Pelo menos R$ 29 milhões devem ser ressarcidos à nação indígena ashaninka, por madeireiros que por décadas exploraram ilegalmente as florestas da terra indígena do rio Amônia, na região de Marechal Thaumaturgo, na fronteira do Brasil com o Peru.
A destruição das áreas em ações ilegais de madeireiros de Cruzeiro do Sul era objeto de ação na justiça movido pela Associação Ashaninka do Rio Amônia ainda em 1996.
No último dia 6 deste mês foi publicada decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o STF, que nega o último recurso protocolado pelos réus, o ex-governador Orleir Cameli, já falecido, e os empresários Marmud Cameli e Abraão Cândido.
No site da Associação Apiwtxa, instituição que representa o povo ashaninka, a decisão do STF foi comemorada.
“Obtivemos um triunfo no Supremo Tribunal Federal para os Índios Ashaninkas da fronteira do Brasil com o Peru, região do Alto Juruá, considerada uma das áreas com maior biodiversidade no mundo”, afirma a nota.
“No Supremo, defendemos a associação dos índios numa ação indenizatória contra madeireiros que, durante a década de 80, promoveram a destruição da floresta, a escassez de animais, poluíram os rios e levaram uma série de doenças que ocasionaram o momento mais trágico da história da comunidade. A justiça é lenta, mas hoje podemos comemorar uma decisão histórica para os povos da Amazônia!”, completa o comunicado.
A ação pedia indenização por dos danos ambientais causados entre 1981 e 1986, o equivalente a valores da época de quase R$ 1 milhão no corte e retirada de cedro e de mogno.
Povo recebe prêmio Equatorial das Nações Unidas, em Nova York
A Associação Ashaninka do Rio Amônia recebeu na noite deste domingo, 17, o Prêmio Equatorial, no Town Hall Theatre, em Nova York. A cerimônia premiou as 15 melhores iniciativas nas áreas de soluções sustentáveis que visem à proteção e à promoção de pessoas, de comunidades, e do meio ambiente.
A Apiwtxa, como é chamada a associação do povo ashaninka da região do Vale do Juruá, foi vencedora do prêmio em reconhecimento às diversas iniciativas na área de reflorestamento e na conservação da floresta Amazônica.
A etnia do Acre foi uma das cinco organizações ganhadoras na categoria Floresta, junto a também vencedora Associação Terra Indígena do Xingu.
Segundo informa a associação Apiwtxa, um dos pontos fortes para este reconhecimento foram “as atividades do ‘Centro de Saberes da Floresta’, construído pela própria comunidade, bem como sua atuação junto a comunidades indígenas e extrativistas vizinhas, no âmbito do Projeto Alto Juruá, financiado com recursos do Fundo Amazônia”.
A cerimônia, no Town Hall Theatre, faz parte da programação da 72ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Estarão presentes à solenidade as lideranças ashaninkas Moisés e Benki Piyãko.
Outras duas áreas temáticas, ‘Pastagens, campinas e montanhas’, e ‘Oceanos’, premiam igualmente cinco vencedores cada.


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