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quarta-feira, 24 de junho de 2026
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Pesquisadores recuperam 42 páginas perdidas do Novo Testamento após séculos

Um grupo internacional de pesquisadores conseguiu recuperar 42 páginas consideradas perdidas de um importante manuscrito ligado ao início do Novo Testamento, parte da Bíblia cristã que reúne os relatos sobre Jesus Cristo e os primeiros anos do cristianismo.

O documento, conhecido como Codex H, é uma cópia do século VI das Cartas de São Paulo, textos fundamentais para a tradição cristã e para a formação das escrituras do Novo Testamento.

A pesquisa foi liderada pelo professor Garrick Allen, da Universidade de Glasgow, na Escócia, e utilizou tecnologia avançada para reconstruir trechos desaparecidos há séculos.

Manuscrito foi desmontado na Idade Média

Segundo os pesquisadores, o Codex H foi desmontado durante o século XIII no Mosteiro de Great Lavra, localizado no Monte Athos, na Grécia.

Na época, era comum reutilizar manuscritos antigos como material de encadernação ou proteção de outros livros. Com isso, as páginas originais foram reaproveitadas e os textos acabaram cobertos por novas camadas de tinta.

Os fragmentos restantes ficaram espalhados por bibliotecas de países como Itália, Grécia, Rússia, Ucrânia e França, dificultando ainda mais a reconstrução do documento original.

Tecnologia revelou “texto fantasma”

A recuperação das páginas foi possível graças ao uso de imagem multiespectral, técnica capaz de identificar marcas invisíveis a olho nu.

Os pesquisadores descobriram que a tinta utilizada nas reescritas medievais deixou vestígios nas páginas opostas, formando uma espécie de reflexo do conteúdo original — chamado pela equipe de “texto fantasma”.

Esses sinais permitiram reconstruir partes do manuscrito que já não existiam fisicamente.

O trabalho também contou com especialistas da Early Manuscripts Electronic Library (EMEL) e pesquisadores franceses responsáveis pela datação por carbono, que confirmou a origem do pergaminho no século VI.

O que os textos revelam

Os fragmentos recuperados não apresentam novos trechos inéditos da Bíblia, mas oferecem informações importantes sobre a forma como o Novo Testamento era organizado nos primeiros séculos do cristianismo.

Entre os achados estão algumas das listas de capítulos mais antigas já conhecidas das Cartas de São Paulo, com divisões diferentes das presentes nas versões atuais da Bíblia.

Os textos também mostram anotações, correções e adaptações feitas por escribas ao longo do tempo, ajudando estudiosos a compreender melhor o processo de preservação das escrituras cristãs.

Importância histórica da descoberta

Especialistas consideram a recuperação das 42 páginas um avanço raro para os estudos bíblicos e históricos.

Como o Codex H é tratado como uma peça importante para a compreensão da formação das escrituras cristãs, qualquer fragmento recuperado já teria relevância acadêmica. O volume de material restaurado, porém, chamou ainda mais atenção da comunidade científica.

O projeto recebeu financiamento da Templeton Religion Trust e do Arts and Humanities Research Council, além da colaboração do Mosteiro de Great Lavra.

Uma nova edição impressa do Codex H será publicada em breve, enquanto a versão digital do material já foi disponibilizada gratuitamente pela Universidade de Glasgow.

O que é o Novo Testamento

A Bíblia cristã é dividida entre Antigo Testamento e Novo Testamento.

O Antigo Testamento reúne textos da tradição judaica, como Gênesis, Êxodo e os livros dos profetas. Já o Novo Testamento concentra os relatos sobre Jesus Cristo, os Evangelhos, o livro de Atos dos Apóstolos e as Cartas de São Paulo.

Por isso, mesmo sem trazer um “novo trecho da Bíblia”, a descoberta ajuda pesquisadores a entender melhor como os textos sagrados foram transmitidos e preservados ao longo dos séculos.