Um ato solene na Câmara Municipal de Rio Branco, nesta terça-feira, 25, marcou o início da Semana Municipal de Enfrentamento à Hanseníase. Na ocasião, os vereadores receberam os representantes do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan). A agenda foi uma solicitação do parlamentar Doutor Jakson Ramos (PT).
O vereador abordou o tema e defendeu a descentralização das ações, dando aos municípios maior autonomia e, consequentemente, mais efetividade no trabalho desenvolvido.
“O Morhan vem pautando ao longo dos últimos anos que os municípios possam estar envolvidos nesse processo de redução dos índices de novos casos de hanseníase. Os municípios do Acre precisam apresentar uma linha de cuidado e oferecer ao paciente aquilo que é de direito, pois só assim iremos diminuir o sofrimento e o preconceito com essas pessoas. Para que isso aconteça, se faz necessário que o estado do Acre, através da Sesacre, cumpra o que determinam as normas e legislações e permita o envolvimento dos municípios na busca ativa, atendimento primário e autocuidado junto às pessoas atingidas pela hanseníase no nosso município. É necessário que o estado apresente um plano de ação para descentralizar o atendimento às pessoas com hanseníase e garanta o envolvimento dos municípios no combate a essa doença”, defendeu o vereador.
O secretário Municipal de Saúde de Rio Branco, Oteniel Almeida, também defendeu a descentralização e destacou como a SEMSA tem atuado. “De 2013 para cá, nós tivemos redução tanto nas transmissões intradomiciliares, graças ao esforço concentrado que a gente vem fazendo no acompanhamento e nos autocuidados, para não haver a transmissão intradomiciliar, como também o aumento no percentual de cura. Portanto, nós saímos em 2013 de um percentual de cura de aproximadamente 84% para 96% em 2018. Isso demonstra um esforço concentrado das ações da Vigilância Epidemiológica do município, mesmo que ainda não tenha havido a descentralização do programa de hanseníase nos municípios. É um avanço e [a descentralização] precisa ser pactuada com o governo do estado e com os municípios”, disse Almeida.
Em 2018, o Brasil apresentou 27.434 casos novos de hanseníase, enquanto o Acre apresentou 132 casos da doença no mesmo período.
Homenagem
O Ato Solene marcou também a entrega de Moção de Aplauso à dona Terezinha Prudêncio da Silva, pelos serviços prestados por ela e pela entidade ao longo dos anos. Co-fundadora do Morhan ao lado do marido Bacurau (em memória), Dona Terezinha abraçou a causa no fim da década de 1980 e, desde então, segue desenvolvendo ações de conscientização e apoio àqueles que foram acometidos pela doença. Para ela, o debate levantado na Câmara Municipal é de extrema importância para fortalecer ainda mais o trabalho realizado até aqui.
“É com meu coração cheio de emoção que hoje estou aqui. Eu quero agradecer ao doutor Jakson que nunca esquece do Morhan e [agradecer também] a todos. Nós queremos agradecer de coração, porque o Morhan precisa avançar e [a entidade] tem um trabalho muito árduo e precisa de todos unidos, pois estamos sonhando que um dia se acabe com a hanseníase mas, para que isso aconteça, precisamos da união de todos, porque sem a força de todos não vai. Temos que ter parceria com todos”, enfatizou Terezinha.
Também marcaram presença no ato o representante do Morhan Nacional, Elson Dias, a gerente Estadual de Vigilância Epidemiológica Antonia Gerines e o coordenador da Área Técnica da Hanseníase no Município de Rio Branco, Wemerson Oliveira.
Programação
Com apoio da Câmara de Vereadores, da Secretaria Municipal de Saúde e Ministério Público Estadual, o Morhan realiza nesta quarta-feira, 26, o Encontro Intersetorial sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da hanseníase. A atividade será realizada das 8h30 às 12h, na sede do MPAC localizada na Rua Marechal Deodoro, 472.
A Hanseníase
A hanseníase é uma doença infecciosa, de evolução crônica (muito longa) causada pelo Mycobacterium Leprae, microorganismo que acomete principalmente a pele e os nervos das extremidades do corpo. A doença tem um passado triste, de discriminação e isolamento dos doentes, que hoje já não existe e nem é necessário, pois a doença pode ser tratada e curada.
Transmissão
A Hanseníase é transmissível através da respiração. Mas esse contágio tem algumas características especiais: a pessoa, com a doença, sem tratamento e na forma transmissível da doença, tem um convívio prolongado com esse indivíduo. Tão logo seja iniciado o tratamento a doença deixa de ser transmissível. É por isso que é importante diagnosticar a doença logo no início.
Ninguém que tenha a doença precisa se afastar da sociedade, nem deixar de trabalhar ou ficar perto de sua família.
A maioria da população adulta é resistente à hanseníase, mas as crianças são mais susceptíveis, geralmente adquirindo a doença quando há um paciente contaminante na família. O período de incubação varia de 2 a 7 anos e entre os fatores predisponentes estão o baixo nível sócio-econômico, a desnutrição e a superpopulação doméstica.
Devido a isso, a doença ainda tem grande incidência nos países subdesenvolvidos. Mais informações: Telehansen® 0800 – 0262001. (Com informações Assessoria Parlamentar)





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