em cargos comissionados na Assembleia Legislativa do Acre. Para ratificar e dar exemplo de que é possível, sim, a inclusão, o presidente da Aleac contratou, pela primeira vez na história do Legislativo, os jovens Francisco das Chagas e Seleny de França, ambos Down, párea fazer parte do quadro de servidores da Assembleia.

E não para por aí. É por meio de outro dispositivo que virou lei na Aleac, que Ney Amorim conseguiu com que as mães de recém-nascidos portadores de Down tenham hoje mais facilidade na realização de exames de eletrocardiogramas em seus bebês e mais rapidez nos diagnósticos.

Mudanças no cheque especial não resolvem alto custo do crédito

Economistas pedem maior educação financeira para lidar com juros

Com a entrada em vigor das novas regras para o uso cheque especial, a partir de hoje (1º), a expectativa dos bancos é evitar o superendividamento de clientes do serviço e reduzir a inadimplência. Para especialistas ouvidos pela Agência Brasil, as medidas são bem-vindas, mas não atacam o problema estrutural do alto custo do crédito no país.

“A questão central não está sendo atacada, uma vez que os juros do cheque especial, quando comparados com os juros da própria economia [taxa Selic] são extremamente elevados”, afirma o economista Gilberto Braga, professor de finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral. A taxa média de juros do cheque especial cobrada no mês passado ficou acima dos 311% ao ano, segundo o Banco Central (BC).

Em termos práticos, explica a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), o cheque especial funciona como uma reserva que o cliente pode usar no caso de uma emergência e de um gasto inesperado, sem precisar recorrer ao banco, já que a linha está pré-aprovada. “Justamente por causa dessas caraterísticas os juros são mais elevados em comparação a linhas de mais longo prazo”, informa a entidade.

“Me explica como é que você cobra mais de 20% de juros ao mês, se a taxa Selic está em 6,5% ao ano? Os bancos cobram mais em um mês do que a taxa de referência em um ano. Nada justifica, e nenhum país do mundo faz isso”, questiona Newton Marques, professor licenciado de economia da Universidade de Brasília (UnB) e membro do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal.

Para Marques, os bancos se anteciparam ao adotarem mudanças nas regras do cheque especial como forma de evitar uma ação regulatória mais forte do BC que pudesse incidir sobre o spread, que é a diferença entre o que os bancos pagam na captação de recursos e o que eles cobram ao conceder um empréstimo para uma pessoa física ou jurídica.

Uma das principais medidas que entram em vigor é a oferta automática de parcelamento com custo reduzido para consumidores que usaram mais de 15% do limite disponível no cheque especial durante 30 dias consecutivos. A oferta será feita nos canais de relacionamento e o cliente decide se adere à proposta. Caso não aceite, novo contato deverá ser feito a cada 30 dias. Para não confundir os clientes, os bancos vão separar, no extrato bancário, o saldo da conta-corrente e o limite do cheque especial disponível.

Para Gilberto Braga, professor do Ibmec, essas iniciativas devem ajudar os clientes bancários em dificuldades, mas também terão impacto positivo na lucratividade do sistema financeiro. “Quando o banco propõe um mecanismo de controle como esse, ele mitiga os riscos de recebimento, mas também fideliza o cliente em uma operação de longo prazo. Ajuda o cliente, mas também ajuda o banco”, diz.

Democratizar o crédito

Segundo Gilberto Braga, numa economia caracterizada pela extrema desigualdade social e de distribuição de renda, o crédito é um elemento fundamental para o desenvolvimento, sobretudo para a população mais pobre e a classe média. Para diminuir os juros do cheque especial, ele sugere taxas personalizadas para cada cliente, o que beneficiaria os bons pagadores.

“O custo do crédito é caro mesmo para quem paga em dia. Essas taxas de juros do cheque especial poderiam ser livremente negociadas entre o cliente e o banco, a partir de padrões de risco específicos, por meio da análise do perfil individual, assim como fazem as seguradores de automóvel ao calcularem o valor da apólice, levando em consideração os hábitos de direção do cliente”, explica.

Para Newton Marques, a alta concentração do sistema bancário no país também dificulta uma redução efetiva nas taxas cobradas. “Além de uma ação mais efetiva do Banco Central em cima das escorchantes taxas de juros, seria fundamental abrir o mercado para a concorrência no setor de crédito, aí eu queria ver os bancos cobrarem tão caro para emprestar”, argumenta.

Educação financeira

Outro ponto lembrado pelos economistas é a falta de uma política de educação financeira que comece desde cedo. Mesmo as novas regras para o cheque especial, segundo eles, não estabelecem medidas concretas nessa direção.

“A pessoa que está devendo o cheque especial, em geral, já está em descontrole financeiro e perdeu a capacidade de pagamento. Poderia haver uma exigência sobre quem pretende tomar crédito de fazer um treinamento em educação financeira, como acontece com o motorista que tem a CNH suspenda e precisa fazer um curso de reciclagem para volta a dirigir”, defende Newton Marques, professor da UnB.

