Ativistas fantasiados de Pikachu realizaram uma ação-relâmpago na Blue Zone da COP30, em Belém, e direcionaram críticas à delegação japonesa por investimentos em combustíveis fósseis fora do país.
O protesto
O ato ocorreu quando parte da delegação japonesa deixou uma plenária deliberativa e transitou pelo corredor principal da área restrita. Rapidamente, os manifestantes vestiram as roupas, abriram faixas e entoaram em japonês a frase “Sayonara fossil fuel” (“adeus, combustíveis fósseis”), buscando constranger autoridades e atrair atenção para a pauta.
Organizado por uma coalizão de ONGs ambientais, o protesto denuncia que o Japão tem financiado projetos fósseis em outros países asiáticos — prática que, segundo os ativistas, configuraria uma forma de neocolonialismo climático, ao “exportar” emissões e impactos para nações mais pobres.
Críticas às estratégias japonesas
As organizações participantes citam a atuação da Asia Zero Emissions Community (AZEC) e acordos com empresas em Indonésia, Tailândia, Filipinas e Malásia. Para os críticos, medidas como o uso de gás natural, hidrogênio produzido a partir de combustíveis fósseis e a co-combustão de amônia em termelétricas a carvão não representam uma transição justa.
Debate sobre falsas soluções
Ativistas também rejeitam a aposta japonesa em tecnologias de captura e armazenamento de carbono e em combustíveis sintéticos, argumentando que esses caminhos são caros, pouco eficientes e tendem a prolongar a dependência fóssil.
Sharif Jamil, da Waterkeeper Bangladesh, alertou para o risco de as metas do Acordo de Paris serem comprometidas se países ricos não reduzirem rapidamente seus financiamentos fósseis. “Nunca foi tão urgente que os ricos liderem a transição para longe dos combustíveis fósseis”, disse.
Contexto
O Japão figura entre os países que apoiam o Compromisso de Belém 4X, iniciativa da COP30 que estimula a expansão de combustíveis sustentáveis, como hidrogênio verde e biocombustíveis, até 2035. Para ONGs presentes na cúpula, no entanto, o esforço do governo japonês é contraditório quando paralelo a investimentos fósseis externos.



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