
A Prefeitura de Boca do Acre fez uma publicação na manhã desta quarta-feira (5), comunicando a “prorrogação” da realização da Exposição Agropecuária de Boca do Acre. O texto diz que o prefeito tomou a decisão pensando na economia do município, deixando próximos os dois principais eventos da cidade (Festival de Praia e Expoboca) e na logística demandada pelos expositores.
A verdade dos fatos
Primeiramente vamos corrigir um erro grosseiro: prorrogar quer dizer alongar, aumentar o prazo, o que dá a entender que a Prefeitura pretendia aumentar o prazo de realização da Expoboca. No caso específico, o termo correto é adiar, que tem o sentido de deixar de fazer em uma data, para fazer em outra. Ou seja, tentou-se aliviar o peso da notícia com outras palavras, mas não atentaram para o sentido, e a coisa ficou pior.
Parque tem dívida de 46 mil reais
Agora vamos à realidade dos fatos. Ao contrário da nota da Prefeitura, o evento não foi adiado pensando na economia do município e na logística dos expositores, mas por outros motivos, sendo o principal deles a falta de energia elétrica no Parque de Exposições. O local onde acontece a Expoboca, que fica no quilômetro 10 da BR-317, está com o fornecimento de energia elétrica cortado por falta de pagamento, acumulando uma dívida de mais de 46 mil reais.
Pedido negado
No dia 14 de junho, o titular da Secretaria de Cultura, enviou uma solicitação de religação da energia do parque para a realização da Expoboca, que tinha data prevista para os dias 13, 14, 15 e 16 de julho. O pedido foi negado pela Amazonas Energia, por conta da dívida 15 milhões de reais da Prefeitura de Boca do Acre com a empresa.
Manobra
Depois da negativa, a Prefeitura tentou uma manobra, que foi licitar o evento Expoboca. A vencedora da licitação para administrar a 10ª edição da Exposição Agropecuária de Boca do Acre, foi a empresa InNorte, uma empresa do próprio município, que trabalha com comércio varejista de materiais de construção em geral, cujo capital social é de 260 mil reais.
A vencedora do processo licitatório deu entrada em um novo pedido de religação temporária da energia elétrica do parque, que teve resposta positiva, mas diante de um orçamento no valor de 122 mil reais, que foi enviado pela Amazonas Energia para a InNorte, que ainda não respondeu ao documento, com isso, o Parque de Exposições continua sem energia elétrica, o que forçou o adiamento do evento, não por bondade do chefe do Poder Executivo, mas por motivo de força maior.
Segundo a nota da Prefeitura de Boca do Acre, a nova data para o evento tem previsão para os dias 10, 11, 12 e 13 de agosto, se tiver energia.
Irresponsabilidade
Quem se manifestou de forma crítica em relação ao ocorrido foi a presidente da Câmara Municipal de Boca do Acre, Taísa Onofre, que classificou como irresponsabilidade do prefeito, que segundo ela, consegue ser incompetente a ponto de prejudicar um evento tradicional do município.
“Os empresários fizeram suas compras, esperando vender tudo em julho, para poder renovar estoque no mês de agosto, quando acontece o Festival de Praia. Isso é o que dá não ter planejamento. Isso é o que dá empurrar com a barriga os problemas. Uma hora a conta chega e o resultado é toda uma população prejudicada por essas pessoas que desgovernam o nosso município”, falou a presidente.
“Tenho recebido muitas mensagens de empresários que fizeram grande investimento, chateados com o adiamento do evento, mas infelizmente o que podemos fazer é cobrar do prefeito”, disse.
“Eu espero pelo menos que a nova data marcada para a Expoboca acontecer, que de fato se realize, para pelo menos minimizar os prejuízos”, completou a presidente.


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