Pandemia Covid-19: expectativas e receios: população acreana comenta sobre as festas de final de ano

O Jornal Opinião ouviu a população sobre a expectativa e medos neste final de 2021.

As festas de final de ano se aproximam, e nesse período do ano muitas pessoas se reúnem com seus familiares e amigos para confraternizar e celebrar mais um ciclo que se encerra. Entretanto, o contexto atual ainda não é o habitual, tendo em vista que a pandemia da Covid-19 ainda não acabou. 

A orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que as medidas de prevenção contra o coronavírus, como o uso de máscara, ´álcool gel e distanciamento social, sejam observadas, especialmente, após a descoberta de nova variante, o Ômicron. Além disso, a vacinação contra o vírus também é apontada como importante.

Mesmo com todas as orientações muitas pessoas temem que as festividades neste final de ano possam elevar os casos da Covid-19 em todo o país. O Jornal Opinião ouviu a população sobre a expectativa e medos neste final de 2021.

Parte dos acreanos ainda defendem que aglomerações sejam evitadas, como é o caso do advogado Lonny Albuquerque, 26. Para ele a questão é simples, mesmo com os cuidados necessários, a circulação de pessoas contribui para a propagação do vírus e sua mutação, e por isso os encontros presenciais ainda devem ser evitados. “A propagação do sars-cov-2 provoca mutações, está aí a Ômicron para provar o fato. Portanto, para mim, festas não deveriam voltar quando a pandemia “amenizasse”, mas quando a pandemia já não existisse”, frisou.

Albuquerque perdeu uma tia, Lucimar Rego Albuquerque de Lima, mãe de Edkallenn Lima, 41, e Eduardo Lima, 25, que também comentaram sobre o assunto. “Poderíamos pensar em algo mais reduzido como uma confraternização de habitantes de uma mesma casa”, fala Eduardo. Já Edkallenn tem uma visão mais maleável quanto ao assunto. “Acho que no caso específico do Acre, pouco mais de 50% vacinados com ciclo completo (…) É possível que festas em família, com todos os presentes vacinados, seja viável.”, disse.

Quando questionados sobre as variantes, Lonny disse que o seu maior medo é que elas consigam tornar as vacinas ineficientes, fazendo todo o esforço científico perca grande parte do valor, já que os imunizantes perderam sua eficácia. Edkallenn segue na mesma linha, e diz que enquanto houverem dúvidas, todas as medidas de segurança devem continuar sendo seguidas. Eduardo já tem uma postura mais fatalista quanto ao assunto, “Receio que chegará um momento em que o vírus estará muito “evoluído” e talvez bem mais mortal.” declara ele.

Por fim, Lonny comentou um pouco sobre como tem sido as festas de fim de ano da família, após a perda da tia. “A nossa família era muito unida nas festas de fim de ano, a gente sempre se juntava em Brasileia, numa casa gigante da minha tia (…) já tem dois anos que a gente não faz isso, por conta da perda da minha tia e da pandemia, não tem clima mais né”, revela ele.

Em que ponto estamos?

Até o momento, 88.228 pessoas foram infectadas pelo vírus no estado, destas, 1.849 vieram a falecer. Segundo o portal da transparência, mais de um milhão de doses foram recebidas pelo estado, sendo 1.011.249 aplicadas à população, com mais de 427 mil cidadãos imunizados até então.

Nas redes sociais, o médico infectologista Thor Dantas deixa alerta para a população, “Não acabou”. Na publicação, o profissional da saúde afirma que após diversos meses sem um caso de Covid-19 em consultório, um paciente havia sido entubado.

Segundo levantamento feito pela USP (Universidade de São Paulo), juntamente com Unesp (Universidade Estadual de São Paulo), a cada dez pessoas que morreram em decorrência do vírus, oito não haviam se vacinado com nenhuma dose. Os dados foram coletados através do portal Info Tracker, que pode ser consultado gratuitamente através do site.

O parâmetro se manteve, mesmo após o avanço da vacinação, já que, segundo dados, entre 1º de março e 15 de novembro morreram 306.050 pessoas, sendo que 243 mil delas não estavam vacinadas com ao menos uma dose de imunizante, o que representa 79,7% dos mortos no período.

O passaporte não é inimigo

O chamado “passaporte da vacinação” já começou a ser cobrado no Acre, para quem tem interesse em entrar nas repartições públicas, além de eventos sociais, culturais, recreativos, esportivos, religiosos e similares, públicos ou particulares, destinados a público superior a 100 pessoas, com ou sem assento. As únicas exceções são crianças menores de doze anos e quem não se vacinou por razões médicas documentadas, sendo assim necessária a apresentação de teste RT-PCR de até 48h ou teste rápido de até 24h.

Apesar da obrigatoriedade ter chegado apenas agora, muitos locais já estavam fazendo essa exigência, um deles é o bar conhecido como Recanto, que desde julho.

O dono do estabelecimento, Gabriel Santos, explicou o motivo de ter adotado essa fiscalização, ainda na metade de 2021. “A gente decidiu fazer isso para primeiro, incentivar as pessoas a tomarem a vacina. Se você cria obstáculos de convivência pública, para pessoas não vacinadas, isso incentiva que elas tomem vacinas. O segundo foi para garantir a proteção da nossa equipe de colaboradores e dos nossos clientes, para eles se sentirem mais à vontade para frequentar o Recanto”, comenta o empresário.

Além disso, ele falou um pouco sobre a distinção de pessoas não vacinadas para as que tomaram o imunizante. “É muito importante. Tanto por uma questão de saúde pública, no momento pandêmico que a gente vive, a pandemia dos não vacinados, como também para garantir uma liberdade maior, uma tranquilidade maior para as pessoas que estão vacinadas e querem um ambiente seguro, com outras pessoas vacinadas, para se divertir, então você cria aquela zona de segurança onde as pessoas podem ficar à vontade”, completa Gabriel.

Além dele, os três entrevistados anteriores falaram sobre o passaporte, com visões próximas a de Gabriel. Lonny  foi bem enfático, “Se você tem medo de pegar o vírus na rua, você não é livre (…) se eu cobro que outros estejam vacinados para entrarem no meu estabelecimento, eu estou, na verdade, garantindo que os valores sanitários sejam protegidos e com isso as pessoas que respeitam essas normas se sentirão livre de circular pelo meu estabelecimento. Discordar disso é nada mais que politização de um fato científico, não só biológico, mas jurídico”, falou. 

“A vida, a segurança e o bem comum devem ser colocados acima de qualquer crença religiosa ou política”, afirmou Eduardo. Edkallenn, por sua vez, considera que a liberdade é um bem inalienável, mas não é um direito que se sobreponha ao direito à vida. Portanto, o requerimento do passaporte é algo que será natural e que vai acontecer.