“Fatia da Alegria: Onde o Doce Encanta e a Tradição Floresce”, “A Voz da Nossa Terra”, “Cangaia”, “Milhópolis – O Reino do Milho Dourado” e “Adjunto” foram os temas apresentados pelas quadrilhas que subiram ao tablado na noite desta sexta-feira, 26, durante o Concurso Estadual de Quadrilhas Juninas. O evento ocorre na Gameleira, em Rio Branco, como parte do Arraial Cultural promovido pela Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM).

A primeira a se apresentar foi a Junina Forrozeira, de Porto Acre, que levou a história dos agricultores ribeirinhos ao tablado com o tema “Fatia da Alegria”. Com apenas quatro anos de existência, o grupo chega ao Concurso Estadual de Quadrilhas Juninas com um espetáculo que mistura poesia, identidade e memória. A apresentação é uma homenagem aos agricultores ribeirinhos que cultivam melancia às margens do Rio Acre.
A coordenadora-geral e noiva da quadrilha, Josy Orakis, explica que a escolha do tema nasceu do desejo de valorizar quem vive do plantio e mantém viva uma tradição que molda a identidade do município.
“Queremos mostrar que, por trás de cada melancia colhida, existem histórias de luta, esperança e amor pela cultura”, afirma. Segundo ela, o espetáculo busca transformar em dança e narrativa o cotidiano das famílias que tiram da terra e da areia o sustento de gerações.
O público pôde consumir um show marcado por cores vibrantes, música e cenários que retrataram o rio, o plantio e a vida no campo. “Levamos para a arena uma história inspirada na realidade do nosso povo. É uma apresentação preparada com muito carinho, buscando emocionar e representar Porto Acre da melhor forma possível”, destaca Josy.

A quadrilha tem cerca de 60 integrantes ao tablado, entre brincantes, equipe de apoio, produção e coordenação. O número expressivo reforça o caráter coletivo do trabalho, que envolve meses de preparação.
Fundada em 2022, a Junina Forrozeira nasceu com o propósito de fortalecer a cultura junina no município e transformar elementos da identidade acreana em espetáculos que unem arte e tradição. A cada ano, o grupo busca novas formas de contar histórias do povo acreano.
“Queremos transmitir uma mensagem de valorização da agricultura familiar, do homem e da mulher do campo. A verdadeira riqueza está nas pessoas que mantêm vivas nossas raízes”, afirma a coordenadora.

‘A Voz da Nossa Terra’
Com 26 anos dedicados à preservação da cultura popular, a Quadrilha Junina Manguaça, de Sena Madureira, sobe ao tablado do Concurso Estadual de Quadrilhas Juninas com um espetáculo que revisita a própria origem do município. O grupo apresenta neste ano o tema “A Voz da Nossa Terra”, que resgata a história local desde os tempos do Seringal Santa Fé até a fundação da cidade.
O coordenador-geral e presidente do grupo, Otalício Almeida, explica que a escolha do tema nasceu do desejo de homenagear os pioneiros e reforçar o sentimento de pertencimento.
“Queremos valorizar nossas raízes e destacar aqueles que ajudaram a construir Sena Madureira. É uma forma de fortalecer a identidade cultural do nosso povo”, afirma.
A apresentação emocionou o público com um espetáculo repleto de cores, música e personagens marcantes. Segundo Almeida, o grupo os cenários foram inspirados na época dos seringais, figurinos temáticos e coreografias que narram a trajetória do município.
“O público viu muita história no palco. É uma celebração da cultura acreana e da tradição junina”, destaca.
Cerca de 60 integrantes participam da apresentação, entre dançarinos, equipe de apoio, produção e coordenação. O número expressivo reflete o envolvimento comunitário que marca a trajetória da Manguaça, reconhecida como uma das quadrilhas mais tradicionais do Acre.

