Setembro Amarelo – família bocacrense alerta sobre depressão e afirma: “não é frescura”

O Setembro Amarelo foi estabelecido como o mês e a cor da luta contra a depressão. Campanhas acontecem em todo o Brasil, como forma de alertar para esse mal que aflige uma significativa parcela da população, mas que por vezes passa despercebida, sendo confundida até com comportamentos que despertam rejeição.

Sobre esse assunto, o Jornal Opinião fez uma matéria especial, com uma família natural de Boca do Acre, que há um ano e meio perdeu um ente querido para essa doença psíquica.

Mãe, pai e irmãos de Tássio Freire aproveitaram a oportunidade para alertar sobre o assunto, pedindo que aqueles que cercam alguém sob suspeita de comportamento depressivo, que fiquem atentos aos detalhes, e jamais considerem as atitudes como birra, frescura, ou algo do tipo.

Tássio encerrou seus dias de vida no plano terrestre de forma trágica, no dia 20 de março de 2020. A dor permanece até os dias de hoje, principalmente depois de perceber que algo a mais poderia ter sido feito para evitar o suicídio que dói e vai continuar doendo.

Tássio tinha 26 anos, quando perdeu a batalha para o desânimo, derrotismo, e não foi capaz de emergir do lago da depressão, respirar e gritar por socorro. Ele decidiu encerrar seus dias de vida na Terra, como forma também de afugentar-se da dor, do vazio, da sensação de solidão, mesmo estando rodeado dos maiores e melhores sentimentos.

Trabalhador
Em vida, Tássio era descrito como uma pessoa muito dedicada ao trabalho, um peão profissional, além de ser visto e tido entre os seus como um homem de múltiplas habilidades. “De tudo ele sabia fazer um pouco, era nosso braço direito”, declarou a mãe, a agricultora Maria José Freire, que aos 58 anos de idade chora diariamente a dor de ter perdido o filho.

A dor da família
O Jornal Opinião conversou com a família de Tássio, e além do fato que culminou com a morte do jovem, abordou um dos assuntos mais comentados, que também é tido como um dos males do século: a depressão.

“Eu não fui capaz de perceber que talvez o meu filho estivesse pedindo socorro, e disse não para ele. Não me liguei que por menor ou maior que fosse o não, ele não iria reagir bem, talvez não entendesse o sentido, e cada vez mais estaria se afundando nessa coisa que é a depressão”, disse o pai, o agricultor Francisco Souza, mais conhecido como “Seu Chicó do Algodão Doce”.

Tássio era irmão gêmeo de Tainan Freire de Souza, 28 anos, que aproveitou a oportunidade para fazer um alerta: “Depressão não é frescura”, disse a consanguínea, ainda bastante emocionada com a tragédia no seio da família.

“A gente pensa que aquela pessoa que diz que ninguém gosta dela, que não é vista, que não tem atenção, que é frescura, mas não é. Quando alguém, algum filho, marido, esposa, qualquer pessoa disser isso, fique atento, pois você pode salvar uma vida, tomando as providências na hora certa, com as ferramentas certas”, alertou.

“Nós perdemos o Tássio, achando que estava tudo normal, que não passava de problemas normais, que amanhã seriam solucionados e todo mundo ficaria bem. Nós o perdemos para sempre. Sei que tudo está no controle de Deus, mas nós enquanto seres humanos, temos a chance, dada por Deus, de corrigir o curso das coisas, principalmente quando elas não estão indo no caminho certo”, acrescentou.

A fatídica noite
Tássio suicidou-se na madrugada do dia 20 de março de 2020, praticamente na frente da família, quando chegou ao limite do estado depressivo, mesmo na maioria das vezes sorrindo, brincando e trabalhando.

A mãe viu a cena, tentou socorrer, mas já era tarde. Maria José não se conforma: “Meu filho não estava doente, não foi assassinado, pois não tinha inimigos para isso, pelo contrário, parecia que tudo estava perfeito, mas não estava, hoje nós vemos que não, que os choros não eram de um rapaz mimado, que a tristeza no olhar era um pedido de socorro, que ainda hoje é capaz de ser ouvido”, disse Maria José.

Depressão e suicídio
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), “no Brasil, cerca de 12 mil pessoas tiram a própria vida por ano, quase 6% da população. No mundo, são cerca de 800 mil de suicídios anuais. O Brasil só perde para os EUA”.