Para o economista Gilberto Braga, o ponto de partida deveria ser a própria escola: “É fundamental introduzir a educação financeira no currículo geral do ensino do país. Há muitas pessoas com curso superior, bem formadas, que não sabem fazer uma regra de três ou calcular um juro simples, coisas absolutamente indispensáveis em uma sociedade mediada pelo dinheiro”.

Mercado do Bosque: suas delícias e histórias

Com 52 anos de existência, o Mercado do Bosque – desde 2002, denominado jornalista Álvaro Rocha é único da capital acreana, que funciona 24 horas. No lugar é garantido encontrar café da manhã, almoço, lanche e jantar e é local onde os notívagos gostam de encerrar as noitadas com a famosa baixaria e os mingaus de banana e farinha de tapioca, além de outras delícias regionais.

As ampliações e reformas recentes, deram ao espaço um ar mais elegante, mas o charme dos ares de mercado, se revela em cada canto. Nas paredes os quadros mostram as receitas de todas as comidas tradicionais comercializadas, como o quebi de arroz ou macaxeira, que guarda a história de adaptação culinária da Arábia para a Amazônia.

Além da culinária das cafeteiras e das pensões, no Mercado do Bosque, também há empreendimentos – 75 no total, como a oferta de serviços – concertos de relógios, celulares e joias, salões de beleza, e comércios de confecção e pequenos objetos. A obra de ampliação e reforma, padronizou todo o Mercado.

O conforto de quem trabalha e dos usuários do Mercado, depois da reforma, aumentou, o que trouxe também de volta antigos clientes e atraiu novos.

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No Acre o quibe Árabe virou quebi

Quando os árabes chegaram no Acre – ainda durante a Revolução Acreana, no início do século passado, trouxeram os hábitos seus hábitos alimentares, como o quibe de trigo, e o charuto enrolado com a folha da parreira, artigos que até então só chegava importado no Acre.

Com a criatividade acreana, as adaptações foram feitas e o quibe virou quebi e em vez do trigo, passou a ser feito com o que havia em abundância por aqui, a macaxeira e o arroz. E no charuto, em vez da parreira, passou a ser enrolado com folha de couve.

Ainda de acordo com o historiador Marcos Vinícius das Neves, nas décadas de 30 e 40, há a consolidação dessas adaptações, “que ganham as cidades á medida quem que os árabes se fixam em várias partes do Acre”.

E um dos carros chefes da colunaria do Mercado do Bosque é o quebi. Uma única banda de cafeteira no Mercado no Bosque chega a vender diariamente, 150 quebis de arroz e macaxeira. As 13 cafeteiras juntas vendem quase dois mil quebis por dia. Seu Moizaniel Ferreira, conta que ele e os familiares se revezam para manter a banca aberta 24 horas e cita que “todos fazem quebi, a produção não pode parar. A gente faz e frita quebi o dia todo e a noite também”.

A professora Yasmim, conta que come quebi quase toda tarde no Mercado do Bosque, onde também almoça. “ O quebi é grande, quase um palmo, com muita carne dentro”, ressalta.

De manhã, a pedida é a baixaria, a mistura de cuscuz com ovos, carne e muito cheiro. O militar Jacó, que veio com a família de Minas Gerais e mora no Acre há quase dois anos, diz que à primeira vista, o prato o atraiu e ele gostou muito. “Em Minas se come tudo isso, mas separadamente. Aqui é tudo junto e fica ótimo, só achei estranho o nome”, cita.

Existem muitas e diferentes versões para o surgimento da “baixaria” no Mercado do Bosque. Uma das histórias contadas diz que um peão de fazenda chegou ao Mercado com muita fome e pediu: “o que a senhora tem para comer aí?”. A mulher da pensão teria feito uma mistura de tudo o que havia disponível. Fez o prato bem surtido com pão de milho, ovo, carne e o que tudo mais que tinha e o sujeito comeu como um príncipe. Ao final, com o prato vazio à frente, o peão perguntou “quanto foi essa baixaria toda aqui?”. E, desde esse dia, o nome do prato, que recupera boêmios e fortalece trabalhadores, ficou sendo baixaria.

A médica Camila Pascoal, diz que antes já frequentou o Mercado depois de saídas a noite, e “agora geralmente venho quando fico a noite toda estudando e preciso de um reforço como a baixaria ou uma tapioca recheada com carne e verduras.

E a tarde, haja frio ou calor, o acreano gosta do tacacá e rabada no tucupi, também comercializados no Mercado do Bosque. O autônomo Jonatas Silva, diz que “mesmo suando eu tomo tacacá pelo menos duas vezes por semana aqui”.