Fundada há mais de duas décadas, a Junina Manguaça se consolidou como um símbolo de resistência cultural. Ao longo dos anos, o grupo transformou elementos da vida amazônica em dança, música e narrativa. Neste ciclo junino, a proposta é reforçar o orgulho de ser senamadureirense.
“Queremos destacar a força, a coragem e a determinação das pessoas que fizeram parte da construção da nossa história”, afirma o coordenador.
Para Almeida, o Concurso Estadual de Quadrilhas Juninas tem papel fundamental na preservação da cultura popular. Ele ressalta que eventos como esse movimentam a economia local, fortalecem a identidade dos municípios e dão visibilidade aos artistas do interior.
“É um momento de integração e valorização dos grupos culturais do nosso estado”, conclui.

Os pesos da vida e a força de seguir dançando
A Quadrilha Explosão Junina, de Plácido de Castro, chega ao Concurso Estadual de Quadrilhas Juninas com um espetáculo que mistura metáfora, emoção e superação. O grupo apresenta o tema “Cangaia”, inspirado no jumento — animal historicamente essencial para o desenvolvimento do país, mas pouco valorizado — para falar sobre os pesos que cada pessoa carrega ao longo da vida.
A noiva, coreógrafa e presidente do grupo, Ingreddy Asfuri, explica que a escolha do tema nasceu de uma reflexão sobre resistência e também de uma homenagem interna.
“Todos nós carregamos nossos pesos, mas não podemos deixar que isso nos limite. A cangaia simboliza isso. E também quisemos homenagear nosso noivo, que é cego e nunca deixou de dançar o São João”, afirma.
Segundo Ingreddy, o público pode esperar uma apresentação marcada pela emoção e pelo humor. “É uma comédia romântica daquelas que o povo gosta, cheia de sentimento e leveza”, destaca.

A quadrilha mobiliza cerca de 80 integrantes, entre brincantes, atores e equipe de produção e a dimensão do grupo reflete o compromisso coletivo que sustenta a Explosão Junina, reconhecida pela energia e pela criatividade de seus espetáculos.
A história da quadrilha é marcada por superação e resiliência, elementos que também estarão presentes no tablado. “Queremos inspirar quem nos assistir. Nossa trajetória mostra que, mesmo com dificuldades, é possível construir algo bonito e significativo”, diz a presidente.
Ingreddy também ressalta a importância do Arraial Cultural para o Acre. Para ela, o evento é mais do que uma competição: é um espaço de celebração da identidade popular.
“Os grupos passam de seis a oito meses se preparando. O Arraial movimenta a economia local, gera oportunidades para artistas e trabalhadores da cultura e revela talentos que dedicam meses para encantar o público. É um encontro de histórias, cores, ritmos e emoções que mantém viva a tradição junina no estado”, afirma.

Fantasia e tradição
A Quadrilha Junina Tradição, de Epitaciolândia, encantou o público no Concurso Estadual de Quadrilhas Juninas com um espetáculo que mistura fantasia, teatro, dança e elementos clássicos da cultura popular. O grupo apresenta neste ano o tema “Milhópolis – O Reino do Milho Dourado”, uma narrativa original que transforma o milho, símbolo maior das festas juninas, no coração de um reino encantado.
O presidente e diretor artístico da quadrilha, Ricardo Maffi, explica que a escolha do tema nasceu do desejo de unir tradição e imaginação em uma história que dialoga com todas as idades.
“O milho representa vida, prosperidade, união e esperança. Criamos um reino onde ele é o elemento central, para transmitir uma mensagem de inclusão, respeito às diferenças e valorização da cultura popular”, afirma.

A apresentação levou ao tablado uma mistura de aventura, humor, romance e efeitos visuais. Segundo Ricardo, o público tem acesso a uma narrativa envolvente sobre a luta para recuperar as lendárias sementes do Milho Dourado, responsáveis pela prosperidade de Milhópolis.
“Temos figurinos inspirados nos milharais e na realeza, coreografias marcantes e uma grande celebração final. É um espetáculo pensado para encantar crianças e adultos”, destaca.
A quadrilha conta com cerca de 60 participantes, entre dançarinos, atores, equipe de apoio e produção. O trabalho, que envolve meses de preparação, é motivo de orgulho para o município. “É um esforço coletivo para representar Epitaciolândia e a cultura acreana com a qualidade que o público merece”, diz o diretor artístico.

