Segunda Opinião: Roberto Duarte não poupa críticas ao governo Cameli em entrevista exclusiva

Por Tião Vitor

O deputado estadual Roberto Duarte (MDB) é o entrevistado da semana do programa Segunda Opinião, publicado em vídeo todas as segundas-feiras no site do jornal Opinião (jornalopiniao.net), a partir das 6 horas da manhã.

Durante trinta minutos de conversa, o parlamentar abordou um pouco de sua atuação na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), falou sobre a conturbada relação do governo com o Parlamento, fez avaliação desses primeiros meses do mandato de Gladson Cameli e não poupou críticas à atuação do gestor e de sua equipe. Duarte também falou sobre temas importantes da política nacional, como a Reforma da Previdência e atuação de Jair Bolsonaro.

Abaixo, transcrevemos os principais pontos dessa entrevista:

Roberto Duarte inicia falando de viagem que fez ao interior durante a semana. Ele esteve no município Tarauacá onde cumpriu agenda política e ministrou palestra para os vereadores daquela cidade. Ali, o deputado visitou escolas, hospitais e outros órgãos públicos.

Perguntado se é candidato a prefeito de Rio Branco nas próximas eleições, Roberto Duarte evitou uma resposta direta, dizendo ser “candidato a fazer um bom mandato de deputado estadual e agora, também, candidato a fazer um bom mandato de presidente da Executiva Municipal do MDB de Rio Branco”, já que foi eleito para o cargo recentemente. Revela, porém, que uma parte do seu partido tem apresentado seu nome para a disputa municipal.

“Eu sempre disse que eu sou um soldado do partido e da população do Estado do Acre. Aquilo que eles disserem que eu tenho que fazer, eu vou respeitar, mas, as minhas pretensões não são essas, por hora.”

Sobre o recente lançamento do nome do vice-governador Wherles Rocha para o cargo de prefeito, Duarte disse: “Eu considero o vice-governador um nome qualificado. Quem lançou ele como pré-candidato foi o governador e eu entendo que cada partido tem o direito de lançar os seus candidatos”. Também garantiu que seu partido, embora não tenha lançado nenhum nome até agora, terá candidatura própria à prefeitura da capital.

Relação com o governo do Estado

Apesar de seu partido ser da base de apoio do governo, Roberto Duarte vem mantendo postura independente. Em alguns casos, bateu de frente com as demandas do governo. Ele garante que sua atuação se manterá assim, mesmo apoiando Gladson Cameli.

“Eu sempre deixei isso muito claro para a população e para o próprio governador. Numa única conversa que tive com ele, eu lhe disse: governador, eu não faço parte da sua base de sustentação na Assembleia Legislativa do Estado do Acre e, muito menos, eu faço parte da oposição do seu governo. Eu tenho defendido meu mandato de independência, um mandato de defender os interesses da população do Estado do Acre. Foi ela que me elegeu para estar na Assembleia Legislativa, é para ela que presto contas do meu serviço e do meu mandato.”

Roberto Duarte disse estar convicto de que falta uma sintonia entre o governo de Gladson Cameli e os parlamentares estaduais.

“Ele precisa organizar essa articulação política junto à Assembleia Legislativa. Está faltando uma sintonia entre o Executivo e o Legislativo e isso não é bom para a população do Estado do Acre. Nós precisamos que o Legislativo ande junto com o Executivo. E só quem pode fazer isso é o próprio governador junto com sua articulação política, junto com os deputados do Estado do Acre. Até hoje, eu não vi o governador chamar todos os deputados para uma reunião. Até hoje eu não vi ele chamar os deputados de forma individual.”

O governo ainda não disse a que veio

Roberto Duarte não poupou críticas ao governo. Além da falta de diálogo com o parlamento, ele disse que o governo tem que demonstrar qual é o segmento da economia que pretende priorizar. Passados os primeiros quatro meses de mandato, de acordo com o parlamentar, já deveria ter uma linha de atuação bem-definida, afinal, lembra ele, o mandato começou mesmo quando findou as eleições no ano passado, oportunidade em que Gladson Cameli deveria ter montado sua equipe e a colocado para trabalhar no planejamento das ações. Ele alerta que, naquele momento, o governador Gladson Cameli já teria conhecimento a respeito de emendas parlamentares e outros recursos que estavam à disposição do Acre. Ele defende que, naquele momento, Gladson deveria ter lutado para captar esses recursos para serem usados agora em seu governo.

“Dia 7 de outubro, o governo [Gladson Cameli] soube que ganhou as eleições, já deveria captar essas emendas parlamentares de mais de R$ 90 milhões como uma necessidade de primeiro grau. Deveria ser a primeira coisa a ser tratada no dia 8 em diante.”

As emendas em questão, podem não parar nos cofres do Acre devido às falhas cometidas pelo governo anterior e o atual. Caso tais falhas não sejam sanadas, os recursos deverão voltar para os cofres do Governo Federal.

CPI da Energisa

Roberto Duarte teve importante atuação para garantir a implantação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar os constantes aumentos na tarifa de energia elétrica praticada pela distribuidora Energisa. Ele se posiciona contra a presença do colega Luiz Tchê (PDT) na comissão e contra a possibilidade de este vir a ser escolhido para a presidência ou relatoria da CPI.

“Para que essa CPI venha trazer frutos, venha realmente buscar resultados, ela precisa ser presidida e relatada por pessoas que tem tenham interesse nessa CPI desde o seu início. Se acontecer algo diferente, por exemplo, se colocarmos na presidência alguém que não queria assinar, que era contra a CPI, se nós botarmos alguém na relatoria dessa CPI que era contrário a essa CPI, que não era a favor, ela não vai a lugar nenhum.”

Denúncia contra microempresa de Manaus contratada pelo governo do Estado

Um dos assuntos mais discutidos durante a semana na Aleac foi o caso de uma microempresa do Estado do Amazonas que teria sido contratada pelo governo do Acre para dar manutenções em aparelhos de ares-condicionados por um valor superior a R$ 8 milhões, mas que, de acordo com a legislação pertinente, só poderia faturar algo em torno de R$ 360 mil ao ano.

O emedebista disse que esse caso precisa ser averiguado para saber se realmente condiz com a realidade. Ele espera que o deputado Fagner Calegário, o denunciante do caso, apresente a documentação necessária para comprovar o que disse em sessão na Aleac.

“Se isso realmente aconteceu, tem que ser levado ao Ministério Público, tem que ser apurado e que sejam punidos os responsáveis.”

Reforma da Previdência

Roberto Duarte disse ser favorável à Reforma da Previdência, mas nos moldes dos posicionamentos do MDB nacional. Nesse caso, garante ser contrário às mudanças na aposentadoria rural, à redução do Benefício de Prestação Continuada (BPC), às novas regras de aposentadoria para os professores, entre outras.

“Eu entendo que se faz necessária uma reforma na Previdência para o Brasil voltar a crescer, mas a gente precisa discutir alguns pontos dessa reforma para que ela venha a acontecer da melhor forma possível.”