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“Formei meus filhos com o dinheiro do mercado”

No Mercado do Bosque, há muitos empreendimentos familiares e histórias fortes como de D. Francisca e da Toinha. D. Francisca de Assis, de 72 anos, conta que dos 10 filhos, conseguiu formar 5 com o dinheiro que ganha vendendo frutas, verduras e outros itens no Mercado do Bosque. “Chego aqui às 3 da manhã todo dia há 32 anos. Isso aqui é minha vida e graças a esse trabalho tenho filho advogado, enfermeiro, professor” .

Antônia Rodrigues, mais conhecida como Toinha, também está há 32 anos no Mercado. Conta que trazia os filhos pequenos para o local, onde vende café da manhã. “ Tinha horas que eles me ajudavam, mas ficavam cansados e dormiam num cantinho da banca. Mas com muito trabalho aqui, muitas madrugadas, eu consegui formar dois filhos médicos, e uma irmã também médica, tudo particular. Tudo que eu tenho, casa, carro e agora esse novo empreendimento, devo ao Mercado do Bosque. Isso aqui agora é um paraíso, antes erra sujo e mal cuidado pelo poder público”, conclui ela.

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Charuto que ganho folha de couve agora também é servido com tucupi

E as inovações e adaptações do acreano seguem. Depois de trocar a folha da parreira pela de couve na hora de enrolar o charuto, o acreano “inventou” mais uma: o charuto é servido com todos os itens do tacacá: caldo de tucupi, folhas de jambu e camarão.

Agora, uma das grandes pedidas da Banda do Dete, no Mercado do Bosque, é o charuto com tucupi e muito camarão. Dete diz que vende 50 cuias de tacacá por dia e serve 50 charutos com tucupi. “Comecei a servir com o tucupi há uns dois anos. No começo eram menos pedido, mas agora todo mundo só quer o charuto com tucupi, folhas de jambu e muito camarão”.

O servidor público, Douglas Assem, conta o motivo da preferência. “Eu já gostava do charuto, que é um quitute saldável, sem fritura. Aí provei o charuto com os itens do tacacá, como o caldo, e aprovei. É uma refeição completa: eu como aqui no fim da tarde e não janto mais e nem sinto fome”.

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Cuidados

Como o Marcado do Bosque funciona 24 hortas, o trabalho de manutenção garantido pela prefeitura de Rio Branco, acompanha o ritmo, como na limpeza e segurança.

A exemplo dos outros dez Mercados Municipais administrados pela prefeitura, no Mercado do Bosque, é o poder público municipal que garante o transporte de produção agrícola, limpeza, manutenção de energia elétrica e água e vigias. A gestão dos mercados municipais é feita por meio da secretaria de Floresta e Agricultura – SAFRA, que mantem equipe com mais de 150 servidores nos mercados.

A prefeita Socorro Neri, que faz constantes visitas de avaliação de funcionamento aos mercados municipais, ressalta que o “ objetivo da gestão municipal é manter os mercados com suas características próprias e atuar no sentido de garantir aos usuários e trabalhadores, toda a estrutura necessária para que os mercados continuem sendo locais de encontro das famílias rio-branquense, seja para compras, serviços ou degustação dos nossos pratos regionais”.

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Novo Mercado Velho: alimentação, compras e entretenimento

Erguido às margens do Rio Acre no Centro de Rio Branco há 89 anos, como primeiro Mercado Municipal de Rio Branco, o Novo Mercado Velho, continua sendo um dos locais mais frequentados pelos riobranqueses para as refeições, compras, e para entretenimento e lazer. É também ponto de visita de turistas, que encontram por lá ervas e garrafadas, artesanato indígena e não indígena e a bela arquitetura da primeira edificação feita em alvenaria no Acre, na década de 20 do século passado, que convida para belas fotos.

O Mercado já passou por várias fases ao longo de mais de oito décadas. Foi exclusivo de venda de produtos agrícolas, quando os produtores das “colônias” vendiam lá verduras, macaxeira, pequenos animais e carne. Nesse período era chamado ainda de Mercado Municipal.

Com a abertura de novos pólos na cidade, como o Mercado dos Colonos e o Elias Mansur – que passou a ser chamado de Mercado Novo, o Mercado Municipal começou a ser apelidado de Mercado Velho. Os itens agrícolas deram lugar à venda de “miudezas”, vestuário, itens de pesca e aviação para costura, além de contar com serviços como consertos de joias. Becos, vielas e puxadinhos de madeira descaracterizaram o espaço.

Em 2006, depois da reforma e revitalização feita pelo então governador Jorge Viana, o nome passou a ser Novo Mercado Velho, que tem uma requisitada praça de alimentação com pratos locais deliciosos como a galinha caipira e costela de tambaqui assado. É ponto de encontro no fim da tarde e noite, quando o local fica cheio de gente sentada em mesas às margens do Rio Acre. A brisa e o Rio Acre éum cenário convidativo para ficar horas e horas por ali. No local também é possível encontrar tiras gostos variados, como macaxeira frita e caldo de tucupi.

