O governo da Rússia passou a orientar que mulheres que não desejam ter filhos sejam encaminhadas para acompanhamento psicológico obrigatório, como parte de uma estratégia para conter a queda na taxa de natalidade do país.
A medida ocorre sob a gestão do presidente Vladimir Putin, que tem tratado o declínio populacional como uma questão de segurança nacional. A diretriz é voltada para mulheres entre 18 e 49 anos, consideradas em idade fértil.
Segundo o documento, médicos devem incentivar uma visão mais positiva da maternidade. Mulheres que manifestarem o desejo de não ter filhos poderão ser encaminhadas a profissionais de saúde mental, onde a decisão passa a ser tratada como algo a ser “corrigido”.
Enquanto isso, não há recomendações semelhantes voltadas aos homens, o que reforça críticas sobre desigualdade de abordagem nas políticas públicas.
A iniciativa faz parte de um conjunto de ações adotadas pelo governo russo para estimular o aumento da população. Entre elas estão restrições ao aborto e incentivos para famílias numerosas.
Atualmente, a taxa de natalidade no país gira em torno de 1,4 filho por mulher, abaixo do necessário para reposição populacional. Fatores econômicos e os impactos da guerra na Ucrânia também contribuem para o cenário.
Especialistas e organizações internacionais apontam que a medida pode representar uma interferência direta na autonomia das mulheres, além de gerar pressão social e estigmatização para aquelas que optam por não ter filhos.
A proposta tem gerado debate global sobre os limites entre políticas demográficas e os direitos individuais, especialmente no que diz respeito à liberdade de escolha sobre o próprio corpo.


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