Por Alejandro Fonseca Duarte
Na intersecção das avenidas Getúlio Vargas e Brasil, no centro da capital do Estado do Acre, fica a praça batizada com o nome Thomas Edson, segundo sinalizado no cartaz reproduzido na foto do lugar. Na praça não há um busto, uma estátua, nem uma placa com uma inscrição e informações da homenagem.
Então haveria que deduzir que se trata de Thomas Alva Edison, célebre inventor estadunidense (1847 – 1931), que entre suas mais de mil patentes, destacam-se a lâmpada incandescente e o gerador de corrente elétrica, cuja transcendência tem sido absolutamente revolucionária para a sociedade moderna.
O erro de grafia no cartaz, não diminui um ápice a intenção de reconhecimento ao mérito, nem o propósito da divulgação cultural, histórica, tecnológica e científica. É que erroneamente se atribui à consoante desacompanhada de vogal um som completado com um “i”. Assim, por exemplo, se confundem os fonemas das palavras “segmento” e “seguimento”, e no caso aqui mencionado foi confundido Edson com Edison. Interessante notar que no caso de Pelé, quando o chamam por Edson, o fazem corretamente, sem pronunciar aquele som de “i” após o “d”.
Lá pelos anos sessenta existiu no bairro da Base a modernidade de um gerador elétrico, a Usina de Luz, que além do barulho ensurdecedor fornecia eletricidade durante várias horas da noite. As lâmpadas incandescentes nas salas dos que recebiam esse fornecimento brilhavam na escuridão da noite emulando com as estrelas, os claros de lua, as velas e as lamparinas do entorno. A tal planta geradora estava exposta no Museu da Eletricidade, no prédio da Eletroacre, no bairro Bosque. Inicialmente tinha-se acesso ao museu pela porta principal do prédio, depois pelo portão lateral onde havia uma placa de identificação do museu, atualmente não há mais sinal da placa, nem da existência do museu. -Não existe, foi desativado.
Uma descarga atmosférica se manifesta como luz e som (raio, trovão), queima, carboniza, paralisa e mata. Na antiguidade tais manifestações e efeitos eram interpretados como ira dos deuses de diferentes civilizações e povos. Os deuses castigavam os homens pelos seus pecados, lançavam para a Terra martelos e flechas, que eram os raios, junto com eles vinham as tempestades e incêndios arrasadores de bosques, a desgraça.
Foi Benjamim Franklin quem em 1752 arrancou os raios do domínio dos deuses ao comprovar que consistiam em uma descarga elétrica. A comprovação veio de um experimento cuja descrição parece mais uma anedota do que uma realização prática pois, segundo a história, ele empinou uma pipa usando um fio metálico em meio a uma tempestade. De quebra botou uma chave metálica no extremo do fio, junto à pipa. Em resumo, inventou o para-raios. A descarga de um raio entre a nuvem de tempestade e a chave unida à terra pelo fio condutor, pode ser superior a um milhão de vezes os 110 volts usados ordinariamente nas casas. Não está claro quais isolamentos foram utilizados para impedir o desastre de tostar aquele que empinara a pipa. Mais importante do que isso foi que o raio deixou de ser descrito por um modelo de lanças, para sê-lo por um modelo elétrico.
Diferentes fenômenos elétricos eram conhecidos pelas suas manifestações. Por aqui, os índios sabiam do peixe elétrico da Amazônia, experimentaram sua descarga. Em tempos modernos, sempre que alguém tocou nele, ou o fez com uma vara metálica, sentiu a descarga. Também povos de ambientes frios e secos, que abrigavam seus corpos com peles de lã observaram descargas como pequenos raios ao se aproximar de algumas resinas. A explicação é dada a partir do atrito da lã e da resina com o ar, o que as carrega com eletricidade de tipos diferentes, convencionalmente chamadas de eletricidade positiva e eletricidade negativa.
Corpos com eletricidade de sinais opostos, situados próximos um do outro, favorecem a ocorrência de uma descarga elétrica. Também o contato através de um meio metálico exerce a descarga. São as partículas chamadas elétrons as que se movimentam nessa descarga. A Terra é uma grande fornecedora e receptora de correntes de elétrons. O aterramento tem a ver com essa caraterística, que possibilita a passagem da correste elétrica entre a terra e corpos eletrizados negativa ou positivamente e assim neutralizá-los, quer dizer, deixá-los sem carga excedente. O aterramento é uma medida de segurança contra possíveis acidentes com a eletricidade.
Como todos os corpos estão compostos de átomos e moléculas, e estas unidades comportam elétrons, então os fenômenos elétricos estão bem presentes. Correntes elétricas produzem a contração muscular e levam as informações do sistema nervoso. O que falar sobre eletrodomésticos? Daria para imaginar um mundo sem as funções e aplicações da eletricidade? -Impossível!
Ainda mais, a eletricidade é uma parte de uma realidade mais completa, a outra parte corresponde ao magnetismo, representado pela ação de um ímã. O ímã e as correntes elétricas estão relacionados por um fenômeno chamado de indução eletromagnética, do qual é inseparável o nome de outro grande descobridor, Michael Faraday (1791 – 1867). O eletromagnetismo é a concepção unificadora dos fenômenos que, antes do eminente físico teórico James Clerk Maxwell (1831 – 1879), consideravam-se independentes: a eletricidade, o magnetismo e a óptica. Esta outra parte, a óptica ondulatória se relaciona com as ondas eletromagnéticas. Este tipo de ondas recebe nomes diferentes segundo suas particularidades: por exemplo, raios gama e rios-x (usados na medicina, na metalurgia, …), raios UV (contra os quais, usa-se o protetor solar), luz visível (as cores que o olho humano enxerga), raios IR (a região do infravermelho: do calor, das imagens das câmeras noturnas), ondas de rádio (usadas nas comunicações). Daria para imaginar um mundo sem as funções e aplicações do eletromagnetismo? -Impossível!
A Educação é cultura e é também especialização. A Física, entre muitas outras áreas de conhecimento, estuda as leis e fenômenos do eletromagnetismo e aplicações. A Engenharia elétrica estuda e desenvolve fundamentos científicos e tecnológicos na área de conhecimento do eletromagnetismo. São muitas as especialidades atualmente: geração de energia, transmissão de energia, sistemas de automação e controle, robótica, servomecanismos, cibernética, eletrônica, eletromedicina, telecomunicações, materiais elétricos e dispositivos, transportes, …
As universidades formam profissionais nestas e outras muitas áreas do saber, cada vez mais interdisciplinares. Além de tratar com os conhecimentos estabelecidos, as universidades, através das pesquisas, produzem novos conhecimentos. Dá para desconsiderar a importância das universidades? -Impossível!
Bom, de início foi a praça de Edison, depois viram Pelé, Franklin, Faraday, Maxwell, o peixe elétrico da Amazônia e as universidades. Tudo entrelaçado na concatenação universal!


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