AGOSTINHO ALVES

Para quem mora em cidade grande, ou local que ofereça estrutura para o ciclista praticar o esporte, pode achar que pedalar 200 quilômetros de uma vez só, faz parte da rotina, é normal, é obrigação quase obrigação do atleta que pratica esse esporte em alto nível.
Mas quando contextualizamos para Boca do Acre, aí esses 200 mil metros ganham outra dimensão. A distância passa a ser analisada de forma diferente, levando em consideração as condições que os esportistas têm que enfrentar ao sair de Boca do Acre, perpassar duas reservas indígenas e mais um trecho de estrada de chão, chegar até a divisa do Amazonas com o Acre, descansar por meia hora e percorrer os mesmos quilômetros de volta, com as mesmas ou mais severas dificuldades.
Val Zambianch e Sebastião Silva, na atualidade os ciclistas mais bem preparados de Boca do Acre, estão tornando suas idas até o Acre algo corriqueiro. Em 2020 já é a terceira vez que os ciclistas realizam o trajeto, que de ida e volta dá 220 quilômetros, sendo que mais de 30% do trecho é em estrada de chão, com péssimas condições devido à irregularidade do terreno, com buracos, sem contar a poeira, que nesta época do ano toma conta da estrada.
Terceira viagem do ano
Na visita de número três à Lanchonete dos Passarinhos, a dupla ganhou a companhia do também ciclista de renome no município, William França. O trio enfrentou, como já dito anteriormente, uma estrada repleta de buracos e poeira, debaixo de um sol causticante, que no horário de pico, bateu a casa dos 35°C, no exato momento em que os amantes do pedal estavam retornando da aventura.
O que para alguns é loucura e peripécia, para os ciclistas é treino, como frisou Val Zambianch, ao dizer que o objetivo de pedalar até a divisa dos estados, “é para treinar pedaladas de longa distância e quebrar o tempo”.

Recorde estabelecido
Falando em diminuir o tempo, eis outra façanha dos ciclistas. Com o tempo de 7h35m39s, Val e Seba estabeleceram o novo recorde de ida e volta, fazendo o percurso e diminuindo o tempo em 14m18s, em relação à segunda ocasião, quando o tempo foi de 7h49m57s.
Acham que eles estão satisfeitos. Parece que não, pois Val Zambianch ressaltou que a intenção é percorrer a mesma distância, pelo menos uma vez por mês. Enquanto isso, a idas até o início da primeira reserva, que fica 42 quilômetros distante do perímetros urbano de Boca do Acre, ocorrerão diariamente, salvo nos dias em que eles alongam a distância, indo até o lanche da Ozana, distante da zona urbana a mais de 60 quilômetros, o que acontece sempre nos fins de semana.

“É legal”
Seba comentou a terceira experiência e disse que a cada dia está se acostumando com o trajeto, exceto quando adentram ao terreno sem pavimento, quando o corpo sofre ainda mais, porque além do cansaço, precisa estar preparado física e psicologicamente para a trepidação e o medo de o equipamento não suportar.
“É legal a nossa pedalada. Vamos fazer mais vezes, vamos tentar diminuir o nosso tempo cada vez mais”, disse o ciclista.


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