O historiador Marcos Vinícius das Neves conta que o Mercado Velho é muito importante na história do Acre e na formação de Rio Branco. Segundo ele em 1926, no governo Hugo Carneiro, havia a desconfiança de que o solo não suportaria uma construção em madeira, ainda mais na margem do Rio Acre. “Mas Hugo Carneiro mandou construir o então Mercado Municipal e ficou provado que grandes construções em alvenaria poderiam sim ser feitas no centro da cidade e a partir daí surgiram o quartel da Policia Militar e o Palácio Rio Branco e as pessoas também passaram a construir casas de alvenaria, o que foi modificando o cenário de Rio Branco”, relata ele.

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‘Comida é muito boa e o preço também’

É hábito de quem trabalha ou passa pelo Centro de Rio Branco, tomar café e almoçar no Novo Mercado Velho. Pela manhã, a baixaria, tapiocas, na hora do almoço, galinha caipira e tambaqui são os destaques, além de vários outas opções. E a noite é a vez dos tira gostos.

Mas é na hora do almoço que o público mais procura pela comida do Mercado, que conta com serviço de self servisse, mas o famoso PF, o prato feito, é a maior pedida. As pensões têm cardápio variado e os preços variam entre R$ 10 e R$ 18.

Gerente de banco no Centro, Manuel Santiago, almoça no Mercado com a esposa, que também é bancária e diz que “a comida é boa e barata, parece tempero de mãe, é comida caseira de verdade”, cita ele. As amigas Talita e Fram também almoçam no local e dizem que “a galinha caipora com pirão é a melhor pedida mesmo, mas o filé de pirarucu é um sonho de bom.

A maioria dos empreendimentos do Mercado é de famílias que trabalham juntas. E é com a venda de cerca de 80 refeições por dia no Mercado, que Ângela Amaral, permissionária há 18 anos no local, mantém a casa, já pagou terreno e carro e arrumou a casa como queria. Ela diz que trabalha muito, mas gosta de atuar no Mercado o segredo da comida “é o carinho”.

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Gestão da Prefeitura de Rio Branco

São dez os mercados sob gestão da prefeitura, que garante o transporte de produção agrícola, limpeza, manutenção de energia elétrica e água e vigias. A gestão dos mercados municipais é feita por meio da secretaria de Floresta e Agricultura – SAFRA, que mantem equipe com mais de 150 servidores nos mercados.

A nova estrutura do Mercado Velho e a gestão da prefeitura de Rio Branco, segundo a permissionária D. Nazira Mamed, deram vida nova para o lugar onde ela trabalha desde 1970 com a venda de comida e bebidas. “Sou do tempo em que havia ratos aqui andando por aqui toda hora, que tinham aquelas bibocas de madeira, do lixo tomando o barranco. Agora isso aqui está o céu”.

Comércio no mercado

Garrafadas, ervas, artesanato e biojóias são vendidos no Mercado, tanto para moradores locais, quanto para turistas. Para a saúde do homem e da mulher, Dr. Raiz, dono de um dos boxes mais procurados do Mercado, garante que tem os preparados certos, que reúnem mais de 18 tipos de ervas, como crajirú, sucuba, jucá e marapuama. “Minhas garrafadas e ervas já foram levadas para vários lugares do mundo por turistas que passam por aqui”, conta ele.

O artesanato indígena também faz sucesso. Raimunda Mawapey, do povo Kaxinawa do Jordão, conta que a renda da venda dos produtos, melhora a vida dos povos indígenas, que deixam as peças para a venda no Mercado. “As vendas garantem renda e autonomia para as mulheres indígenas que fazem as peças”.

Turistas não faltam no local. Depois de comer um peixe filhote na praça de alimentação no Mercado, as peruanas Sônia Salvatierra e Gicela Kisper, que vieram de de Ayacucho, firam comprar artesanato para levar para os amigos. Ficaram encantadas com itens feitos com fibras do buriti. “Muito bom aqui no Mercado: comemos bem e compramos coisas para nós e para dar de presente para parentes e amigos”.

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Copa da Rússia não empolga o brasileiro, aponta pesquisa

Restando oito dias para a abertura da Copa do Mundo da Rússia, observa-se que o mundial a ser realizado na terra da vodka não despertou ainda o interesse da maioria do povo brasileiro. Pesquisa de opinião pública foi realizada pelo Instituto Paraná, entre os dias 24 e 25 de abril, para sentir o pulso dos torcedores. E os resultados não foram nada animadores. Dos 2.948 cidadãos entrevistados em 185 municípios dos 27 estados, 65% disseram não ter interesse na Copa do Mundo.

Pouco mais de 28% demonstraram uma falta de interesse total com o evento e 37,5% alegam dar pouca importância ao campeonato de seleções. Apenas 8% se dizem empolgados com o Mundial, sendo que a excitação predomina entre os mais jovens. 43% das pessoas entre 16 e 24 anos está ansiosa para a Copa do Mundo.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais e a credibilidade de 95%. O Brasil estreia diante da Suíça no próximo dia 17, às 13h Acre.

