Rio Acre ultrapassa os seis metros na capital acreana

O Rio Acre continuou subindo nesta segunda-feira (28) na capital acreana e chegou a 6,15 metros nesta segunda-feira (28). De acordo com a Defesa Civil de Rio Branco, a alta se dá devido a vazantes em outros rios da bacia, mas este cenário ainda deve mudar e o manancial se manter seco até o final de novembro.

A capital acreana também registrou um aumento no volume de chuvas, chegando a 127,7 milímetros – alcançando 60% do esperado de chuvas em novembro, que tem previsão de 224,3 milímetros.

A vazante do Rio Acre em outras cidades está interferindo diretamente no nível do manancial na capital, porém, deve ser algo temporário que ainda não deve mudar o cenário atual de seca, segundo o coordenador da Defesa Civil, tenente-coronel Cláudio Falcão.

“Nós tivemos um aumento bem grande, de mais de metros do Rio Acre em Assis Brasil. Ele continuou enchendo no dia 23 e no dia 24 ele começou a vazar essa água, foi para Brasileia, que, além da água que recebeu dessa vazante ainda registrou muita chuva. Como se não fosse suficiente, dia 25, teve muita chuva na região de Xapuri, e o rio aumentou mais de 4 metros, então o que ocorre: Assis Brasil, Brasileia Epitaciolândia e Xapuri, todos estavam com o nível do rio em alta, e em Rio Branco tivemos chuvas também bastante fortes no início da semana, então já era previsto que toda essa água chegasse aqui”, explicou ainda no domingo (27).

O que ocorreu neste fim de semana, segundo Falcão, estava dentro do previsto. Há, inclusive, a possibilidade do rio chegar a 6 metros, porém não deve se manter.

“A tendência é que ele não se mantenha alto, ou seja, como está acontecendo agora em Brasileia, Xapuri, Assis Brasil, todos em vazante, o nível já diminuiu, já começou a baixar. Rio Branco deve manter esse nível ou elevar um pouco mais para os próximos dois dias, depois disso, se ocorrerem chuvas significativas a gente pode ficar um pouco mais alto, caso não ele vai decrescer novamente e vai baixar dos 5 metros. Da forma que estamos desenvolvendo agora a segunda quinzena de novembro, com mais chuvas, a gente vai ficar com o nível acima dos 3 metros agora em novembro e em dezembro aí sim pode pegar bastante água, de acordo com as chuvas previstas”, esclareceu.

Abastecimento

A subida repentina do Rio Acre provou o acúmulo de balseiros – restos de galhos que descem na bacia do rio – no local onde funciona as bombas de captação da Estação de Tratamento de Água (ETA I) no manancial. As águas começaram a subir ainda na semana passada e, segundo o Serviço de Água e Esgoto (Saerb), o sistema da estação precisou ser desligado totalmente na sexta-feira (25) e sábado (26). A captação ainda segue reduzida em 40%.

As bombas que antes estavam captando 1,5 mil litros por segundo, agora estão alcançando 900 litros por segundo. O diretor-presidente do Saerb, Enoque Pereira, diz que a redução foi necessária para evitar danos maiores à estrutura da ETA. Além disso, explicou que o sistema precisou ser desligado por dias seguidos, uma vez que foi preciso fazer a mudança das bombas e também para fazer a limpeza nos motores, que também foram afetados com o acúmulo de balseiros.

Operação estendida

A Operação Estiagem com carros-pipas que levam água potável para comunidades rurais da capital continua estendida até a primeira quinzena de dezembro. A maioria dessas comunidades é abastecida por poços artesianos, que estão secos devido à seca severa deste ano.

Atualmente, são atendidas 23 comunidades, que totalizam 3,3 mil famílias em Rio Branco.

“A operação ainda está rolando, porque a gente ia suspender no dia 5 de dezembro, mas vamos prolongar, porque ainda não temos um cenário bom. Primeiramente a gente está pensando em ir até 20 de dezembro, mas o que vai realmente mandar é o tempo, porque se começar a chover muito, pode ser que os caminhões passem a não conseguir mais entrar nos locais que a gente precisa entrar”, explica. (Por Tácita Muniz, g1 Acre)