
Na terça-feira (17), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou novas regras a respeito da presença de gordura trans em alimentos industrializados. Com a implementação da medida, o principal tipo de gordura trans em circulação no mercado deverá ser banido até 1º de janeiro de 2023.
Se o plano for implementado, o Brasil se alinhará a diretrizes estabelecidas pela OMS (Organização Mundial de Saúde), que lançou uma campanha em maio de 2018 para a retirada de alimentos com gordura trans de prateleiras e restaurantes do mundo até 2023.
Um exemplo citado pela OMS são os EUA, onde, em 2015, o governo oficialmente reconheceu as gorduras trans como nocivas à saúde. Elas foram eliminadas do país em julho de 2018.
De acordo com o órgão máximo de saúde no mundo, a substituição desse tipo de gordura por opções mais saudáveis pode ser feita em qualquer país.
OS RISCOS DA GORDURA TRANS
O consumo de gorduras trans aumenta os níveis de colesterol LDL (lipoproteína de baixa densidade), conhecido como “colesterol ruim”, que pode se acumular nas paredes das artérias, deixando-as mais duras e estreitas. Por isso, o consumo de gorduras trans aumenta o risco de infarte, derrame e diabetes do tipo 2.
Além disso, o cérebro é um órgão do corpo humano cuja composição tem 70% de gordura, que, se incorporada às membranas de células, pode prejudicar a comunicação entre neurônios. Há estudos que associam o consumo de gorduras trans a risco de Alzheimer e depressão.
540 mil mortes poderiam ser eliminadas ano a ano caso a gordura trans fosse eliminada do mundo, seguro estimativa da OMS
O QUE É GORDURA TRANS
Gordura trans é um tipo de gordura encontrado originalmente na natureza – como no leite e na carne bovina, mas em baixíssima quantidade. Ela também pode ser produzida em grandes quantidades por meio de processos industriais.
Nesse caso, também pode ser chamada de gordura vegetal hidrogenada. Isso porque se adiciona hidrogênio às moléculas de um óleo vegetal (líquido), dando a ele mais consistência e durabilidade. Em temperatura ambiente, a gordura trans permanece em estado sólido.
Na indústria, a gordura trans funciona como um insumo mais barato do que a gordura animal (como a manteiga), proporciona crocância, realça o sabor e aumenta o prazo de validade dos alimentos. Embora seu modo de produção seja conhecido desde o século 19, a compreensão sobre seus efeitos à saúde humana se consolidou apenas no século seguinte, entre as décadas de 1970 e 1980.
Diferentemente das gorduras mais comuns (cis), a gordura trans não é metabolizada pelo corpo humano. “Ela não é absorvida, por isso ela vai sendo depositada como uma gordura sólida, formando ateromas ou placas de gordura nas artérias, causando todo tipo de doença cardiovascular possível”, disse ao Nexo em maio de 2018 professora da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo) Elizabeth Ferraz da Silva Torres.
No mercado, é possível encontrar gordura trans em produtos industrializados como margarina, sorvete, bolo, bolachas e biscoitos salgados ou doces (sobretudo os recheados), salgados fritos ou assados, além de pipoca de microondas e doces em geral. O plano da Anvisa é dividido em três pontos.
QUAL É O PLANO PARA ERRADICAR A GORDURA TRANS
1ª PONTO
A Anvisa determinou que, até julho de 2021, o índice de gordura trans em óleos refinados, como o óleo de girassol, deverá ser de no máximo 2%. De acordo com a Anvisa, a gordura trans é produzida devido ao tratamento térmico aplicado na etapa de desodorização do produto.
2º PONTO
Também até julho de 2021, as empresas deverão restringir a gordura trans para o limite de 2% sobre o total de gordura nos demais alimentos comercializados no varejo e no atacado. Isso vale tanto para produtos industrializados, como salgadinhos e doces, quanto para aqueles ofertados em restaurantes e fast-foods. Essa regra não vale, no entanto, para os alimentos usados para fins industriais, que servem de matéria-prima para alimentos vendidos à população.
3º PONTO
A partir de 1º de janeiro de 2023, a norma da Anvisa prevê o banimento da gordura parcialmente hidrogenada. Essa é a principal fonte de gorduras trans industriais nos alimentos.


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