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domingo, 6 de setembro de 2026
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R$ 75 milhões em investimentos: quem está bancando as obras de Boca do Acre?

Boca do Acre vive um momento de forte movimentação em torno de investimentos em infraestrutura. Segundo declaração do senador Eduardo Braga, candidato à reeleição, o município está sendo contemplado com aproximadamente R$ 75 milhões em recursos para obras, volume que, na avaliação do parlamentar, representa o maior investimento em infraestrutura já destinado à cidade.

Do total anunciado, cerca de R$ 55 milhões seriam destinados a serviços de pavimentação, concretagem e asfaltamento dentro do município. Outros R$ 20 milhões correspondem ao trecho da estrada entre Boca do Acre e Piquiá, uma ligação terrestre aguardada há décadas pela população.

Se os valores forem integralmente executados, o montante representa um investimento expressivo para um município do interior do Amazonas e tem potencial para provocar mudanças importantes na infraestrutura urbana e no acesso rodoviário da região.

Quanto desse dinheiro sai dos cofres da Prefeitura?

Apesar do volume de recursos anunciado, uma questão começa a ganhar espaço no debate político local: qual é a participação financeira da Prefeitura de Boca do Acre nas obras?

Os R$ 75 milhões citados não correspondem, em sua totalidade, a recursos próprios do município. Parte significativa dos investimentos é viabilizada por emendas parlamentares e recursos provenientes de outras esferas de governo.

É nesse contexto que surgem questionamentos de críticos da administração do prefeito Frank Sobreira Barros sobre o volume de investimentos realizados diretamente com recursos municipais. A discussão envolve a capacidade da Prefeitura de executar grandes projetos utilizando receitas próprias, sem depender exclusivamente de recursos obtidos por meio de parlamentares ou dos governos estadual e federal.

Boca do Acre–Piquiá ainda espera pelo asfalto

Entre os investimentos anunciados, um dos que mais desperta expectativa é o trecho da estrada entre Boca do Acre e Piquiá, contemplado com aproximadamente R$ 20 milhões.

A obra já recebeu serviços de terraplanagem e aplicação de material betuminoso. A população, porém, aguarda o início da etapa considerada mais importante: a aplicação do asfalto no trecho.

Uma informação atribuída a uma pessoa ligada à empresa responsável pela execução da obra levantou a possibilidade de que os serviços realizados neste momento permaneçam concentrados na aplicação do material betuminoso, enquanto o asfaltamento propriamente dito poderia ficar para 2027.

A possibilidade, entretanto, contrasta com uma declaração anterior do responsável técnico pela empresa. Em 28 de agosto, ele informou que a usina de asfalto estava sendo deslocada de Humaitá para Boca do Acre e que deveria chegar ao município em aproximadamente dois dias.

Na ocasião, a previsão apresentada era de que, após a chegada da usina, o lançamento do asfalto começaria em aproximadamente dez dias. O prazo mencionado já passou, mas o asfaltamento ainda não teve início, aumentando a expectativa e a cobrança da população.

Reforma de escola de R$ 5,3 milhões também gera questionamentos

Outro ponto que chama atenção no debate sobre os investimentos públicos em Boca do Acre é a reforma da Escola Raimundo Soares, localizada no bairro Projeto Graça.

Informações que circulam no debate público local apontam que a obra teria alcançado aproximadamente R$ 5,3 milhões e seria financiada com recursos federais vinculados ao Fundeb.

O valor elevado para uma reforma escolar passou a gerar questionamentos sobre a execução do contrato, especialmente diante da falta de esclarecimentos públicos apontada por críticos da administração.

Entre as dúvidas levantadas estão qual foi a empresa responsável pela obra, qual o valor oficial contratado, quais serviços foram previstos no projeto e quanto já foi efetivamente pago.

Valor elevado não significa, por si só, superfaturamento

A dimensão financeira da reforma também alimentou suspeitas e críticas nas redes sociais e no debate político local. No entanto, um valor considerado elevado não é suficiente, por si só, para caracterizar superfaturamento.

Para confirmar eventual irregularidade, seria necessário analisar documentos como o processo de contratação, projeto básico, planilha orçamentária, contrato, medições, pagamentos realizados e eventuais aditivos, além de comparar os preços contratados com os parâmetros oficiais aplicáveis.

Até que esses documentos sejam analisados, as suspeitas devem ser tratadas como questionamentos que aguardam esclarecimentos, e não como irregularidades comprovadas.

Transparência passa a ser ponto central

Diante dos valores envolvidos, a transparência sobre a origem e a aplicação dos recursos se torna fundamental. No caso das obras de infraestrutura, é necessário acompanhar quanto foi empenhado, pago e efetivamente executado.

Na reforma da Escola Raimundo Soares, também é importante que sejam disponibilizadas informações sobre a empresa contratada, o valor do contrato, os serviços previstos e a situação atual da obra.

Com aproximadamente R$ 75 milhões em investimentos anunciados para Boca do Acre, a população passa a ter não apenas a expectativa pelas melhorias, mas também o direito de acompanhar como cada recurso está sendo aplicado e quais resultados estão sendo efetivamente entregues.