Em vigor desde a última terça-feira, 2, o segundo aumento no preço da gasolina em menos de uma semana não deixou nada satisfeitos os motoristas acreanos. A Petrobras anunciou na segunda-feira, 29, um reajuste médio de R$ 0,07 no preço do litro de gasolina nas refinarias. O aumento representa uma alta de 3,5% e agora o combustível custa em média R$ 2,0450 por litro, maior valor registrado desde outubro do ano passado. O último reajuste foi feito em 23 de abril.
Com isso, em menos de uma semana a estatal já reajustou o valor do combustível em 5,7%, acréscimo repassado as bombas nos postos de Rio Branco onde o preço médio chega a R$ 4,95 por litro. Segundo a Petrobras, ao justificar a nova subida, a política de preços para a gasolina e diesel vendidos às distribuidoras tem como base o preço de paridade de importação, formado pelas cotações internacionais mais os custos de importação, como transporte e taxas portuárias.
E os que mais sentem a subida no bolso são os motoristas de atuam nos aplicativos de transporte. Há pouco mais de cinco meses como motorista da Uber, Gilson Martinello alega que o aumento foi perceptível nos gastos com reabastecimento do veículo e na diminuição do lucro semanal com o transporte de passageiros. Ele afirma que os consecutivos aumentos chegam rapidamente nos postos de Rio Branco e fazem com que a atividade não compense, já que o gasto tem sido maior.
“Como motorista de aplicativo, sempre sinto muito esses aumentos. Isso faz com que o lucro caia muito no final do mês. Não concordo com essa polícia de reajuste, quem sempre sofre é o consumidor, principalmente aqui no Acre devido a máfia dos postos. Quando as refinarias reduzem em 1.5% ou 2%, por exemplo, esse valor demora semanas para ser repassado às bombas. Quando há aumento, o valor já chega nas bombas no outro dia e as vezes é bem maior”, afirma Martinello.
Funcionário público, Rodrigo Simões atua como motorista da Uber nas horas vagas. Ele diz que o aumento do preço do combustível interfere diretamente no orçamento familiar mensal, que precisa ser repensado devido aos gastos com transporte. Outra observação feita por ele é de que a atuação como motorista de aplicativo foi pensada para haver uma renda extra no fim do mês, o que não vem acontecendo porque o dinheiro ganho como motorista serve somente para reabastecer.
“Mesmo que alguns aumentos tenham que ser repassados, a política de reajustes semanais precisa ser revista. Mesmo evitando aumentos diários, como antes, esses acréscimos semanais deveriam acontecer somente se o preço do petróleo aumentasse. Se o valor do barril diminuísse, o preço da gasolina também devia baixar. O que chateia são os postos, que mesmo com estoque comprado com outro preço, aumentam o valor no outro dia a cada novo reajuste e não diminuem quando há baixa nas refinarias”, declara Simões.
Apesar do aumento da gasolina, a Petrobras anunciou que o valor do óleo diesel não foi reajustado nas refinarias e continua sendo o mesmo. Os dados da Petrobras informam que o preço médio do diesel foi mantido em R$ 2,2470 por litro. Segundo a estatal, a última alteração no preço do óleo foi feita no dia 18 de abril. No início deste ano, a Petrobras reduziu a frequência de reajustes na gasolina e no diesel. Mas com a alegação de evitar perdas, tem utilizado o sistema de hedge, mecanismo que tem objetivo de proteger operações financeiras com exposição a grandes variações de preços.


?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>