A Polícia Federal apontou, em relatório divulgado na última terça-feira (26), que a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) pressionou o então comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, para que apoiasse a tentativa de golpe de Estado em 2022 e não “deixasse Jair Bolsonaro na mão”.
Segundo o documento, durante a formatura de aspirantes a oficial da FAB, em 8 de dezembro de 2022, em Pirassununga (SP), Zambelli abordou Baptista Júnior com a frase: “Brigadeiro, o senhor não pode deixar o presidente Bolsonaro na mão.” Em resposta, o tenente-brigadeiro rebateu: “Deputada, entendi o que a senhora está falando e não admito que a senhora proponha qualquer ilegalidade.”
Baptista Júnior relatou que, dias depois, durante reunião no Ministério da Defesa, ele e o então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, recusaram-se a participar de ações para tomada de poder. Apenas o comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, manifestou-se favoravelmente à proposta.
Após o episódio, Baptista Júnior afirmou ter sido alvo de ataques nas redes sociais, sendo rotulado como “melancia” e “traidor da pátria”, o que o levou a suspender sua conta pessoal.
A CNN procurou Zambelli para comentar as acusações, mas não obteve resposta até o momento. A parlamentar é investigada no inquérito que apura ações antidemocráticas no período que antecedeu o fim do mandato de Bolsonaro.


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