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terça-feira, 7 de julho de 2026
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“São dois monstros”, diz avô de menino morto e esquartejado pela mãe

“Pra mim, ela é um monstro, não é um ser humano, não são pessoas, são dois monstros”, comentou o eletricista Francisco das Chagas, ao tomar conhecimento que seu neto, o menino Rhuan Maycon da Silva Castro, de 9 anos, foi morto e esquartejado. A Polícia Civil suspeita que Rosana Auri da Silva Candido e sua companheira, Kacyla Priscyla Santiago Damasceno Pessoa, tenham sido autoras do crime que ocorreu em Brasília, na madrugada deste sábado, 1°.

“Não tem como a gente ir para lá. Acabou. Pra mim, ela [Rosana] é um monstro, não é um ser humano, não são pessoas, são dois monstros. Uma pessoa que faz um negócio desse não é de Deus”, disse.

Emocionado, o eletricista falou da paixão que tinha por Rhuan e diz desconhecer o motivo para a barbaridade.

“Nem imagino o motivo que fez isso com o próprio filho. Nunca cuidou dele, quem cuidava era eu e a avó dele. Tenho outros netos, mas ele era minha paixão. Pedimos por justiça, mas sabemos como funciona. Essas pessoas que matam criança matam pai, mãe, tudo”, concluiu.

As mulheres foram presas em flagrante pela Polícia Civil.  Durante interrogatório, nenhuma teria demonstrado arrependimento. Elas supostamente admitiram não ter a guarda das crianças e haver fugido do Acre sem conhecimento dos respectivos pais. Para não chamar atenção, os filhos não iam à escola há cerca de dois anos.

Abalado com a notícia, Francisco das Chagas falou que Rosana teve um relacionamento com o filho dele, mas que nunca cuidou do menino e ele foi criado até os quatro anos pela família do pai.

Porém, em 2014, Rosana teria fugido do estado acreano com a criança e a companheira. O pai de Rhuan tinha a guarda da criança dada pela Justiça do Acre.

Crime

Segundo a Polícia, o corpo do menino foi decapitado e apresentava sinais de queimaduras. O assassinato teria acontecido enquanto o garoto dormia. Segundo o delegado-chefe adjunto da 26ª DP, Guilherme Sousa Melo, Rhuan Maycon da Silva Castro dormia, quando foi atingido com uma facada no peito. Em seguida, a mãe da criança atingiu o filho com diversos golpes.

O rosto da criança estava desfigurado. As suspeitas tentaram queimar os restos mortais em uma churrasqueira, mas desistiram por causa da fumaça e colocaram em uma mala e em duas mochilas.

Para se desfazerem do cadáver, elas o teriam colocado em malas. No entanto, ao passarem em um campo de futebol, algumas pessoas teriam desconfiado da cena e chamado a polícia. Os restos mortais de Rhuan foram localizados em dois endereços: no lote onde moravam, na QR 619, e na via pública da QR 425, em frente à creche Azulão. Parte do corpo estava em duas mochilas.

Os policiais encontraram as duas em casa com uma menina de 8 anos, filha de Kacyla. De acordo com o Conselho Tutelar da cidade, a menina foi encaminhada a um abrigo.

Ao prestar depoimento, elas confessaram o crime.  “A mãe afirmou que o menino era a fonte de todos os problemas. Ela o vinculava com o pai, que havia maltratado muito ela. Elas planejaram matá-lo para começar uma vida nova sem ele”, afirmou.

As duas mulheres mudaram-se para Brasília há cerca de dois anos. Elas moravam no Acre e dizem que fugiram justamente porque Rosana, a mãe, sofria abusos e agressões do pai do menino.

Premeditação

Segundo as investigações, as mulheres moravam na região há cerca de dois meses, oriundas do Acre, e a residência em que vivem tem aspecto de abandono. Cômodos bagunçados e panelas cheias de mofo foram encontradas pelos policiais. Dentro da casa, as duas ainda teriam pintado trechos de passagens bíblicas nas paredes.

De acordo com o delegado, elas planejaram matar o garoto há um mês. Primeiro, pensaram em envenená-lo, mas deliberaram pela facada no peito. Hoje, em depoimento, disseram que decidiram fazer isso porque pretendiam se mudar para outro endereço.

Rosana afirmou ter ódio do filho pelo vínculo com o próprio pai, que a teria maltratado no passado. Para o delegado, a outra criança provavelmente também seria morta.

Fuga

Ainda segundo Chaguinha, a família registrou um boletim de ocorrência em Rio Branco após o sumiço do garoto. O eletricista conta que fez buscas em várias cidades do país para tentar encontrar o neto.

“Tivemos na delegacia e Conselho Tutelar de Anápolis [GO], reviramos tudo e ela fugiu para Palmas, no Tocantins. Lá fizeram um roubo, foram para Trindade e depois Brasília [DF]”, revelou. (Com informações G1/AC e Correio Braziliense)