Rio-branquense pouco otimista

Em Rio Branco a ausência de ornamentação na grande maioria das ruas reflete muito bem o desinteresse dos rio-branquenses pelo mundial. O comercio, outro setor que ajuda a acelerar a empolgação do torcedor brasileiro com vitrines coloridas de verde e amarelo, também demonstra certa timidez pelo mundial a ser realizado na terra dos czares.

Entretanto, um aspecto positivo da divulgação da Copa da Rússia tem sido o álbum de figurinhas do mundial. A peça contém 80 páginas bem ilustradas com figurinhas de atletas, estádios, símbolos, entre outros, totalizando 681 figuras. O álbum no mês de abril e maio virou febre nas ruas de Rio Branco, principalmente entre crianças e adolescentes. O Via Verde Shopping criou até mesmo uma sala especial para seus clientes trocarem figurinhas. Também é comum a troca de figurinhas pelos colecionadores do álbum na loja dos Supermercados Araújo da Isaura Parente (aos sábados à tarde) e também do Jarude Café (Supermercados Mercale).

Cronistas e sociólogo falam do desinteresse do torcedor

Na busca de identificar o desinteresse do torcedor brasileiro, em especial o acreano, pela Copa do Mundo da Rússia, o Jornal Opinião conversou com alguns cronistas esportivos, entre eles Kleiber Beltrão, presidente da Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace)e também como sociólogo Nilson Euclides.

KLEIBER BELTRAOKleiber Beltrão

O experiente narrador esportivo Kleiber Beltrão, 72 anos, presidente da Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace) e com formação no curso de economia e licenciatura plena em Matemática, justifica o desinteresse do torcedor brasileiro pela Copa do Mundo da Rússia a dois aspectos:

O primeiro, segundo ele, é avaliado sob o ponto de vista esportivo, onde o resultado da pesquisa é incoerente com relação ao desempenho da seleção na era Tite, reconhecido até mesmo pelos próprios adversários. Já o segundo ponto ele explica que está associado à insatisfação da sociedade em relação ao momento político, econômico e social que o Brasil atravessa no momento. O cronista disse que o desinteresse é uma forma de protesto em relação ao descaso do Governo no atendimento desses importantes segmentos.

FRANCISCO DANDAOFrancisco Dandão

Com mais de 30 anos no jornalismo esportivo e hoje escrevendo duas vezes por semana para esse diário, o cronista esportivo Francisco Dandão, 61 anos, fez a seguinte avaliação sobre a desmotivação do brasileiro para o Mundial da Rússia. “Prestes a começar mais uma Copa do Mundo, os torcedores brasileiros não dão sinal algum de empolgação. Aquela euforia que fazia as ruas, muros e calçadas do Brasil se vestirem de verde e amarelo em outros tempos não existe mais. Pelo menos não nessa Copa. Apesar da brilhante campanha nas Eliminatórias Sul-Americanas, apesar do ótimo comando do técnico Tite e apesar da reconhecida competência do grupo de jogadores, a seleção não é mais o centro das atenções. Seria o trauma dos 7 a 1 para a Alemanha na Copa passada? Seriam as agruras sociais do povo brasileiro? Seria a avacalhação geral do sistema político nacional? A resposta, nesse momento, está envolta em densa névoa de possibilidades. Que os cientistas sociais entrem em campo!

NILSON EUCLIDESNilson Euclides

O sociólogo Nilson Euclides, 54 anos, um dos principais cientistas políticos do estado, acredita que vários fatores estão influenciando para o distanciamento do torcedor brasileiro da sua seleção de futebol. Euclides aponta a decepção da última Copa ocorrida no país (derrota de 7 a 1 diante da Alemanha), a falta de uma identificação do jogador brasileiro com clubes e torcedores locais (são negociados cedo para o exterior) e ainda a crise política e econômica que vivencia o país.

No entanto, o cientista político acredita que o cenário desmotivante do torcedor pode mudar durante o transcorrer do mundial caso a seleção canarinho consiga fazer grandes apresentações.

O sociólogo finaliza afirmando que jamais a seleção canarinho voltará a empolgar o torcedor brasileiro como ocorreu nos mundiais das décadas anteriores, isso justificado pelo efeito da globalização, onde os grandes clubes mundiais hoje são reverenciados por torcedores de várias partes do planeta. “Vivemos um momento de transição no futebol mundial”, opina o sociólogo.

