Dados da Delegacia Especializada de Combate a Roubo e Extorsões (Decore), da Polícia Civil do Acre, apontam que uma média de três veículos são roubados ou furtados por dia em Rio Branco. Somados, os números indicam que até quarta-feira, 10, uma média total de 10 carros ou motos foram subtraídos de seus proprietários na capital acreana desde o início do ano.
O design gráfico Antônio Souza entrou para as estatísticas na quinta-feira, 3. Ao retornar para casa após o trabalho, ele teve a moto roubada após ser abordado por dois homens na Avenida Amadeo Barbosa, no 2º Distrito da Capital. “Tive que reduzir a velocidade por causa de uns buracos e dois homens que vinham a pé correram para cima de mim e apontaram a arma”.
Souza relata ainda que tentou desviar dos suspeitos, mas ao perceber que eles estavam armados decidiu entregar o veículo. “Eles ameaçaram atirar se eu não descesse. Também levaram minha carteira e celular. Foi uma série de fatores, mas acho que a falta de iluminação, pouco policiamento da região e o fato de estar sozinho deram condições para isso”, observa.
De acordo com o delegado Sérgio Lopes, titular da Decore, o alvo principal dos criminosos são as motos, apesar de o roubo de carros ser considerável. “Essa média [de três furtos e roubos de veículos por dia] é a mesma registrada em 2018. Mas, as forças policiais trabalham de forma integrada para localizar os objetos roubados e devolve-los aos seus respectivos donos”, enfatiza.
O delegado explica que o número de roubos ou furtos de motocicletas é maior do que o de carros porque além de serem mais fáceis para subtrair, elas servem para que os criminosos pratiquem outras ações utilizando-as. “Fora isso, elas [as motos] são levadas para a Bolívia para serem trocadas por armas e drogas ou serem vendidas por um preço muito baixo”.
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Fronteira
Sérgio Lopes destaca que um dos maiores desafios para as polícias Militar, Civil, Federal e Rodoviária Federal para a recuperação dos veículos é a fronteira do Acre com a Bolívia, principal destino dos bens que são roubados na capital. Segundo ele, o pouco efetivo policial para resguardar a divisória entre Brasil e os países vizinhos dificulta ainda mais a recuperação.
“Uma tática dos criminosos é manter os proprietários reféns até que os comparsas atravessem para o país vizinho para não haver comunicado do crime. Temos uma dificuldade muito grande de recuperar esses veículos porque não podemos realizar diligências no território boliviano. Outro fator é falta de colaboração das forças policiais da Bolívia conosco”, lembra o delegado.
Recuperação
O titular da Decore ressalta que apesar dos muitos roubos, a taxa de recuperação de motos e carros é alta. De acordo com ele, dos 1.200 veículos roubados ou furtados durante o ano de 2018, 70% foram recuperados e devolvidos aos respectivos proprietários. Lopes explica que essa taxa corresponde as ações das polícias Militar, Civil e Rodoviária Federal pelo estado.
“Fora a Polícia Civil, a Militar e a Rodoviária Federal também recuperam esses objetos em ações rotineiras. Essa média de 70% de recuperação vem sendo mantida há alguns anos pelas forças policiais de um modo geral. É um trabalho que se mantém constante e com muita dedicação. A expectativa é que essa taxa de recuperação se mantenha em 2019”, afirma Lopes.
O delegado explica que quando a recuperação dos veículos é feita pela Polícia Civil, o órgão entra em contato com os proprietários. A partir de então, a pessoa precisa levar documentos que comprovem a propriedade do objeto para retirá-lo. Já quando a Polícia Militar ou a Rodoviária Federal fazem o resgate, os veículos são encaminhados ao pátio do Detran-AC.
“O Detran informa a chegada através de um documento, fazemos o termo de restituição ao proprietário e ele não paga nada para retirar seu pertence. Esse pagamento só acontece se o veículo estiver com documento atrasado ou alguma multa anterior a data do roubo. Caso as multas sejam dadas depois disso, o Detran-AC faz o justo cancelamento da infração”, finaliza Sérgio Lopes


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