Mesmo com uso de asfalto quente, obra enfrenta desgaste precoce durante o período chuvoso; especialistas alertam para falhas na execução e excesso de peso de veículos
Rachaduras e buracos começaram a aparecer no asfalto recém-colocado em diversas ruas de Boca do Acre. Vídeos e fotos enviados por moradores ao Jornal Opinião mostram que o pavimento, executado recentemente, já apresenta sinais de desgaste, principalmente em trechos onde há tráfego constante de veículos pesados.
As imagens chamam a atenção porque o serviço foi realizado com asfalto quente, material tecnicamente indicado para aplicação inclusive em período chuvoso. Ainda assim, o revestimento não tem resistido às chuvas intensas e à circulação de caminhões e máquinas de grande porte.
O empresário Júnior da Eloniza elogiou a iniciativa de pavimentação e reconheceu a importância da obra para a mobilidade urbana, mas fez um alerta importante. Ele dissse que o asfalto é bem-vindo e melhora muito a cidade, mas se não houver uma lei que limite o peso dos veículos que circulam nessas ruas, o problema vai continuar.
A maioria dos comentários da postagem do empresário concordam que a classe política deve se mexer para aprovar dispositivos legais que coloquem limite de peso ao tráfego de veículo, senão, em meses, os mesmos problemas voltarão a aparecer, pois há previsão de que Boca do Acre e o Sul do Amazonas enfrentem um período chuvoso rigoroso.
Especialistas apontam riscos da pavimentação no inverno amazônico
O Jornal Opinião ouviu engenheiros e especialistas em pavimentação, que pediram para não serem identificados, e todos foram unânimes ao afirmar que asfaltar durante o período chuvoso exige cuidados técnicos rigorosos.
Segundo os profissionais, um dos principais problemas está na preparação da base. “Se o solo não estiver devidamente compactado e seco, a aderência do asfalto fica comprometida. A água impede a fixação adequada, e o resultado são trincas, afundamentos e buracos em pouco tempo”, explicou um engenheiro civil.
Outro especialista destacou que a aplicação do asfalto quente, apesar de correta do ponto de vista técnico, não resolve sozinha o problema. “O asfalto pode até ser o material adequado, mas se a base estiver encharcada ou mal executada, a camada superior não aguenta o esforço mecânico, principalmente com veículos pesados”, afirmou.
Programa estadual e disputa por protagonismo
A pavimentação em andamento em Boca do Acre faz parte da primeira etapa do programa Asfalta Amazonas, recurso do Governo do Estado do Amazonas. No entanto, moradores e observadores têm notado a ausência de cavaletes de identificação da obra, que normalmente informam a origem dos recursos e o nome do programa estadual.
Segundo apurado pelo Jornal Opinião, esses cavaletes não estariam sendo instalados pela equipe da prefeitura, o que levanta questionamentos sobre uma possível tentativa de atribuir exclusivamente ao prefeito Frank Barros os méritos pelo serviço executado com verba estadual.



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