AUGUSTO DINIZAugusto Diniz

Com experiência na cobertura jornalística das Olimpíadas de Pequim (China) e visitas aos estádios da Copa da África do Sul, o jornalista Augusto Diniz, 50 anos, colaborador do Jornal Opinião (Giro Brasil) fez o seguinte comentário a respeito da pouca motivação do brasileiro para a Copa da Rússia. “O vexame na última Copa do Mundo no Brasil, quando tomou de 7 a 1 da Alemanha e depois perdeu da Holanda na disputa do terceiro lugar; todos os escândalos relacionados às obras do último Mundial no País; o caso Fifa envolvendo diretamente a CBF e seus parceiros; a falta de ligação cada vez maior do jogador brasileiro com o torcedor e o próprio país por que ele faz questão de ser vendido muito cedo para o exterior para conquistar sua independência financeira se lixando para o clube de formação; e a falta de bons jogadores referência dentro e fora de campo na seleção. Tudo isso virou uma barreira para o torcedor brasileiro mostrar interesse pela Copa”.

TV Gazeta e Acisa promovem “Minha rua é louca pelo Brasil”

Com objetivo de incentivar a participação do torcedor acreano nos jogos da seleção brasileira, a TV Gazeta em parceria com Associação Comercial do Acre (Acisa) estão realizando a promoção: “Minha rua é louca pelo Brasil”. Conforme Pedro Silva (Acisa), 14 ruas já estão inscritas na promoção e a véspera de cada jogo do Brasil um terço das ruas serão avaliadas por uma comissão organizadora. As duas ruas melhor avaliadas ganharão um kit churrasco (incluído bebidas). A promoção ainda destinará à rua campeã uma motocicleta e um show de uma banda local patrocinada pela prefeitura de Rio Branco. Pedro Silva acredita que a promoção será mais uma ferramenta de aproximação do torcedor local com a seleção do seu país, assim acreditando que a empolgação dos torcedores acreanos retorne a normalidade com o selecionado canarinho.

O jornalista e cronista esportivo Gabriel Rotta, diretor da TV Gazeta/Rede Record, explica que as ruas ornamentadas também terão suas imagens veiculadas na programação local da emissora. “Estamos felizes com a parceria firmada com a Acisa no sentido de ajudarmos a criar um clima de Copa do Mundo na nossa cidade”, explica Rotta.

Restando ainda seis inscrições para fechar o total de 20 ruas, os interessados em colocar sua rua na promoção podem procurar a Acisa ou ainda recepção da TV Gazeta/Rede Record.

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Acre celebra Dia Internacional da Biodiversidade com 87% de floresta nativa

A mudança do clima nos últimos anos resultou em uma nova agenda ambiental. Gestores do mundo inteiro se questionam como preservar sem frear o crescimento econômico e, ao mesmo tempo, garantir mais cidadania aos habitantes. Essa equação o governo do Acre solucionou ao apostar numa política de desenvolvimento sustentável.

Ao mesmo tempo em que eleva seus indicadores, como o Produto Interno Bruto (PIB) – quarto do país a apresentar maior crescimento acumulado (IBGE) –, o Estado tem estimulado o fortalecimento de uma produção diversificada nas áreas abertas e florestais. A fórmula socioeconômica, que agrega preservação e produção, tem resultado na frequente redução do desmatamento ilegal – 66% na última década.

Nesta terça-feira, 22, celebra-se o Dia Internacional da Biodiversidade. No Acre, a data é comemorada com 87% de floresta nativa, sendo 47,9% composto por área protegida – Unidade de Conservação e Terra Indígena. Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), o dia visa conscientizar sobre a importância da diversidade biológica, além da necessidade da proteção da biodiversidade em todos os ecossistemas do planeta.

Atualmente, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) estuda a consolidação de uma nova UC: Floresta Estadual da Gleba Afluente, situada entre Feijó e Manoel Urbano. Na categoria de uso sustentável, os 155,1 mil hectares de área poderão ser utilizados pelas famílias que residem na região, que já apresenta grande potencial produtivo florestal.

Cristina Lacerda, coordenadora do Departamento de Áreas Protegidas e Biodiversidade da Sema, observa a funcionalidade e relevância dessas regiões. “As UCs contribuem para a proteção das diversas formas de vida, sejam plantas, animais ou micro-organismos existentes dentro de seus domínios. Embora esse não seja o único ‘serviço’ que elas prestam ao mundo, trata-se da garantia de grande parte do equilíbrio dos ecossistemas.”

O processo de criação das unidades de conservação se expandiu com o ingresso da Frente Popular no Acre, fortalecendo-se em 2004 – implantação de quatros UCS. No ano seguinte, outras duas novas também foram legitimadas. Entre 2004 e 2017, o estado estendeu em 1.349.240,55 hectares seu território protegido.

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Floresta habitada, produtiva e conservada

Enquanto no Acre aproximadamente metade do território é composto por área protegida, o Brasil possui apenas 17% de território preservado por lei. Nessas áreas, além de assegurar a conservação e sobrevivência da fauna e flora, o governo acreano fomenta pesquisas, atividades econômicas extrativistas, manejos madeireiros e não madeireiros, concessão florestal, turismo de base comunitária, entre outros que contribuem efetivamente para a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD+), conservação da biodiversidade e dos recursos naturais.

