O papa Francisco, morto na última segunda-feira (21), aos 88 anos, optou por um local inusitado para seu sepultamento: a Basílica de Santa Maria Maior, em Roma. A escolha rompe com a tradição de enterros nas Grutas do Vaticano, sob a Basílica de São Pedro.
A decisão foi registrada pelo próprio pontífice em seu plano funerário. Segundo o Vaticano, Francisco expressou o desejo de descansar próximo à imagem da *Salus Populi Romani*, ícone mariano pelo qual demonstrava profunda devoção.
Construída no século 5, a basílica está localizada no alto do monte Esquilino e é uma das quatro grandes basílicas papais de Roma. Sua fundação está associada a um suposto milagre. De acordo com manuscritos antigos, em 5 de agosto de 358, a Virgem Maria teria aparecido em sonhos ao patrício João e ao papa Libério, pedindo que uma igreja fosse erguida onde nevasse naquela noite de verão romano. No dia seguinte, parte da colina amanheceu coberta de neve, dando origem à construção.
A consagração da atual igreja ocorreu após o Concílio de Éfeso (431), sob o pontificado de Sisto 3º. Desde então, a basílica passou a ser uma das mais importantes do catolicismo. A cada ano, uma chuva de pétalas brancas é lançada do teto sobre o altar-mor para relembrar o milagre.
O ícone mariano *Salus Populi Romani*, principal relíquia do templo, é atribuído pela tradição a São Lucas, evangelista. Francisco costumava rezar diante da imagem antes e depois de suas viagens internacionais, seguindo um costume jesuíta. A pintura retrata Nossa Senhora em pé, com o Menino Jesus nos braços.
Velório e funeral
O corpo de Francisco será colocado em um caixão simples de madeira, forrado com zinco, durante uma cerimônia privada nesta segunda-feira (21), na capela da residência Santa Marta, onde vivia. O rito será conduzido pelo cardeal Kevin Farrell, camerlengo da Igreja Romana.
Atendendo a um pedido feito em vida, o papa dispensou o uso do catafalco — estrutura sobre a qual os corpos dos papas costumam ser velados — e solicitou que os rituais fossem simplificados.
A partir de terça-feira (22), o corpo será velado na Basílica de São Pedro, onde permanecerá por três dias. O funeral, conduzido pelo decano do Colégio dos Cardeais, deve ocorrer no sábado (26), seis dias após a morte, como determina a tradição.
Visitação
A Basílica de Santa Maria Maior está aberta ao público diariamente, das 7h às 19h, com entrada gratuita. O Complexo Museológico Liberiano, que inclui áreas como a Loggia das Bênçãos e a Sala dos Papas, pode ser visitado de segunda a sábado, das 9h30 às 18h.
Visitas guiadas estão disponíveis mediante reserva. Também é possível alugar audioguias em cinco idiomas — italiano, inglês, espanhol, alemão e francês.



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