Surpreende como a CBF passa imune à Lava-Jato

A Lava-Jato à beira de provocar uma convulsão no sistema político por conta de recebimento de caixa 2 de inúmeros agentes de interesse, surpreende a CBF não ter sido citada (ainda) como financiadora ilegal de campanha.

Uma operação da Polícia Federal, chamada Durkheim, em 2012, levou a uma ação de busca e apreensão na casa de Marco Polo Del Nero – na época ele era presidente da Federação Paulista de Futebol e um dos vices da CBF. Da operação foi identificado em arquivos recolhidos em equipamentos eletrônicos na residência do cartola, pelo menos um suspeito de ter tido financiamento de campanha eleitoral não declarado na Justiça Eleitoral.

O assunto foi tratado na última CPI do futebol do Congresso. Existe, por exemplo, indício de recursos ilegais a Gustavo Dantas Feijó, então candidato às eleições municipais de 2012 em Alagoas – o cartola acabou eleito na cidade de Boca do Mato (e reeleito ano passado). Feijó tinha sido presidente da Federação Alagoana de Futebol e depois se tornou também vice da CBF na época em que Del Nero assumiu o cargo de presidente da entidade em 2015.

Na troca de um dos e-mails no material recolhido pela PF entre Del Nero e Feijó, o segundo apresenta um orçamento para campanha muito maior ao que foi declarado oficialmente como gasto durante o período eleitoral. Neste e-mail, o político até diz que tinha conversado com Ricardo Teixeira (então presidente da entidade) sobre a participação financeira da CBF na sua eleição em Boca do Mato.

Isso é um exemplo de uma prefeitura em um pequeno município de pouco mais de 20 mil habitantes no interior do País. Não se sabe ao certo a verba liberada ilegalmente pela CBF ao político alagoano, mas pelos documentos divulgados pode ter alcançado algo em torno de 500 mil reais, naquela eleição.