O Ateliê da Associação Seringueira Porto Dias recebeu no último sábado, 25, a ilustre visita do embaixador da União Europeia no Brasil, João Gomes Cravinho, que cumpriu agenda no Acre durante a semana em um evento que reuniu diversas autoridades numa troca de conhecimentos.
De origem portuguesa, o embaixador destacou que realiza no Brasil um trabalho de promoção na área de ciência e tecnologia, além de comércio e inovação, apoiando o chamado “comércio justo”, para dar valor a pequenos produtores.
“A impressão que fica é de que as comunidades que vivem nas áreas mais isoladas do Acre têm um enorme potencial com que trabalhar. Isso significa que é possível viver longe das áreas urbanas e criar uma vida sustentável, compensadora, mobilizadora e gratificante para os jovens”, disse o diplomata.
Sendo a última área de floresta bruta de Acrelândia, o Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) do Porto Dias, além de um projeto de manejo sustentável, inovou em criar uma opção artística e rentável dentro da economia criativa para os jovens que ali residem através da confecção de gamelas.
O projeto executado pelo Ateliê da Associação Seringueira Porto Dias (ASPD) é promovido pelo plano de gestão do governo do Estado, por meio da secretaria de Meio Ambiente /BID/PDSA-II, idealizado pelo gabinete da primeira-dama Marlúcia Cândida em parceria com a coordenação do artesanato da Secretaria de Pequenos Negócios (SEPN) e Sebrae.

O uso sustentável
Aproveitando resíduos madeireiros do manejo da PAE, o projeto, que começou com cerca de 20 jovens, ensinou a arte da confecção de gamelas, peças fabricadas com técnicas de entalhe em madeira (bálsamo vermelho), design único, inovador e sustentável, resultando em produtos elegantes mesmo com um traço mais rústico.
“A gente está encerrando essa primeira etapa que foi de estruturação do ateliê e da cadeia, mas estamos prevendo mais um tempo de acompanhamento, já que é uma iniciativa nova, que trabalha com jovens. Só vamos nos ausentar quando tivermos certeza que eles estão dominando todos os processos, desde a produção, até a comercialização e administração do empreendimento de maneira geral”, conta Otávio Marangoni, coordenador do projeto dentro do assentamento.
Pela primeira vez no Acre e conhecendo o trabalho dos jovens artesãos do assentamento Porto Dias, o embaixador João Gomes Cravinhos ficou bastante admirado com o que viu e conta que esta é uma oportunidade de procurar maneiras de realizar atividades conjuntas.
“Vi o trabalho notável que estão fazendo com restantes de madeira e estou seguro que na Europa há um mercado interessante para essas peças e quero ver como posso fazer o casamento entre o que está sendo feito aqui e quem pode comprar lá”, completou o embaixador da União Europeia.

Nova oportunidade
O objetivo do projeto é qualificar os jovens do assentamento em técnicas inovadoras, além de mostrar para a comunidade extrativista e rural que é possível viver na floresta preservando o meio ambiente e promovendo o seu sustento.
A jovem Daiane Correia, de quase 20 anos, encontrou no projeto a esperança de continuar ao lado da família. Aos 18 anos, ela se viu com a necessidade de mudar para a capital em busca de emprego para ajudar na renda familiar. Sem conseguir, voltou para casa dos pais em visita e conheceu o projeto. Daiane abraçou a chance e a visita virou a oportunidade que queria para não ir mais embora.
“Eu cheguei no dia que os equipamentos estavam sendo entregues e pensei : ‘Caraca, que legal, vai ter emprego aqui’. Aí meu pai chegou e perguntou: ‘Tem mais uma vaga no projeto. Tu não quer ficar não?’. Eu me perguntei se tinha capacidade de aprender uma coisa dessas e fiquei. E eu agradeço muito essa oportunidade que veio aqui para Porto Dias, porque somos uma comunidade pequena, mas isso tá ajudando muitas pessoas”, revela Daiane.
Embora ainda na busca pela consolidação, o projeto de confecção das gamelas é bastante atrativo. A atividade, que não agride o meio ambiente, gera peças que podem ser vendidas de R$ 450 a R$ 800, com sucesso garantido em feiras, além de espaço na futura loja de artesanato organizada pela SEPN, que tem investido na apresentação desses produtos no mercado.
“Estamos dando esse apoio para unir e fortalecer o processo produtivo com a inserção no mercado. Estamos abrindo novos nichos, apresentando potenciais clientes para esse grupo de Porto Dias e também temos propiciado a participação em feiras. Lançamos recentemente o edital do Fundo Especial de Artesanato, onde o Estado estará adquirindo peças por chamamento público, além de participar da loja que inauguraremos em novembro”, destaca a secretária adjunta de Pequenos Negócios, Marilda Brasileiro.


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