A safra de castanha-do-Brasil registrou neste ano uma redução de cerca de 70% em relação a 2016 nas zonas de produção na Amazônia, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em nota, a Embrapa diz que a produção esperada para 2017 é de 10 mil toneladas, enquanto as últimas médias anuais vinham variando entre 20 mil e 40 mil toneladas. A queda da produção fez o preço da lata de onze quilos da castanha, que em 2016 custou em média R$ 50, saltar para R$ 120 nas florestas de algumas regiões. Pesquisadores apontam alterações no regime de chuvas como a principal causa dessa queda.
Na Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, são muitos os casos de prejuízos. A Embrapa entrevistou coletores como Severino da Silva Brito conta que, das 250 latas de castanha que costuma coletar, neste ano ele só conseguiu 13. Uma queda de quase 95%, o que impactou diretamente na renda da família. “Nunca tinha visto isso. Em 50 anos, esta é a primeira vez que cai tanto a produção. São quase 11 mil reais que deixei de arrecadar este ano com a venda da castanha”, relata.
No início da década de 1990, a produção brasileira de castanha alcançou seu melhor momento e chegou a aproximadamente 50 mil toneladas. Até 2003, a produção oscilou entre 20 mil e 40 mil toneladas, com picos de queda em 1992 e 1996 e de alta em 1995 e 2000. O preço da castanha é um forte motivador para que os extrativistas entrem nas florestas e coletem os frutos. Em muitas áreas distantes e de difícil acesso, só compensa coletar a castanha a partir de um determinado preço, pois a atividade exige esforço. “Assim, acredita-se que a variação na produção em alguns anos pode ter tido relação com o preço praticado nos mercados locais”, afirma a pesquisadora da Embrapa Rondônia Lúcia Wadt.
Na década de 1990, até meados dos anos 2000, uma lata de castanha era vendida pelo extrativista por aproximadamente 3,7 dólares, com pouca variação naquele período. A partir de 2005, houve uma valorização crescente da castanha-da-amazônia. De 2005 a 2011, o preço de uma lata ficou em torno de 16 reais, ou 8 dólares, com alterações para mais e para menos. A partir daí, observaram-se valores crescentes, como R$ 20 em 2013, R$ 30 em 2015 e R$ 50 em 2016.
Nesta última safra, em 2017, a castanha praticamente sumiu do mercado, o que fez com que seu preço disparasse, chegando a valores de até R$ 120 a lata nas florestas do Acre e do Mato Grosso. No sul do Amapá, um hectolitro (5 latas) chegou a ser comercializado por R$ 750. “A valorização observada nesta safra é reflexo da queda brusca na produção, que aconteceu em um momento de crescimento do mercado”, analisa o pesquisador da Embrapa Amapá Marcelino Guedes. Há relatos de extrativistas, que coletam a castanha há décadas, de que nunca viram algo assim.
A impressão dos extrativistas foi confirmada pelos estudos científicos. A Embrapa, por meio da Rede Kamukaia, desenvolve pesquisas sobre a castanheira em parcelas permanentes, nas quais a produção de frutos é monitorada desde 2007, em mais de 1.200 castanheiras nos estados do Acre, Roraima, Mato Grosso e Amapá.


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