
Uma cidade-rio. Uma parte da Amazônia brasileira que recebeu homens e mulheres vindos de diversas partes do Brasil e do mundo, que se misturaram social e culturalmente com aqueles que aqui já habitavam, em um processo diverso e complexo, originando, primeiro, o “Seringal Volta da Empreza”, que, posteriormente, se tornou a capital do Acre.
Uma história tortuosa e fragmentária, mas também rica em personagens, culturas, memórias, causos, lendas, como só a história do Acre e de Rio Branco consegue ser.
Para nos conduzir nessa viagem, ninguém melhor que o historiador Marcos Vinícius Neves, que muito mais do que um dos principais especialistas da historiografia regional, é um apaixonado por essa temática, para a qual se dedica há mais de 25 anos. Quem já teve a oportunidade de ouvi-lo, seja em palestras, seminários ou eventos, sabe que além do profundo conhecimento que detém, existe quase que um dom de contar essas “histórias” em múltiplas abordagens e recortes. E assim o público viaja no tempo, se emociona, se identifica, se interessa… e depois multiplica o que ouviu e aprendeu em suas famílias, salas de aula, grupos culturais, comunidades e outros espaços coletivos.
Assim será o curso “Rio Branco, em curso”, produzido pela historiadora e produtora cultural Flávia Burlamaqui, com o financiamento da Prefeitura Municipal de Rio Branco, através da Fundação Garibaldi Brasil, via Fundo Municipal de Cultura. O curso, com duração de 16 horas, acontecerá no Palácio da Justiça, nos dias 3, 5, 10 e 12 de maio, no período da tarde. As vagas, serão divididas entre professores e fazedores culturais da área de Patrimônio Cultural, e as inscrições estão abertas, sendo necessário o contato prévio com a produção, através do WhatsApp (68) 9.9988-9014.
“A história de Rio Branco é muito importante, porque entre todas as cidades acreana, foi a que se tornou capital do Território Federal e depois do Estado, a partir de um longo processo de disputas pela hegemonia política e econômica da região. Hoje concentra a metade da população do Estado, como uma “síntese” acreana, com pessoas de todos os municípios, todos os rios, todas as regiões do Acre”, comenta Flávia Burlamaqui.
Entre as temáticas a serem discutidas, as paisagens naturais e os sítios geométricos, as etnias indígenas que habitavam Rio Branco, a formação do seringal “Volta da Empreza”, a constituição da capital do Território Federal e, posteriormente, do Estado do Acre, a organização da urbanidade e arquitetura da cidade e suas características culturais e espirituais.
“Conhecendo a história de Rio Branco, em certa medida, podemos conhecer a história do Acre. Entretanto, como história de uma cidade, também tem vários aspectos próprios, relacionados ao urbanismo – com suas ruas, praças, sua configuração espacial, sua própria relação com o rio Acre, que a divide ao meio – às suas alagações periódicas, os movimentos políticos, culturais, artísticos que aconteceram ao longo desses quase 140 anos de existência. A ideia do curso é consolidar esses conhecimentos através da ‘metáfora’ do rio em movimento.
Em outras palavras, entre uma margem e outra – de um lado a história do Acre e, do outro, a história da cidade – há um rio que está em curso. Conhecer essa história em curso, na nossa cidade, no nosso cotidiano, no nosso dia a dia, é talvez um dos principais aspectos desse curso.
Também pretendemos ampliar o acesso a esses saberes, contribuindo com o repertório de professores, formadores de opinião, artistas e todos os participantes”, conclui Marcos Vinícius.


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