Na Floresta Estadual do Antimary (FEA), localizada entre Sena Madureira e Bujari, por exemplo, o manejo madeireiro comunitário é um dos grandes potenciais produtivos e geradores de renda. Foi a primeira do país a receber o certificado internacional FSC (Conselho de Manejo Florestal) e realizar exploração de manejo, via concessão florestal. A atividade madeireira, promovida desde 2009, já gerou R$ 4 milhões aos comunitários da região.

“O manejo no Antimary tem garantido a preservação da floresta e gerado renda às famílias. A safra do ano passado rendeu 22 mil metros cúbicos de madeira legalizada e manejada. Outro local com grande potencial é o Complexo Estadual de Florestas do Rio Gregório, localizado no Vale do Juruá, que agrega três florestas públicas geridas pelo Estado. Estamos trabalhando, junto à comunidade, para que lá também seja realizada a concessão florestal”, explica o secretário de Estado de Meio Ambiente, Edegard de Deus.

As atividades extrativistas e a criação de pequenos animais também incrementam a renda familiar dos agricultores, extrativistas e indígenas acreanos. Compreendendo a importância de regenerar áreas abertas, agregando valor econômico e atuando na redução de áreas abertas, a gestão estadual desenvolveu os programas Florestas Plantadas e Fruticultura, que estimulam o cultivo de espécies de árvores – frutíferas e florestais – com alto valor de mercado.

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Ser Mãe…

É a missão de maior responsabilidade. É amar de forma mais completa. É dar o melhor de si e não esperar nada em troca… À ela devemos nossa vida pois é merecedora de todo nosso respeito e digna de todo nosso afeto. Mãe é sinônimo de amor e bondade. Falar das mães é falar de Deus, pois no coração delas está o verdadeiro amor. Amor que poderia até ser usado como exemplo, amor que se dá sem pedir recompensa. Sem cobrança, sem distinção, sem egoísmo e até sem medir distância, nunca deixa de ser amor. E para celebrar esse dia especial comemorado nesse domingo (13), a coluna Circulando homenageia todas as mães desse lindo Brasil, em nome de todas que estão nessa postagem. Feliz Dia das Mães!

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A Voz das Selvas, uma sentinela dos povos da floresta amazônica

Apesar de todas as mídias existentes e possíveis. Apesar dos milhares de recursos de transmissão oferecidos por meio da internet, nenhum outro meio de comunicação é tão eficiente do que o Rádio. Esse dinossauro da difusão humana, sem dúvidas, ainda é o mais eficiente, por alcançar famílias inteiras em locais, muitas vezes, remotos do planeta, como costuma ser na Amazônia.

Em comemoração ao Dia Mundial do Rádio, celebrado hoje, OPINIÃO traz um pouco do cotidiano dos profissionais da Rádio Difusora Acreana, também conhecida por ‘A Voz das Selvas’, frase que por si só revela o potencial da emissora de atingir grandes distâncias nos rincões amazônicos.

Em algum lugar no interior da floresta, o céu está fechado. Por muitas horas, a chuva de inverno castiga a casinha feita de madeira de Paxiúba, coberta de palhas de Ouricuri, fazendo o dia virar noite. No meio de relampejos e da mata fria, a família do pequeno extrativista Roberto Matos se acomoda junto a vizinhos de colocação, para ouvir pelo Motorádio a pilhas, o programa ‘Mensageiro Difusora’.

E lá se vão os mais variados comunicados radiofônicos, a maioria de recados simples, porém de uma importância imensurável para quem está encrustado na mata. Alguns são para dizer que a cirurgia do compadre foi bem-sucedida. Outras para anunciar que resolveram demandas, e tudo mais o que for preciso dizer desde a cidade a quem está a milhares de distância do mundo moderno, à espera de uma reposta.

Programas como o ‘Gente em Debate’, por exemplo, são líderes de audiência ao abranger praticamente todo o interior do estado, e comunicar por até duas horas ininterruptas, conteúdos de todas as editorias: desde mundo à economia e cotidiano local.

Aliás, essa interação com a comunidade, sobretudo, com as famílias de seringueiros e pequenos extrativistas espalhados pelos rincões da selva, está em sintonia com o que recomenda a Unesco, instituição da Organização das Nações Unidas que incentiva uma maior participação das comunidades nas políticas e planejamento de radiodifusão. O tema para a edição do Dia Mundial do Rádio de 2017 é ‘O Rádio é Você’.

“Numa época em que a própria ideia da verdade está cada vez mais sendo questionada, o rádio está numa posição privilegiada para unir as comunidades e promover um diálogo positivo pela mudança”, diz Tom Francis, especialista de programa da Unesco para o Desenvolvimento Midiático e Sociedade. Completa que o rádio “nos faz lembrar da importância de ouvir uns aos outros novamente”.

É como lembra o diretor-geral da Rádio Difusora, o jornalista Washington Aquino, à frente dos microfones da emissora há 33 anos: “Nenhum outro meio de comunicação alcança tantas pessoas de uma maneira muito eficiente e prática que o rádio. E para nós, o foco é justamente o interior, aquelas pessoas mais humildes com quase nenhum recurso para a informação que não um radinho de pilhas”.

