Rio Branco
27°C
sexta-feira, 6 de novembro de 2026
20:56

Mercado do Bosque: suas delícias e histórias

Mercado do Bosque: suas delícias e histórias

Com 52 anos de existência, o Mercado do Bosque – desde 2002, denominado jornalista Álvaro Rocha é único da capital acreana, que funciona 24 horas. No lugar é garantido encontrar café da manhã, almoço, lanche e jantar e é local onde os notívagos gostam de encerrar as noitadas com a famosa baixaria e os mingaus de banana e farinha de tapioca, além de outras delícias regionais.

As ampliações e reformas recentes, deram ao espaço um ar mais elegante, mas o charme dos ares de mercado, se revela em cada canto. Nas paredes os quadros mostram as receitas de todas as comidas tradicionais comercializadas, como o quebi de arroz ou macaxeira, que guarda a história de adaptação culinária da Arábia para a Amazônia.

Além da culinária das cafeteiras e das pensões, no Mercado do Bosque, também há empreendimentos – 75 no total, como a oferta de serviços – concertos de relógios, celulares e joias, salões de beleza, e comércios de confecção e pequenos objetos. A obra de ampliação e reforma, padronizou todo o Mercado.

O conforto de quem trabalha e dos usuários do Mercado, depois da reforma, aumentou, o que trouxe também de volta antigos clientes e atraiu novos.

mercado002

No Acre o quibe Árabe virou quebi

Quando os árabes chegaram no Acre – ainda durante a Revolução Acreana, no início do século passado, trouxeram os hábitos seus hábitos alimentares, como o quibe de trigo, e o charuto enrolado com a folha da parreira, artigos que até então só chegava importado no Acre.

Com a criatividade acreana, as adaptações foram feitas e o quibe virou quebi e em vez do trigo, passou a ser feito com o que havia em abundância por aqui, a macaxeira e o arroz. E no charuto, em vez da parreira, passou a ser enrolado com folha de couve.

Ainda de acordo com o historiador Marcos Vinícius das Neves, nas décadas de 30 e 40, há a consolidação dessas adaptações, “que ganham as cidades á medida quem que os árabes se fixam em várias partes do Acre”.

E um dos carros chefes da colunaria do Mercado do Bosque é o quebi. Uma única banda de cafeteira no Mercado no Bosque chega a vender diariamente, 150 quebis de arroz e macaxeira. As 13 cafeteiras juntas vendem quase dois mil quebis por dia. Seu Moizaniel Ferreira, conta que ele e os familiares se revezam para manter a banca aberta 24 horas e cita que “todos fazem quebi, a produção não pode parar. A gente faz e frita quebi o dia todo e a noite também”.

A professora Yasmim, conta que come quebi quase toda tarde no Mercado do Bosque, onde também almoça. “ O quebi é grande, quase um palmo, com muita carne dentro”, ressalta.

De manhã, a pedida é a baixaria, a mistura de cuscuz com ovos, carne e muito cheiro. O militar Jacó, que veio com a família de Minas Gerais e mora no Acre há quase dois anos, diz que à primeira vista, o prato o atraiu e ele gostou muito. “Em Minas se come tudo isso, mas separadamente. Aqui é tudo junto e fica ótimo, só achei estranho o nome”, cita.

Existem muitas e diferentes versões para o surgimento da “baixaria” no Mercado do Bosque. Uma das histórias contadas diz que um peão de fazenda chegou ao Mercado com muita fome e pediu: “o que a senhora tem para comer aí?”. A mulher da pensão teria feito uma mistura de tudo o que havia disponível. Fez o prato bem surtido com pão de milho, ovo, carne e o que tudo mais que tinha e o sujeito comeu como um príncipe. Ao final, com o prato vazio à frente, o peão perguntou “quanto foi essa baixaria toda aqui?”. E, desde esse dia, o nome do prato, que recupera boêmios e fortalece trabalhadores, ficou sendo baixaria.

A médica Camila Pascoal, diz que antes já frequentou o Mercado depois de saídas a noite, e “agora geralmente venho quando fico a noite toda estudando e preciso de um reforço como a baixaria ou uma tapioca recheada com carne e verduras.

