Os quatro policiais mortos durante a Operação Contenção, considerada a maior ação de segurança pública da história do Rio de Janeiro, serão promovidos postumamente em reconhecimento à coragem e ao compromisso com o serviço público. O governo estadual decretou luto oficial após os confrontos que marcaram o dia 28 de outubro como um dos mais violentos no enfrentamento ao crime organizado nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte da capital fluminense.
As vítimas são o comissário Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, da 53ª DP; o inspetor Rodrigo Velloso Cabral, da 39ª DP; e os sargentos do Bope Cleiton Serafim Gonçalves e Heber Carvalho da Fonseca. Eles foram atingidos durante confrontos com criminosos fortemente armados enquanto atuavam na linha de frente da operação, que mobilizou cerca de 2,5 mil policiais civis e militares, com apoio do Ministério Público e de diversas forças especializadas.
O governador Cláudio Castro prestou homenagem aos agentes e anunciou a promoção póstuma como forma de reconhecimento ao trabalho realizado. “Minha solidariedade e minhas orações estão com as famílias, amigos e colegas de farda desses heróis. Eles serviram ao Estado com coragem e lealdade, defendendo o que acreditavam: um Rio mais seguro e livre”, declarou.
Durante a megaoperação, 81 criminosos foram presos, entre eles um dos líderes da facção Comando Vermelho, conhecido como Belão. Foram apreendidos 93 fuzis e cerca de meia tonelada de drogas. Segundo dados oficiais, 64 pessoas morreram durante os confrontos, embora moradores relatem um número maior de corpos encontrados nas comunidades, que não constam na contagem oficial.
Castro classificou a operação como “um dia histórico de enfrentamento ao crime organizado” e afirmou que o Estado “não vai recuar”. Segundo ele, o objetivo é enfraquecer as lideranças do tráfico e cortar a comunicação de criminosos que ainda comandam ações a partir de presídios. “Estamos enfrentando o crime com rigor e dentro da lei. O Rio de Janeiro não vai tolerar complacência com o crime”, disse o governador.
A Operação Contenção seguiu as determinações da ADPF 635, do Supremo Tribunal Federal, que estabelece regras para ações policiais em comunidades. As forças de segurança utilizaram câmeras corporais, drones, helicópteros, ambulâncias de resgate e 32 veículos blindados em uma área de 9 milhões de metros quadrados, onde vivem mais de 200 mil pessoas. O secretário de Segurança, Victor dos Santos, destacou que a ação demonstrou a capacidade de resposta do Estado diante da complexidade da região e da influência das facções criminosas.





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