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terça-feira, 23 de junho de 2026
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Quando votar é inútil

Quando votar é inútil

O que pode o político? Escolhido pelos contribuintes, por aqueles que trabalham para pagar impostos com o suor do trabalho, o político se sustenta com que a máquina pública arrecada. Ocupar um cargo político é a forma mais fácil de receber dinheiro, porque o empregador, que é o eleitor contribuinte, não exige do empregado, o homem público, qualidade de trabalho. O eleitor é péssimo empregador.

Assim, recebendo muito dinheiro público com pouco trabalho e com muito trabalho ruim, o político melhora, primeiro, sua conta bancária e piora as contas públicas. Quando já está empregado, o político ignora o empregador, não dando nenhuma satisfação sobre a real situação dos cofres públicos. Pior: ainda que seja empregado pelo eleitor, o político impede que o empregador decida como empregar o erário na sociedade. Nesse sentido, o dinheiro público deixa de ser público, cabendo somente ao político dizer o que deve e o que não deve ser feito com o dinheiro do contribuinte.

Se melhorar a saúde pública ou a educação depende da verba do contribuinte, nada mais justo de que o contribuinte ser convocado a participar não só dos orçamentos estadual e municipal, mas também ser convocado a decidir onde aplicar o dinheiro público no seu estado e no seu município. Nesse caso, o imposto pago pelo contribuinte retorna ao contribuinte como um bem comum ao local onde se vive. Se a verba é pública, participação e decisão devem estar nas mãos do público, que é o contribuinte, que é o eleitor, que é o empregador. Não existe sentido político justo desse dinheiro ficar submetido, exclusivamente, às vontades de quem foi empregado pelo eleitor, o político.

Além da política representativa, é preciso haver a política participativa, porque, só o político “cuidar” do dinheiro do contribuinte, a história já mostrou que não é o mais apropriado. Empregador e empregado, dentro de uma democracia justa, devem em assembleias populares decidir quanto-onde-como-quando investir o dinheiro público para o bem de todos. Leis precisam ser criadas a fim de que assembleias legislativas e assembleias populares sejam corresponsáveis pelo erário, porque, quando se trata de grana, a democracia necessita ser revista.

Além disso, evidente, a mais absoluta transparência da verba pública, visto que não existe razão de, uma vez empregado pelo eleitor, só o político tomar ciência do dinheiro que pertence ao contribuinte. Talvez, mais do que liberdade de expressão, democracia seja tornar a verba pública transparente e fazer com que essa verba seja gerenciada pelo eleitor e pelo político.


Aldo Tavares é professor de Língua Portuguesa e Filosofia