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domingo, 5 de julho de 2026
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Pesquisa aponta que 71% dos jovens brasileiros se sentem infelizes nas redes sociais

Uma pesquisa divulgada pelo estudo Mapa da Felicidade Real no Brasil 2026 revelou um dado preocupante sobre o comportamento digital dos jovens brasileiros: 71% das pessoas entre 16 e 24 anos afirmam sentir infelicidade ao consumir conteúdos nas redes sociais.

O levantamento, conduzido pela especialista Renata Rivetti, também mostra que o uso das plataformas deixou de ser apenas entretenimento para se tornar uma dependência reconhecida por boa parte da juventude.

Segundo a pesquisa, 63,4% dos jovens admitem se sentir dependentes das redes sociais.

Comparação constante e sensação de inadequação

O estudo aponta que o problema não está apenas no tempo gasto diante das telas, mas principalmente nos impactos emocionais causados pela exposição contínua aos conteúdos digitais.

Entre os principais fatores identificados estão:

• Comparação excessiva com padrões exibidos nas redes sociais;

• Sensação constante de inadequação;

• Solidão emocional;

• Dependência dos algoritmos e da validação online.

Segundo o levantamento, 77% dos jovens afirmam comparar a própria vida com o que veem nas redes sociais, o que contribui para insegurança e frustração.

A pesquisa também mostrou que 21% dos entrevistados dessa faixa etária sentem que não têm ninguém a quem recorrer em momentos de crise emocional.

“Nunca estivemos tão conectados e tão solitários”

De acordo com Renata Rivetti, o estudo reforça um cenário de hiperconexão acompanhado pelo aumento da solidão entre os jovens.

“Nunca estivemos tão conectados e, ao mesmo tempo, tão solitários”, afirmou a especialista.

O levantamento cita ainda posicionamentos da Organização Mundial da Saúde (OMS), que passou a tratar a falta de conexões sociais reais como um problema de saúde pública.

A comparação foi popularizada pelo médico norte-americano Vivek Murthy, ex-cirurgião-geral dos Estados Unidos, ao afirmar que o isolamento social pode representar riscos equivalentes ao hábito de fumar diariamente.

Adultos também relatam tristeza nas redes

Embora os jovens apareçam como o grupo mais impactado, o estudo mostra que os efeitos negativos das redes sociais atingem diferentes faixas etárias.

Segundo os dados, 51% dos usuários brasileiros relatam sentir tristeza ao abrir aplicativos e navegar pelos feeds.

Em contraste, pessoas acima dos 60 anos apareceram como o grupo mais satisfeito emocionalmente, com índice de 95% de satisfação.

ECA Digital e alerta para famílias

A pesquisa também reacende o debate sobre saúde mental, uso excessivo de telas e proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

Com a entrada em vigor do chamado ECA Digital em 2026, especialistas defendem maior atenção das famílias e das plataformas para reduzir os impactos emocionais causados pelas redes sociais.

O estudo sugere que o fortalecimento de vínculos presenciais e relações sociais reais pode ser um dos caminhos para enfrentar o problema.

Como foi feita a pesquisa

O Mapa da Felicidade Real no Brasil 2026 ouviu 1.500 brasileiros por meio de entrevistas telefônicas realizadas entre fevereiro e março deste ano.

Segundo os organizadores, o levantamento possui nível de confiança de 95% e busca analisar aspectos emocionais, sociais e digitais da população brasileira.