Bolsonaro retira indicação de Crivella para embaixador na África do Sul

Consulta formal ficou quase seis meses sem resposta, o que indica objeção à designação de ex-prefeito do Rio

Quase seis meses após indicar o ex-prefeito Marcelo Crivella para a embaixada do Brasil na África do Sul, o governo Jair Bolsonaro retirou oficialmente o pedido de designação junto às autoridades sul-africanas.

A indicação de Crivella —bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus— dependia do aval do governo da África do Sul, o que não ocorreu. O chamado pedido de agrément, consulta formal em que o Brasil pediu autorização de Pretória para nomear Crivella embaixador, foi ignorado pelo governo liderado por Cyril Ramaphosa.

Na linguagem diplomática, um agrément que fica sem resposta significa que o escolhido não foi aceito pelo país anfitrião.

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O presidente Jair Bolsonaro ao lado do então prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, durante inauguração da Escola Municipal Cívico-Militar Carioca – Marcos Corrêa – 14.ago.20/Presidência da República

Diante disso, o Brasil comunicou a chancelaria sul-africana que decidiu retirar o pedido de agrément. De acordo com interlocutores, não foi enviado pedido de agrément para um novo embaixador.

A escolha de Crivella para chefiar a missão diplomática na África do Sul foi costurada como um agrado de Bolsonaro à Igreja Universal. O grupo religioso vinha se queixando do pouco empenho do governo Bolsonaro na defesa dos interesses da Universal em países africanos, principalmente em Angola.

A Universal angolana vive um racha. Religiosos locais se rebelaram e passaram a acusar lideranças brasileiras de crimes financeiros.

De acordo com interlocutores, a resistência da África do Sul em dar luz verde para Crivella tem relação com a situação em Angola e Moçambique. As autoridades dos dois países fizerem chegar a Pretória o receio que o ex-prefeito do Rio transformasse a missão diplomática num posto avançado da Universal no território africano.

Ao longo dos últimos meses, foram feitas tentativas diplomáticas de convencer os sul-africanos a aceitar Crivella. Sem sucesso.

Em 7 de outubro, numa chamada telefônica mantida fora da agenda, Bolsonaro fez um apelo direto a Ramaphosa pela aceitação de Crivella.

O líder sul-africano deu uma resposta evasiva e disse que a decisão sobre Crivella caberia ao seu ministério das Relações Internacionais e Cooperação.

O posicionamento de Ramaphosa foi lido no Itamaraty como o mais forte sinal de que o nome de Crivella enfrentava fortes objeções.

Com a designação bloqueada, a embaixada do Brasil na África do Sul pode permanecer sob o comando de um encarregado de negócios. Isso porque o embaixador Sérgio Danese, que comanda o posto, foi designado como novo chefe da missão diplomática do Brasil em Lima (Peru).

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Universidade Federal do Acre recebe visita de embaixador palestino Ibrahim Alzeben

A reitora em exercício da Universidade Federal do Acre (Ufac), Ednaceli Damasceno, recebeu a visita do embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, na manhã desta terça-feira, 25, no gabinete da reitoria. Durante a reunião, foi promovido o encontro do representante palestino e do refugiado da Faixa de Gaza, Montaserbelah Alshawwa, que mora há três anos no Acre.

O embaixador participa, à noite, como palestrante, do Seminário “Direito Internacional e a Resolução Nº 181 da ONU: como promover uma solução pacífica do conflito em Israel e Palestina?”, promovido pelo curso de Direito da Ufac. O evento será realizado no Teatro Universitário, às 19 horas, no campus-sede, em Rio Branco.

A presença do embaixador da Palestina no Brasil está no contexto da comemoração dos 70 anos da Resolução Nº 181 da Organização das Nações Unidas (ONU), que trata da partilha da Palestina. Um plano que foi aprovado em 29 de novembro de 1947 pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

O embaixador explicou que o objetivo da palestra é entregar nas mãos dos estudiosos de direito alguns instrumentos de investigação que ajudam a compreender um conflito que tem quase cem anos e ainda está sem solução.

