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segunda-feira, 6 de julho de 2026
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Sedentarismo avança no mundo e ameaça saúde de 1,8 bilhão de pessoas até 2030

A falta de atividade física deixou de ser apenas uma questão de estilo de vida e passou a representar um dos principais desafios globais de saúde pública. Um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), em parceria com pesquisadores internacionais, aponta que 31% da população adulta mundial — cerca de 1,8 bilhão de pessoas — não praticava atividade física suficiente em 2022.

O estudo, publicado na revista The Lancet Global Health, revela uma tendência preocupante. Entre 2010 e 2022, a taxa de sedentarismo cresceu cerca de cinco pontos percentuais. Mantido esse ritmo, a projeção é que 35% dos adultos no mundo estejam fisicamente inativos até 2030, comprometendo a meta da OMS de reduzir o sedentarismo global em 15% até o fim da década.

Segundo a entidade, para que uma pessoa seja considerada fisicamente ativa, é necessário praticar ao menos 150 minutos semanais de atividade moderada, como caminhada acelerada, ou 75 minutos de atividade intensa, como corrida ou esportes de alto impacto.

Riscos do sedentarismo

Para a cardiologista Patrícia Alves de Oliveira, do Hospital Sírio-Libanês, o sedentarismo já pode ser classificado como uma “ameaça silenciosa”. A especialista destaca que a falta de movimento está associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer, como os de mama e cólon.

“O sedentarismo pode ser considerado uma epidemia moderna, com impacto semelhante a fatores de risco tradicionais, como hipertensão, obesidade e colesterol alto”, alerta a médica.

Situação no Brasil é ainda mais grave

No Brasil, o cenário é ainda mais preocupante. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que 47% dos adultos brasileiros são sedentários. Entre os jovens, esse índice chega a 84%. Com esses números, o país ocupa o quinto lugar no ranking mundial de sedentarismo e lidera na América Latina.

Segundo Patrícia, o avanço da tecnologia tem papel central nesse quadro. O uso prolongado de celulares, computadores e televisões aumentou o tempo sentado e prejudicou a qualidade do sono, fatores que contribuem para o ganho de peso e alterações na pressão arterial.

“A tecnologia trouxe muitos benefícios, mas também reduziu drasticamente o movimento no dia a dia. Muitas tarefas foram automatizadas, diminuindo a necessidade de esforço físico”, explica.

Como abandonar o sedentarismo aos poucos

Especialistas reforçam que não é preciso ser atleta para reduzir os riscos à saúde. Pequenas mudanças simples na rotina já ajudam a quebrar o ciclo do sedentarismo.

Substituir o elevador pelas escadas, fazer pausas para se levantar durante o trabalho, caminhar em trajetos curtos e reduzir o tempo sentado ao longo do dia são atitudes que trazem benefícios.

“Pequenas ações, quando repetidas diariamente, têm impacto real na saúde cardiovascular e na qualidade de vida”, conclui a cardiologista.


Com informações NDMais