
Um verdadeiro jogo de estratégias que daria inveja ao melhor dos enxadristas. Assim está o comportamento dos poderes Executivo e Legislativo: um de olho na jogada do outro, já pensando na próxima peça a ser mexida, no intuito de anular qualquer tentativa xeque-mate.
Mas vamos falar de forma clara, sem ocultismo, sem linguagem rebuscada; direto ao ponto. O prefeito Zeca Cruz exonerou o secretário de Saúde Manuel Barbosa na sexta-feira da semana passada, dia 10 de fevereiro.
Não se sabe se a intenção do mandatário foi ludibriar a população, fazendo-a crer que Manuel havia sido demitido. O fato é que absolutamente ninguém comprou a ideia, e de forma uníssona, a população interpretou como manobra do prefeito para que Barbosa voltasse a ser vereador, tornando-se um número a mais dentro da Câmara Municipal de Boca do Acre, o que seria um banho de água fria nas intenções do então G7, grupos de vereadores que se rebelaram contra o chefe do Poder Executivo, liderados pela presidente Taísa Onofre.
Segundo fontes ligadas ao prefeito e ao secretário de Saúde, a pseudodemissão funcionou apenas para que Manuel Barbosa participasse como vereador na formação das comissões, o que impediria investidas catastróficas para cima do governo municipal.
Antídoto
O que Zeca Cruz não esperava, era que a presidente estivesse um passo a frente. A vereadora e os pares, muito bem assessorados e orientados, não demoraram a agir no antídoto e lançaram um contraveneno indiscutivelmente perfeito. Taísa decretou a suspensão de toda e qualquer votação na Câmara Municipal de Boca do Acre, o que obriga Manuel Barbosa a retornar ao cargo de secretário, devolvendo a suplência na CMBA para Isabele Oriá, que é número certo na oposição.
O fiel da balança
A incerteza que paira no ar recai sobre o vereador Edmilson, popularmente conhecido por “Tucandeira”. Está sobre ele a desconfiança de que possa desfalcar o G7, pois teria atendido ao pedido do prefeito Zeca Cruz, que o teria procurado e ofertado benefícios vultosos, assim como tem feito com os demais, oferecendo facilidades para tê-los novamente como vereadores governistas.
Para os pares da oposição, Edmilson tem negado de forma veemente, garantindo que permanecerá no grupo, e que ainda comunga das intenções de ser um colegiado de parlamentares que vai tirar o sono do prefeito, fazendo-o sair da zona de conforto em que ele se colocou, ao ter praticamente toda a Câmara Municipal de Boca do Acre nas mãos nos últimos seis anos.
Próximas jogadas
Enquanto isso a população assiste de camarote, o prefeito tentando “reconquistar” os vereadores que ele perdeu, ao invés de dedicar esforços, dinheiro e estratégias para trabalhar em favor do bocacrense, que precisa de água limpa, educação de qualidade, saúde que atenda aos anseios, precisa ainda de esgoto, saneamento básico em geral, esporte e lazer.
Aguardemos as próximas jogadas.


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