“É uma questão que leva quase um século, aguardando justiça, solidariedade e compreensão, além de uma ação coletiva de pessoas especializadas. Por isso, é preciso aproveitar um público formado, em sua maioria, por juristas para debater o tema”, disse.

Com projeto do governo, jovens do Assentamento Porto Dias apresentam ateliê de gamelas para embaixador da União Europeia

O Ateliê da Associação Seringueira Porto Dias recebeu no último sábado, 25, a ilustre visita do embaixador da União Europeia no Brasil, João Gomes Cravinho, que cumpriu agenda no Acre durante a semana em um evento que reuniu diversas autoridades numa troca de conhecimentos.

De origem portuguesa, o embaixador destacou que realiza no Brasil um trabalho de promoção na área de ciência e tecnologia, além de comércio e inovação, apoiando o chamado “comércio justo”, para dar valor a pequenos produtores.

“A impressão que fica é de que as comunidades que vivem nas áreas mais isoladas do Acre têm um enorme potencial com que trabalhar. Isso significa que é possível viver longe das áreas urbanas e criar uma vida sustentável, compensadora, mobilizadora e gratificante para os jovens”, disse o diplomata.

Sendo a última área de floresta bruta de Acrelândia, o Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) do Porto Dias, além de um projeto de manejo sustentável, inovou em criar uma opção artística e rentável dentro da economia criativa para os jovens que ali residem através da confecção de gamelas.

O projeto executado pelo Ateliê da Associação Seringueira Porto Dias (ASPD) é promovido pelo plano de gestão do governo do Estado, por meio da secretaria de Meio Ambiente /BID/PDSA-II, idealizado pelo gabinete da primeira-dama Marlúcia Cândida em parceria com a coordenação do artesanato da Secretaria de Pequenos Negócios (SEPN) e Sebrae.

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O uso sustentável

Aproveitando resíduos madeireiros do manejo da PAE, o projeto, que começou com cerca de 20 jovens, ensinou a arte da confecção de gamelas, peças fabricadas com técnicas de entalhe em madeira (bálsamo vermelho), design único, inovador e sustentável, resultando em produtos elegantes mesmo com um traço mais rústico.

“A gente está encerrando essa primeira etapa que foi de estruturação do ateliê e da cadeia, mas estamos prevendo mais um tempo de acompanhamento, já que é uma iniciativa nova, que trabalha com jovens. Só vamos nos ausentar quando tivermos certeza que eles estão dominando todos os processos, desde a produção, até a comercialização e administração do empreendimento de maneira geral”, conta Otávio Marangoni, coordenador do projeto dentro do assentamento.

Pela primeira vez no Acre e conhecendo o trabalho dos jovens artesãos do assentamento Porto Dias, o embaixador João Gomes Cravinhos ficou bastante admirado com o que viu e conta que esta é uma oportunidade de procurar maneiras de realizar atividades conjuntas.

“Vi o trabalho notável que estão fazendo com restantes de madeira e estou seguro que na Europa há um mercado interessante para essas peças e quero ver como posso fazer o casamento entre o que está sendo feito aqui e quem pode comprar lá”, completou o embaixador da União Europeia.

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Nova oportunidade

O objetivo do projeto é qualificar os jovens do assentamento em técnicas inovadoras, além de mostrar para a comunidade extrativista e rural que é possível viver na floresta preservando o meio ambiente e promovendo o seu sustento.

A jovem Daiane Correia, de quase 20 anos, encontrou no projeto a esperança de continuar ao lado da família. Aos 18 anos, ela se viu com a necessidade de mudar para a capital em busca de emprego para ajudar na renda familiar. Sem conseguir, voltou para casa dos pais em visita e conheceu o projeto. Daiane abraçou a chance e a visita virou a oportunidade que queria para não ir mais embora.