A história criada pela Junina Tradição acompanha o jovem Zezé, que parte em uma jornada para recuperar as sementes mágicas roubadas pelo Barão e pela Baronesa do Asfalto. A aventura, segundo Maffi, carrega valores que vão além da fantasia. “Queremos falar de união, coragem, amor, respeito às diferenças e da importância do perdão. São mensagens que dialogam com o público e reforçam o espírito das festas juninas”, explica.
Para o presidente da quadrilha, o Festival Estadual de Quadrilhas Juninas tem papel essencial na preservação da cultura popular acreana. “O evento fortalece a identidade dos municípios, movimenta a economia criativa e incentiva o trabalho de artistas e produtores culturais. É uma vitrine da riqueza cultural do nosso estado”, afirma.

Voltando às raízes
O coordenador da quadrilha junina Malucos na Roça, Anderson Schneider, destacou o resgate das tradições neste ano com o tema “Adjunto”. A apresentação do grupo contou com uma intérprete de Libras.
“Depois de muitos anos, voltamos ao estilo tradicional das quadrilhas do Acre. Trouxemos de volta elementos como o bailado, a palma, os vestidos de chita e xadrez, além da palha e das bandinhas, que representam o verdadeiro espírito do São João. É um retorno às nossas raízes”, afirmou.
Segundo Schneider, o grupo conta com cerca de 150 pessoas diretamente envolvidas na apresentação e mais de 200 colaboradores indiretos. “Somos uma das maiores quadrilhas do estado, e isso nos enche de orgulho”, disse.
Ele ressaltou ainda a expectativa para o concurso: “Esperamos muita entrega dos integrantes e também do público. Nosso trabalho é feito para emocionar e mostrar que também somos quadrilha, que sabemos dançar e celebrar. Para nós, isso é muito gratificante”.
Com 26 anos de história, a Malucos na Roça reúne forte apoio da comunidade e até de brincantes de outras regiões. “É emocionante ver tanta gente envolvida e torcendo por nós. Estar na arena depois de tantos anos de luta é uma conquista que nos deixa muito felizes”, concluiu Schneider.

Reconhecimento e apoio às quadrilhas
O presidente da Liga das Quadrilhas, Aurimar Aragão, destacou a força das apresentações realizadas durante o festival, que nesta quarta noite reuniu cinco grupos.
“A expectativa do público é muito grande. As quadrilhas se preparam durante meses de ensaio e pesquisa, muitas vezes ao longo de um ano inteiro, para colocar seu trabalho na rua. O festival é a consagração desse esforço coletivo”, afirmou.

Aragão explicou que as quadrilhas filiadas participaram de chamamento público e receberam apoio financeiro por meio de emenda federal.
“Cada grupo recebeu cerca de R$ 25 mil, recurso destinado à confecção de figurinos, adereços e produção dos temas. Sabemos que não cobre todos os custos, mas ajuda bastante e, ao mesmo tempo, movimenta a economia local, beneficiando costureiras, artesãos e coreógrafos da comunidade”, disse.
Ele ressaltou ainda o incentivo garantido pelo governo estadual para a quadrilha campeã. “A vencedora terá direito ao transporte para o concurso nacional, além de R$ 20 mil para alimentação e mais R$ 6 mil de participação, somados à premiação. Esse suporte é fundamental para que o grupo que represente o Acre não enfrente dificuldades”, destacou.
Aragão concluiu agradecendo ao governo do estado pelo apoio: “Essa preocupação em garantir condições para nossas quadrilhas mostra o reconhecimento da importância cultural do movimento junino”.
Premiação

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