
Hoje, quando Boca do Acre celebra 134 anos de história, a memória de Jonas Bezerra Lima, conhecido carinhosamente como “Burrinha,” ecoa com profunda emoção, especialmente por sua contribuição mais emblemática: a criação da bandeira do município.
Jonas nasceu em 6 de agosto de 1956, no coração de Boca do Acre, no bairro Praia do Gado. Veio ao mundo pelas mãos de uma parteira inglesa, Mary Harvey, sendo filho de Carlos Bezerra de Lima e Albertina Bezerra de Lima. A infância de Jonas foi marcada pelo amor familiar e pela simplicidade de uma vida modesta, onde sua mãe, mesmo com recursos limitados, o ensinou a ler e escrever. Foi o início de uma jornada educacional que moldaria sua vida e seu futuro.
Bandeira: 1979
Aos oito anos, Jonas foi matriculado no Patronato Nossa Senhora de Nazaré, e, ao longo dos anos, passou por instituições como o grupo Jacinto Ale e a Escola Estadual Danilo Corrêa, onde concluiu o ensino médio. Mas foi durante o segundo ano, em 1979, que ele conquistou um feito inesquecível: venceu o concurso de criação da bandeira de Boca do Acre, gravando para sempre seu nome na história do município.
Jonas não parou por aí. Mesmo após terminar o ensino médio, seguiu novos caminhos, estudando Contabilidade e Magistério. Seu primeiro emprego foi como professor na Escola Estadual Barão de Boca do Acre. Em busca de oportunidades, mudou-se para Manaus em 1976, mas o destino o trouxe de volta a Boca do Acre no ano seguinte. Em 1977, com o apoio de sua mãe e sob a gestão do então prefeito Aguinaldo Antônio de Souza, Jonas fez um concurso do INCRA, sendo aprovado em primeiro lugar. Essa vitória abriu portas, e ele começou a trabalhar como artífice, depois se especializando até se tornar desenhista em 1979, função que desempenha até hoje.
A vida de Jonas foi marcada por dedicação e sensibilidade. Durante seu trabalho no INCRA, sua humanidade brilhou. Mesmo no horário de almoço, ele não deixava de atender os ribeirinhos que chegavam ao município em busca de auxílio. “Eu morei no seringal e sei como é difícil vir até aqui”, dizia, com a voz de quem conhecia as dificuldades da vida na floresta.
Apesar de suas inúmeras conquistas profissionais, os momentos mais marcantes de sua vida foram profundamente pessoais. O nascimento de seu filho Adriel foi uma alegria imensurável, especialmente por já ter três filhas e desejar um filho homem. No entanto, a dor da perda de sua avó permanece até hoje, uma ferida que ele nunca conseguiu superar.
Jonas, com sua humildade e coerência, tornou-se um símbolo de dedicação e amor por Boca do Acre. Em um desejo profundo, ele afirmou que, quando chegar sua hora de partir, quer que a bandeira que ele mesmo criou para a cidade seja desenhada em seu túmulo. Porque, assim como a bandeira tremula sob o céu de Boca do Acre, o legado de Jonas Bezerra Lima continuará a tremular nos corações daqueles que amam essa terra.


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