“Eu cheguei no dia que os equipamentos estavam sendo entregues e pensei : ‘Caraca, que legal, vai ter emprego aqui’. Aí meu pai chegou e perguntou: ‘Tem mais uma vaga no projeto. Tu não quer ficar não?’. Eu me perguntei se tinha capacidade de aprender uma coisa dessas e fiquei. E eu agradeço muito essa oportunidade que veio aqui para Porto Dias, porque somos uma comunidade pequena, mas isso tá ajudando muitas pessoas”, revela Daiane.

Embora ainda na busca pela consolidação, o projeto de confecção das gamelas é bastante atrativo. A atividade, que não agride o meio ambiente, gera peças que podem ser vendidas de R$ 450 a R$ 800, com sucesso garantido em feiras, além de espaço na futura loja de artesanato organizada pela SEPN, que tem investido na apresentação desses produtos no mercado.

“Estamos dando esse apoio para unir e fortalecer o processo produtivo com a inserção no mercado. Estamos abrindo novos nichos, apresentando potenciais clientes para esse grupo de Porto Dias e também temos propiciado a participação em feiras. Lançamos recentemente o edital do Fundo Especial de Artesanato, onde o Estado estará adquirindo peças por chamamento público, além de participar da loja que inauguraremos em novembro”, destaca a secretária adjunta de Pequenos Negócios, Marilda Brasileiro.

Embaixador da Copa vive inferno astral e é barrado de Mundial em casa

artigo autorDenis Glushakov, 31, foi titular da Rússia em todos os jogos da Copa das Confederações de 2017 e presença garantida em praticamente todas as convocações do técnico Stanislav Cherchesov desde que ele assumiu a seleção em agosto de 2016. Um homem de confiança do treinador.

Ainda assim, o capitão do Spartak Moscou ficará fora da Copa do Mundo caso nada de extraordinário aconteça dentro dos próximos dias.

Mesmo sem nenhum tipo de problema físico, Glushakov foi incluído apenas na lista de 35 jogadores para o Mundial e não participa dos treinamentos que a seleção iniciou na sexta-feira (17), com 28 atletas.

Um duro golpe para o volante que era dado como certeza absoluta na seleção anfitriã – ele disputou as Eurocopas de 2012 e 2016 e a Copa de 2014.

Sua presença era tão certa que é um dos garotos-propaganda da Adidas para divulgação da camisa da equipe e embaixador da cidade de Rostov-do-Don.

Apenas na lista reserva, Gluhsakov vive uma espécie de inferno-astral que começou na semifinal da Copa da Rússia entre Spartak e Tosno, em 14 de abril.

Com o jogo empatado em 1 a 1, perdeu um gol da marca do pênalti cara a cara com o goleiro rival no último lance da prorrogação.

Para piorar, na disputa de pênaltis perdeu o pênalti que acabou custando a eliminação.

Depois disso, de três jogos da equipe, não foi relacionado para dois e em um ficou apenas no banco. Sua ausência virou mistério.

A escolha de Cherchesov sacramentou o mal momento.

“A decisão não foi tomada em um segundo. Ele é um jogador muito importante. Mas fizemos muitas observações. Anotar ou não um pênalti não é um fator-chave. Olhamos um conjunto de jogos e seu estado em campo”, justificou o treinador na entrevista coletiva de convocação, sem dar mais detalhes.

Depois, em conversa com o jornal Sport Express afirmou que teve uma conversa particular com o atleta.

“Expliquei os motivos. Ele pode concordar ou não, mas não podem ficar mal-entendidos. Ele me entendeu. Agora, precisa se recuperar psicologicamente”, disse Cherchesov.

Mesmo fora dos treinos, Glushavok foi aconselhado a seguir um programa de treinos para em caso de urgência ser chamado.

O jogador não deu qualquer declaração desde que a convocação foi divulgada. Na quinta-feira, postou no Instagram uma foto sua com a camisa da seleção no qual dizia ter passado o dia todo treinando. Ele aparece ao lado de Dmitri Kombarov, companheiro de Spartak, e outro que ficou fora da lista de 28 atletas após ser dado como nome certo no Mundial.


Fábio Aleixo é Colunista