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sexta-feira, 5 de junho de 2026
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Pássaros, aviões, balões, bruma, urubu, Suzano e nada a comemorar

Um dos anseios mais cobiçados pelos humanos foi voar. E o homem conseguiu voar até no cosmos.

Dédalo aconselhou seu filho Ícaro, ao planejarem fugir voando da ilha de Creta, que não subisse próximo do sol para que não se derretesse a cera com que colaram penas de pássaros e as ajustaram a seus braços e costas. Os filhos ouvem, mas não escutam: e Ícaro subiu e subiu até próximo do sol e o calor derreteu a cera, perdeu suas asas e caiou no mar Egeu. Mitologia grega!

Leonardo da Vinci criou a máquina de voar, um projeto bem-sucedido que nunca saiu do papel, mas que despertou o interesse histórico de saber se tal máquina seria de fato capaz de voar. Outros foram direto à prática e perderam a vida lançando-se de alturas, ou de outras formas, para tentar planar. Ascenderam em balões, como o desaparecido Matias Pérez do folclore cubano; ou como o Padre Aldeir de Carli, que em pleno século XXI, chegou às alturas levado por balões de festa enchidos de hélio.

Os sonhos em voar, continuam a serem sonhos de ir cada vez más rápido e mais longe, mais confortáveis e mais seguros, com mais economia de combustível, menos poluição do ar. Cada ocasião em que acontece um acidente aéreo é como despertar de um pesadelo que interrompe o sonho. As vítimas de acidentes aéreos são heróis que deram suas vidas para que o desenvolvimento científico e tecnológico, em volta da aviação, garantisse um aperfeiçoamento, uma solução, um avanço na segurança da aviação. Acidente é uma coisa, outra coisa são as negligências, as imperícias, os descuidos, o lucro acima de tudo e de todos.

O jornal norte-americano The New York Times, em um artigo publicado, no dia 23 de março (https://www.nytimes.com/2019/03/23/business/boeing-737-max-crash.html), titulado a “Boeing foi ‘vai, vai, vai’ para bater a Airbus com o 737 Max” dá a entender que houve uma correria para fazer realidade a construção do modelo de avião idealizado em 2011, configurado completamente em 2013 e construída a primeira unidade em 2015. Os autores do artigo, David Gelles, Natalie Kitroeff, Jack Nicas e Rebecca R. Ruiz, disseram também que “a Boeing tinha em foco a criação de um avião que fosse essencialmente o mesmo dos modelos 737 precedentes, algo que seria importante para que o avião fosse certificado rapidamente e que isso ajudaria a limitar o treinamento que os pilotos precisariam, reduzindo assim os custos para as companhias aéreas”.

Quando um estudante de ensino médio atinge as habilidades conceituais e de representação da terceira lei de Newton, da força de atrito de um corpo em movimento através de um fluido, do peso, do empuxo, da sustentação, do equilíbrio de forças, pode falar para amigos, família, parentes, … que, em princípio, voar é seguro. E quando um estudante de bacharelado resolve o problema já resolvido por Zhukovsky, no início do século XX, acerca do perfil da asa de um avião, então pode intuir o quanto o homem e a natureza harmonizam, como demonstrado pelo mineiro universal Alberto Santos Dumont. Daí que seja obrigatório visitar sua casa em Petrópolis. É cultura, é turismo!

Bom, não existe só uma forma de asa de avião, nem são só as forças mecânicas as que importam. Um avião pode ter mais de 2 milhões de peças, seus sistemas computacionais podem ter mais de 100 milhões de linhas de códigos de programação, sem contar os sistemas de desenho e estudos aerodinâmicos. E claro, a pressa é inimiga da perfeição.

O começo do ano está triste demais: bruma, urubu, Suzano … e já é 31 de março, nada a comemorar.

Dr. Alejandro Fonseca Duarte

Professor Titular da Universidade Federal do Acre