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domingo, 5 de julho de 2026
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Recurso pede que motorista que matou jovens atropelados em rodovia no AC seja indiciado por homicídio doloso

Recurso pede que motorista que matou jovens atropelados em rodovia no AC seja indiciado por homicídio doloso

MP-AC denunciou o motorista Diego Felipe no crime de homicídio culposo e não doloso como a família quer. Acidente, em maio na BR-364, vitimou os amigos Israel Ériston e Gilson Teixeira

As famílias dos jovens Israel Ériston Filgueira de Araújo e Gilson Teixeira Rodrigues, mortos em um acidente de trânsito no mês de maio, na BR-364, entraram com recurso pedindo que o Ministério Público do Acre (MP-AC) modifique a denúncia e Diego Moraes, que dirigia a caminhonete, seja indiciado por homicídio doloso.

O MP-AC denunciou o rapaz por homicídio culposo. A caminhonete conduzida por Moraes estava na contramão e acabou atingindo a moto dos jovens frontalmente. Ele chegou a fugir a pé do local, mas foi achado e levado para a Delegacia de Flagrantes, onde foi indiciado por homicídio culposo.

Ao G1, o promotor do caso, Marcos Galina, informou que não vai comentar a denúncia.

O rapaz se negou a fazer o teste de bafômetro e foi solto na audiência de custódia no dia seguinte. No início do mês de junho, a Justiça autorizou Moraes a deixar o estado acreano e se mudar para Joinville, em Santa Catarina.

“O próprio promotor tinha dito que cabia o dolo eventual, mas ontem [quarta,25] a história foi diferente. O laudo não tem nenhuma foto, a testemunha foi a família que foi buscar e o levou para o Ministério Público ouvir, que foi um borracheiro. Os policiais que foram ouvidos confirmaram que ele [motorista] falou que tinha ingerido bebida alcoólica, estava em uma festa e que estava doidão. O promotor sabia de tudo isso e não quer comprar essa briga”, contou a tia de Gilson Rodrigues, Helena Rodrigues.

Procurada pelo G1, a advogada do motorista, Vanessa Chalub, disse que a defesa não vai se pronunciar sobre o caso.

Além dessa briga, Helena diz que os familiares pretendem entrar em outra discussão. Segundo ela, Moraes estava com um carro da empresa para qual trabalha no momento do acidente. As famílias querem que a empresa também seja responsabilizada.

“Os meninos tinham um futuro pela frente, então, vamos entrar na esfera cível também. Essa é um pouco mais longa porque é uma briga para quatro anos, mas que a empresa deve ser responsabilizada. É uma empresa do Sul que tem vínculo com o Ministério do Meio Ambiente, mas é particular”, reclamou.

Mortos de forma brutal

Ainda inconformado com a morte do filho Israel Ériston, Raimundo Alves de Oliveira, de 58 anos, falou que há provas suficientes para indiciar Moraes criminalmente.

“O crime foi tão brutal que dilacerou a perna de um deles. Ele não foi capaz de dar um telefonema para o socorro. Meu filho ficou vivo e morreu no hospital, mas demorou cerca de uma hora para receber assistência. Ele os deixou dentro do mato e vazou. Então, o fato dele estar na contramão, vir em alta velocidade que arrancou um poste de energia, sumir do local, não dar nenhuma assistência não é sem intenção. Houve sim o dolo”, criticou.

O parente também criticou o MP-AC e prometeu um novo protesto para os próximos dias. A família fez um ato em frente a sede do órgão no final do mês de maio para cobrar justiça e rapidez no processo.

“O cara vem do Sul pra cá trabalhar em um projeto florestal, é engenheiro florestal, de repente não tem ninguém e aparece toda essa proteção no meio. É como se a vida não valesse mais nada. Hoje foi meu filho e o filho do meu amigo. O cara não vai sofrer dano nenhum, amanhã ou depois vai voltar dirigir. Isso não é papel do Ministério Público dizer que é culposo. Ele é como se fosse advogado da sociedade”, lamentou.