
Com o avanço da pandemia do novo coronavírus no Brasil, onde já atinge mais de 900 mil pessoas e com cerca de 1.000 óbitos por dia, a preocupação também tem sido os povos indígenas, a Covid-19 ameaça até os povos isolados.
Ao menos 287 índios já perderam a vida em decorrência da doença, comunidades afirmam que invasores aproveitam a falta de fiscalização durante a pandemia e adentram em seus territórios.
Nesta terça-feira, 16, o Senado Federal aprovou um projeto que prevê medidas para tentar proteger os povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais durante a pandemia, ressaltando que os povos tradicionais são “grupo de extrema situação de vulnerabilidade” e alto risco de contaminação.
No Acre, já são mais de 20 casos confirmados, de acordo com os dados do Boletim da Sesai, atualizado no ultimo dia 16, são 3.079 casos confirmados e 103 óbitos. No Alto Rio Juruá, localizado no extremo Norte do Acre, são 12 casos e no Alto Rio Purus são 88 casos confirmados e dois óbitos.
Mas de acordo com Comitê pela Vida e Memória Indígena, contabilizou 5.484 infectados de 103 povos diferentes. As lideranças afirmam que a primeira morte ocorreu no dia 20 de março, mas o governo só registrou o primeiro caso de infecção em 2 de abril, uma jovem de 20 anos, da etnia Kocama, no Amazonas.
No Vale do Javari situado no extremo oeste do Amazonas, existe a maior concentração do mundo de indígenas isolados, sem contato com outros grupos indígenas ou não indígenas. São pelo menos 16 registros, de acordo com a Fundação Nacional do índio (Funai). Cerca de 7.000 índios de recente contato, que tomaram a decisão de se aproximar há apenas 40 ou 20 anos. A Covid-19 chegou em 4 de junho, depois que quatro funcionários do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Vale do Javari comprovaram que estavam com a doença. Um dia depois três indígenas kanamari também estavam infectados.
O projeto também trata especificamente sobre os povos indígenas isolados, ou de recente contato, o texto determina que somente em caso de risco iminente e em caráter excepcional será permitido qualquer tipo de aproximação para prevenção da pandemia. A aproximação deve ser feita por meio de um plano especifico articulado pela União.
A União também deve suspender atividades próximas às áreas de ocupação de índios isolados, desde que não sejam fundamentais para sobrevivência desses indígenas.


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