Para consultor da Fecomércio, tendência de consumo para 2021 é de queda

No Acre, este problema se reflete de maneira mais contundente por conta da agregação dos custos dos transportes e a cobrança do ICMS sobre o frete

O consultor da presidência do Sistema Fecomércio-Sesc-Senac/AC, Egídio Garó, comentou nesta sexta-feira, 4, sobre estudo especial relativo ao comportamento dos índices de inflação durante a pandemia do novo coronavírus da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que apontou tendência de queda no consumo para 2021, especialmente entre famílias de baixa renda. A análise foi divulgada na última semana e mostra que, em 2020, os indicadores de preços dos setores da produção industrial subiram significativamente, descolando-se dos índices de preços ao consumidor final.

Garó enfatizou que, por conta do momento atual, a tendência é de redução no consumo por conta da elevação dos preços no varejo, estando esta questão relacionada ao alto custo da atividade produtiva da indústria e da agricultura, ocasionado pela alta do dólar e pela preferência nas exportações.

“Com a alta da moeda americana impulsionando os preços internacionais para baixo e tornando a produção tanto na indústria quanto na agricultura mais competitivas no mercado internacional, há uma menor oferta no mercado interno, que sofre com a alta dos preços na atividade primária”, explicou o consultor.

No Acre, este problema se reflete de maneira mais contundente por conta da agregação dos custos dos transportes e a cobrança do ICMS sobre o frete, segundo afirmou Egídio. “A atividade produtiva nestes segmentos tem sido impactada significativamente pela necessidade de encerramento das atividades, causada pela pandemia e pela dificuldade de obtenção da matéria-prima, e também pelo fechamento compulsório das atividades durante o período”, reiterou.

A expectativa para este ano segundo empresas especializadas nesse tipo de análise, conforme avaliou Garó, é de que haja uma recuperação considerável na economia. “Uma vez observada, tenderá a reduzir os custos de produção que refletirão nos preços futuros e permitindo um nivelamento ajustado das relações de produção e varejo”, finalizou.

O que diz a CNC?

Segundo o presidente da CNC, José Roberto Tadros, a desorganização dos preços formados nos mercados produtores, com falta de insumos, importados mais caros, dólar alto, elevação das commodities e aumento dos custos das empresas, pode ser percebida com maior proporção nos indicadores do atacado do que nos preços ao consumidor. “Se as empresas do varejo não conseguem suportar o aumento de preços da esfera da produção e do atacado, acabam sacrificando a margem de lucro e, quando é possível, fazem repasses que elevam os preços finais, impactando as decisões de compra dos consumidores”, afirma Tadros.

A CNC analisou a evolução dos preços na última década e concluiu que eles praticamente caminharam juntos entre 2011 e 2019. Em 2020, contudo, a crise da covid-19 provocou um choque nesta relação de equilíbrio, acarretando variações atípicas dos preços. A partir do ano passado, os agentes que possuíam contratos atualizados pelo Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) tiveram reajuste muito superior ao aumento dos contratos reajustados pelos índices de preço ao consumidor (INPC e IPCA), fenômeno que tem persistido.