O front da notícia já não tem mais repórter

“Bom dia. Estamos começando mais um jornal Difusora. Ao povo cruzeirense, a nossa solidariedade neste momento difícil por causa da alagação. Chamamos Nonato Costa, desde Cruzeiro do Sul, com as últimas informações sobre a enchente”.

A chamada acima, do jornalista Júnior César, abriu o noticiário da última sexta-feira, 10. Há 22 anos no rádio, ele coleciona uma série de situações do cotidiano, guardadas até hoje na memória. Reconhece que a vida foi facilitada pelas novas tecnologias, mas lamenta-se de algumas transformações, com o por exemplo, a quase ausência do repórter no front da notícia, como acontecia na década passada.

“Hoje, quase não vamos mais ao cenário do acontecimento porque está quase tudo ao seu alcance pelo WhatsApp. Me refiro ao aplicativo como um canal direto entre as pessoas da periferia e o repórter, seja para reclamar de um serviço, seja para informar mesmo. Então, o contato direto com a pauta já quase não existe”, pontua César.

O ponto positivo foi a instantaneidade da notícia e a rapidez com que ela vai para o ar. Antes, Júnior César trabalhou na Rádio Alvorada, na década de 1990, onde usava gravador-cassete e a máquina Olivetti.

Júnior César conta que um calhamaço de papel, interconectados por carbono, compunha a reportagem datilografada. As várias cópias eram necessárias para que na apresentação do radiojornal, locutores e equipes técnicas entrassem em sintonia. Além disso, rolos de fitas no gravador Akai dificultavam o conserto de um erro, antes do material ir para o ar.

“Hoje, por meio de um netbook sobre a mesa, no estúdio, nós interagimos perfeitamente com o mundo e com os nossos ouvintes”, diz ele.

E como foi no surgimento da televisão, quando pensava-se que o rádio iria acabar, o mesmo aconteceu com o aparecimento da internet. A rede mundial que conecta bilhões de pessoas, todos os dias, na verdade, tornou-se um aliado forte do rádio. Hoje, aplicativos como o Shout Cast, que vem ‘casado’ com muitas ‘smart TVs’, possibilita acesso a milhares de rádios, de diferentes categorias, no mundo inteiro. E a televisão, a internet e o rádio casaram-se numa espécie de relação poligâmica que só trouxe benefícios à comunidade e tranquilidade aos jornalistas.

‘Ternurinha’ e ‘Gogó de Ouro’ no museu

Grandes profissionais como Eliseu Andrade, Ilson Nascimento, Zezinho Melo, Nilda Dantas e J. Simplício, ou fazem parte da equipe Difusora, ou já deram a sua contribuição e se inseriram para sempre no hall dos grandes nomes do rádio.

Numa das salas da rádio, um acervo de pelo menos 250 itens compõe o museu. E vão desde a LPs de Lindomar Castilho e Teixeirinha aos aparelhos Akai tão arcaicos quanto os gravadores de mão para fitas cassetes.

Ali, é possível ver Nilda Dantas à estilo Greta Garbo, em vestido de gala, ao lado de Zezinho Melo. Ela a ‘Ternurinha’. Ele, o ‘Gogó de Ouro’ do rádio, durante a cobertura de Carnaval no final da década de 1970. Nesta época, a Difusora tinha até programas de auditório.

Dentro de um balcão envidraçado, há cartões-postais enviados pelos Correios ainda nos anos 1980, de locais como Dortmund, Viena e Amsterdã. E existe até uma foto da rainha Silvia, da Suécia, com a família real. Os cartões foram enviados por ouvintes a mais 10 mil quilômetros do Acre, numa época que jamais sonhava-se com e-mails, embora as ondas da Voz das Selvas tenham chegado às essas áreas.

Relatos de uma época de singularidade do rádio acreano

Ilson Nascimento, o Ilson ‘Maninha’, 67 anos, é diretor de jornalismo. Está na Difusora há 38 anos e recorda-se de momentos históricos, alguns que abalaram os acreanos, como foi a morte do governador Edmundo Pinto, em 1987.

“No dia em que o corpo chegou de São Paulo, o clima era de muita tristeza nas ruas. E particularmente, para nós, da rádio, foi terrível porque éramos acostumados a tê-lo aqui com a gente. Ele vinha sempre nos visitar e era querido por todos”, relembra Maninha, cujo apelido ganhou do saudoso jornalista José Chalub Leite.

Júnior César, por sua vez, recorda-se do dia que se encontrou com uma ouvinte na rua que o imaginava como um homem forte e loiro. Quando ela viu o jornalista indo para a fonia do carro, onde passaria um flash, disse: “Você que é o Júnior César! Não é o que o Bimbi fala no Mundo Cão. Pensei que você fosse mais alto, loiro mais bonito, ave Maria!”