E a tarde, haja frio ou calor, o acreano gosta do tacacá e rabada no tucupi, também comercializados no Mercado do Bosque. O autônomo Jonatas Silva, diz que “mesmo suando eu tomo tacacá pelo menos duas vezes por semana aqui”.

mercado008

mercado003

“Formei meus filhos com o dinheiro do mercado”

No Mercado do Bosque, há muitos empreendimentos familiares e histórias fortes como de D. Francisca e da Toinha. D. Francisca de Assis, de 72 anos, conta que dos 10 filhos, conseguiu formar 5 com o dinheiro que ganha vendendo frutas, verduras e outros itens no Mercado do Bosque. “Chego aqui às 3 da manhã todo dia há 32 anos. Isso aqui é minha vida e graças a esse trabalho tenho filho advogado, enfermeiro, professor” .

Antônia Rodrigues, mais conhecida como Toinha, também está há 32 anos no Mercado. Conta que trazia os filhos pequenos para o local, onde vende café da manhã. “ Tinha horas que eles me ajudavam, mas ficavam cansados e dormiam num cantinho da banca. Mas com muito trabalho aqui, muitas madrugadas, eu consegui formar dois filhos médicos, e uma irmã também médica, tudo particular. Tudo que eu tenho, casa, carro e agora esse novo empreendimento, devo ao Mercado do Bosque. Isso aqui agora é um paraíso, antes erra sujo e mal cuidado pelo poder público”, conclui ela.

mercado004

Charuto que ganho folha de couve agora também é servido com tucupi

E as inovações e adaptações do acreano seguem. Depois de trocar a folha da parreira pela de couve na hora de enrolar o charuto, o acreano “inventou” mais uma: o charuto é servido com todos os itens do tacacá: caldo de tucupi, folhas de jambu e camarão.

Agora, uma das grandes pedidas da Banda do Dete, no Mercado do Bosque, é o charuto com tucupi e muito camarão. Dete diz que vende 50 cuias de tacacá por dia e serve 50 charutos com tucupi. “Comecei a servir com o tucupi há uns dois anos. No começo eram menos pedido, mas agora todo mundo só quer o charuto com tucupi, folhas de jambu e muito camarão”.

O servidor público, Douglas Assem, conta o motivo da preferência. “Eu já gostava do charuto, que é um quitute saldável, sem fritura. Aí provei o charuto com os itens do tacacá, como o caldo, e aprovei. É uma refeição completa: eu como aqui no fim da tarde e não janto mais e nem sinto fome”.

mercado007

mercado005

mercado009

Cuidados

Como o Marcado do Bosque funciona 24 hortas, o trabalho de manutenção garantido pela prefeitura de Rio Branco, acompanha o ritmo, como na limpeza e segurança.

A exemplo dos outros dez Mercados Municipais administrados pela prefeitura, no Mercado do Bosque, é o poder público municipal que garante o transporte de produção agrícola, limpeza, manutenção de energia elétrica e água e vigias. A gestão dos mercados municipais é feita por meio da secretaria de Floresta e Agricultura – SAFRA, que mantem equipe com mais de 150 servidores nos mercados.

A prefeita Socorro Neri, que faz constantes visitas de avaliação de funcionamento aos mercados municipais, ressalta que o “ objetivo da gestão municipal é manter os mercados com suas características próprias e atuar no sentido de garantir aos usuários e trabalhadores, toda a estrutura necessária para que os mercados continuem sendo locais de encontro das famílias rio-branquense, seja para compras, serviços ou degustação dos nossos pratos regionais”.

mercado006

deneme bonusujojobetjojobetganobetkavbetgüvenilir bahis siteleritürkiye yasal bahis sitelerigüvenilir bahis sitelerijojobetGrandPashabet Güncel girişgrandpashabet güncel girişgrandpashabet girişcasino sitelerislot sitelerigüvenilir bahis sitelerigüvenilir bahis sitelerijojobetjojobet girişjojobetjojobet girişGrandpashabetGrandpashabetjojobetgüvenilir bahis sitelerigüvenilir bahis sitelerijojobetjojobet girişjojobet güncel girişjojobetjojobet girişjojobet güncel girişjojobetjojobet girişjojobetjojobet girişjojobetjojobet girişjojobetjojobet girişjojobetjojobet girişjojobetjojobet girişjojobetjojobet girişjojobetjojobet girişkahraman haber